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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eleonore Koch

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.07.2021
02.04.1926 Alemanha / Berlim / Berlim
01.08.2018 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Studio Um

Arco, 1960
Eleonore Koch
Têmpera sobre tela
72,80 cm x 91,80 cm
Coleção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

Eleonore Koch (Berlim, Alemanha, 1926 - São Paulo, São Paulo, 2018). Pintora, escultora. Chega ao Brasil em 1936. Inicia sua formação artística com Yolanda Mohalyi (1909-1978), Elisabeth Nobiling (1902-1975), Flexor (1907-1971) e, a partir de 1947, com Bruno Giorgi (1905-1993). Faz viagem de estudos a Paris em 1949 e freqüenta os ateliês de escu...

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Eleonore Koch (Berlim, Alemanha, 1926 - São Paulo, São Paulo, 2018). Pintora, escultora. Chega ao Brasil em 1936. Inicia sua formação artística com Yolanda Mohalyi (1909-1978), Elisabeth Nobiling (1902-1975), Flexor (1907-1971) e, a partir de 1947, com Bruno Giorgi (1905-1993). Faz viagem de estudos a Paris em 1949 e freqüenta os ateliês de escultura de Arpad Szenes (1897-1985) e Robert Coutin (1891-1965). De volta a São Paulo, em 1952, atua como cenógrafa na TV Tupi. Por intermédio de Geraldo de Barros (1923-1998), torna-se secretária de Mário Schenberg (1914-1990) e César Lattes (1924-2005), na Universidade de São Paulo (USP). Conhece por intermédio de sua mãe, a psicanalista Adelheid Koch, o colecionador Theon Spanudis (1915-1985), que a apresenta ao pintor Alfredo Volpi (1896-1988), com quem continua sua formação. Recebe grande influência do pintor, de quem passa a ser considerada a única discípula. Integra as edições de 1959 a 1967 da Bienal Internacional de São Paulo. Fixa residência em Londres a partir de 1968, onde é apoiada por um grande colecionador, e trabalha como tradutora juramentada junto à Justiça inglesa. Em 1979, participa da exposição Coleção Theon Spanudis, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), realizada para comemorar a doação feita pelo colecionador ao museu. Participa da mostra Volpi: Permanência e Matriz: Sete Artistas de São Paulo, na Montesanti Galleria de São Paulo, em 1986. Volta a viver no Brasil em fins da década de 1980.

Análise

Conhecida como a única discípula do pintor Alfredo Volpi, Eleonore Koch tem uma trajetória ainda pouco estudada pela crítica de arte no Brasil. Inicia sua formação como escultora, mas centra sua produção na pintura a partir dos anos 1950.

À primeira vista, sua obra encontra semelhanças com a pintura metafísica italiana. O crítico e colecionador de arte Theon Spanudis (1915-1986) identifica certa sacralização na representação dos objetos. Entretanto, a ênfase dada aos planos de cor que se evidenciam na superfície da tela, transpassados por objetos desenhados por uma linha firme, distancia seu trabalho daquele de figuras como Giorgio De Chirico (1888-1978), para quem a pintura é, sobretudo, um veículo de valores e questionamentos filosóficos e morais. É certo que Koch não segue a trajetória do figurativismo à abstração que caracteriza os artistas que a influenciam.

A artista nunca abdica da representação do mundo com base em objetos e paisagens. Mas a ausência de um caráter alegórico ou narrativo e a ordenação meticulosa das áreas de cor em tensão com a representação em perspectiva (como, por exemplo, em Traves, 1957), apontam em outra direção: assim como na pintura de Volpi, na qual bandeirinhas, portas e janelas não são meras alegorias ou símbolos da cultura brasileira, mas objetos plásticos com os quais o artista procura explorar arranjos formais e de cor, as coisas representadas por Koch evocam a memória dos objetos cotidianos, sem ocultar o caráter sensorial da pintura. Ela não procura reduzi-la a um mero veículo de emoções ou sentimentos. A lição de Volpi, que via no ato de "resolver o quadro" a tarefa básica do pintor,1 é certamente aprendida pela artista.

Sua obra contribui para a investigação de questões pertinentes à pintura, em especial no tocante à dicotomia entre cor e linha. A relação que sua pintura estabelece com os objetos representados se desvia de uma atitude contemplativa. Vê-se que é do constante embate entre as superfícies de cor, trabalhadas com o auxílio da têmpera, e os objetos nitidamente representados, que se faz a tensão permanente de seus quadros. A imobilidade resultante decorre menos de uma postura passiva diante de uma cena do que da representação de um jogo de forças que resulta um equilíbrio tenso, no qual nem cor nem desenho preponderam.

Nota

1. VOLPI. São Paulo: Cosac & Naify, 1999. (Espaço da arte brasileira). p. 17.

Obras 3

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Registro fotográfico Studio Um

Arco

Têmpera sobre tela

Exposições 35

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Mídias (1)

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Eleonore Koch - Enciclopédia Itaú Cultural
Alfredo Volpi tem uma influência decisiva na carreira de Eleonore Koch. “Mudei muito com o Volpi”, conta a artista. O uso das cores, por exemplo, ganha novo sentido a partir da convivência com o pintor. “Eu não via o que fazia em relação às cores, se estavam certas ou não”, diz. “A cor como cor não representava muito. Isso começou com o Volpi”, completa. Por sugestão dele, Eleonore substitui a tinta a óleo pela têmpera e passa a preparar as telas com gelatina, técnica que permite que o suporte seja enrolado para ser transportado. Contemporânea de movimentos construtivistas, não se identifica com o concretismo nem com o abstracionismo. “Eu teria feito coisas horríveis se fosse abstrata”, diz ela, que também atua como professora e costuma estimular os alunos a pintar naturezas-mortas.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 11

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  • ARTE transcendente: exposição de pintura. São Paulo: MAM, 1981.
  • Aos 92 anos, morre a artista plástica e discípula de Volpi, Eleonore Koch. Folha de S. Paulo, 01 ago. 2018. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/08/aos-92-anos-morre-a-artista-plastica-e-discipula-de-volpi-eleonore-koch.shtml >. Acesso em: 01 ago. 2018.
  • COLEÇÃO Theon Spanudis: doação para o acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. São Paulo: MAC/USP, 1980.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GONÇALVES FILHO, Antonio. Eleonore Koch e sua pintura intimista. Especial Eleonore Koch - Estadão.com.br. Em: [http://www22.estadao.com.br/ext/especial/eleonorekoch/galeria/].
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • RIBEIRO, Teresa. Pontos de chegada nos anos 30. Especial Brasil: Psicanálise e Modernismo - Estadão.com.br. Disponível: < http://www22.estadao.com.br/divirtase/especial/freud/mod17.htm >.
  • SALÃO PAULISTA DE ARTE MODERNA, 4., 1955, São Paulo. 4º Salão Paulista de Arte Moderna. São Paulo: Galeria Prestes Maia, 1955.
  • VOLPI. São Paulo: Cosac & Naify, 1999. (Espaço da arte brasileira).
  • VOLPI: permanência e matriz, 7 artistas de Sao Paulo. São Paulo: Montesanti Galleria, 1986.

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