Artigo da seção pessoas Crispim do Amaral

Crispim do Amaral

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / teatro  
Data de nascimento deCrispim do Amaral: 1858 Local de nascimento: (Brasil / Pernambuco / Olinda) | Data de morte 17-12-1911 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Pano de Boca do Teatro Amazonas , ca. 1894 , Crispim do Amaral
Reprodução Fotográfica Autoria Desconhecida

Biografia

Crispim do Amaral (Olinda, PE, 1858 - Rio de Janeiro, RJ, 1911). Desenhista, caricaturista, ilustrador, cenógrafo, decorador e pintor. Estuda em Recife com o pintor e cenógrafo francês Léon Chapelin. Aos 18 anos, parte para o Norte do país. Em Belém, Pará, trabalha como cenógrafo e decorador no Teatro Providência e, em seguida, no Teatro da Paz. Publica caricaturas na imprensa paraense, fortemente impulsionada pela litografia do desenhista alemão Karl Wiegandt (1841-1908). Edita e ilustra o jornal O Estafeta (1879), sob o pseudônimo Puck, e lança a revista A Semana Illustrada (1887). Convive com artistas italianos ativos no Pará, como Leone Righini (ca.1820-1884) e Luís Pignatelli. Entre 1894 e 1896 trabalha na decoração do Teatro Amazonas.

Em 1888, viaja a Paris com auxílio dos governos do Pará e Amazonas. Colabora como caricaturista no jornal Le Rire, onde publica a charge Dum-Dum! como crítica à guerra Anglo-Bôer. Pela publicação recebe uma reclamação do embaixador inglês e um processo na justiça francesa. Condenado a três anos de prisão, volta ao Brasil, fixa residência em Pernambuco e posteriormente no Rio de Janeiro. Executa cenários para operetas exibidas no Espaço Cinematógrafo Rio Branco.

É o primeiro diretor artístico do periódico O Malho (1902). Funda as revistas A Avenida (1903) – com a colaboração de Cardoso Jr. e Carlos Lenoir – e O Pau (1905), dedicada à crítica política local e internacional. Trabalha como caricaturista na revista O Século quando falece, em 1911.

Análise

Crispim do Amaral é autor de intensa produção que revela uma formação versátil e atenta às expectativas de seu tempo. Grande parte de seu trabalho resulta em obras efêmeras ligadas à cenografia ou à decoração, como as do Teatro da Paz, das quais resta apenas um pano de boca, com a Alegoria da República.

Em 1894, dedica-se à decoração do Teatro Amazonas, da qual resulta sua pintura mais conhecida, o pano de boca em que uma figura feminina repousa sobre as águas, rodeada por figuras semelhantes a zéfiros. Uma composição alegórica clássica que alude a aspectos da natureza local. Crispim coordena também toda a decoração interna do teatro e a estrutura do palco: pinturas, telões de cena, bastidores, construção das engrenagens para o maquinismo do palco e assentamento das cadeiras da plateia, além do frontão externo, onde figuram em baixo relevo as alegorias da ópera e da arquitetura.

Apesar da incerteza dos relatos, a charge Dum-Dum! constitui o episódio que o tornaria célebre em seu tempo. O artista representa a rainha Vitória como uma criança recebendo palmadas do general Kruger, líder bôer. O som “dum-dum” indicado na cena faz referência às balas explosivas utilizadas pelo exercito inglês durante a segunda guerra dos bôeres, em 1899.

Nos trabalhos de caricatura, poucas vezes abandona o desenho esmerado para entregar-se aos exageros próprios dessa linguagem. Morfeu I (1902) é um exemplar audacioso de sua produção, que em traços fortes representa o presidente Rodrigues Alves, recém-eleito, atravancado por uma vestimenta faustosa de imperador e apoiado sobre um tronco da escravidão.

Outras informações de Crispim do Amaral:

  • Habilidades
    • desenhista
    • decorador
    • Cenógrafo
    • Aquarelista
    • Caricaturista
    • Ilustrador
    • Pintor

Obras de Crispim do Amaral: (1) obras disponíveis:

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (9)

  • CAVALCANTI, Carlos; AYALA, Walmir, org. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Apresentação de Maria Alice Barroso. Brasília: MEC/INL, 1973-1980. (Dicionários especializados, 5).
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 2v.
  • FONSECA, JOAQUIM DA. Caricatura: a imagem gráfica do humor. Design gráfico Joaquim da Fonseca. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1999.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Pintores negros do oitocentos. Edição Emanoel Araújo. São Paulo: MWM-IFK, 1988.
  • LIMA, Herman. História da caricatura no Brasil. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963, vol. 3.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
  • SANTOS, Joel Rufino dos. A mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. In: ARAÚJO, Emanoel (org.). A Mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo: Tenenge, 1988. p. 396-398
  • ZANINI, Walter (Coord.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983. v.2.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CRISPIM do Amaral. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa22858/crispim-do-amaral>. Acesso em: 28 de Fev. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7