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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Correia de Lima

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.02.2017
1814 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
22.06.1857 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Retrato de D. Teresa Cristina, 1843
Correia de Lima
Óleo sobre tela
60,00 cm x 75,00 cm
Acervo do Museu Imperial/IPHAN/MinC (Petrópolis, RJ)

José Correia de Lima (Rio de Janeiro 1814 - Rio de Janeiro 1857). Pintor, desenhista e professor. Integra a primeira turma da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), em 1826. Estuda pintura histórica com Jean-Baptiste Debret (1768-1848) e arquitetura com Grandjean de Montigny (1776-1850). É colega de August Muller (1815-c.1883), Manuel de Araúj...

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Biografia

José Correia de Lima (Rio de Janeiro 1814 - Rio de Janeiro 1857). Pintor, desenhista e professor. Integra a primeira turma da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), em 1826. Estuda pintura histórica com Jean-Baptiste Debret (1768-1848) e arquitetura com Grandjean de Montigny (1776-1850). É colega de August Muller (1815-c.1883), Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-79), Francisco Souza Lobo (1800-1855), Alphonse Falcoz (1813 - s.d.) e José dos Reis Carvalho (1800-1872), entre outros. Em 1829, participa da primeira exposição de trabalhos de professores e alunos da Aiba. Expõe dois desenhos de detalhes de arquitetura.

Em 1837, torna-se professor substituto de pintura histórica na Aiba, no lugar de Porto-Alegre, então de licença, sem prazo definido. Entre o começo de 1843 e o fim de 1844, pede licença remunerada e vai para a Europa realizar tratamento de saúde. Em 1848, junto com Job Justino de Alcântara e José da Silva Santos, faz parte da Comissão da Aiba para examinar a obra de chafariz no Largo do Rocio. Em 1849, torna-se professor efetivo da cadeira de pintura histórica. Participa das Exposições Gerais de Belas Artes (EGBA) de 1840 a 1846 e de 1848 a 1852. Na exposição de 1840, recebe medalha de ouro. Na de 1841, recebe de D. Pedro II o Hábito da Ordem de Christo. Morre em 1857. Na EGBA de 1859, tem os trabalhos Magnanimidade de Vieira e Retrato do Intrépido Marinheiro Simão, carvoeiro do vapor Pernambucana exibidos em sua homenagem. Essas obras são expostas novamente na EGBA de 1879 e na de 1884.

Análise

José Correia de Lima dispõe de importância limitada no cenário artístico brasileiro da primeira metade do século XIX devido à sua modesta obra pictórica, seja em quantidade ou qualidade.

Ainda que tenha lecionado por muito tempo pintura histórica (1837-57) na Aiba, sendo responsável pela formação de vários e destacados artistas do oitocentos, como Victor Meirelles (1832-1903), sua produção poucas vezes ultrapassou o retrato individual ou em grupo.

De fato, é um dos retratos que realiza que acaba se convertendo em uma das pinturas mais emblemáticas do seu período: o Retrato do Intrépido Marinheiro Simão, carvoeiro do vapor Pernambucana. Produzido por volta de 1853, mas exposto só após a morte do pintor (1857), na EGBA de 1859, representa o "preto Simão", marinheiro responsável por resgatar, sozinho, 13 vítimas de um naufrágio na costa catarinense.

A importância dessa obra, segundo o historiador da arte Luciano Migliaccio, está em apresentar "o primeiro retrato heroico de um afro-brasileiro".

Ela se torna ainda mais relevante quando se considera a intensificação, no Brasil do século XIX, das ideias derivadas do "darwinismo social", teoria que defendia uma suposta superioridade do branco (europeu) sobre as assim ditas "raças mais primitivas" (negros, índios e asiáticos).

Se a absorção dessas ideias no país tinha como pano de fundo a legitimação e manutenção do regime escravista, a obra de Correia de Lima é uma das primeiras que, lançada ao cenário público, passa a questionar claramente aquela teoria. Em suma, a obra sugere que Simão, um negro livre, não mostra sua superioridade apenas por arriscar, utilizando livre arbítrio, sua vida para salvar outras; mas, sobretudo, por não discernir a cor de pele de quem se arrisca a salvar.

Obras 1

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Exposições 21

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Fontes de pesquisa 23

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  • ACADEMIA DAS BELAS ARTES. Exposição Geral de 1840. In Jornal do Commercio. Ano XV, n. 332. Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1840.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 2v.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • CARDOSO, Rafael. A Arte brasileira em 25 quadros (1790-1930). Rio de Janeiro: Record, 2008. 224 p., il.
  • DEBRET, J. B. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. São Paulo: Livraria Itatiaia Editora e Edusp, 1978.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira: pintura e esculptura. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & C., 1888. 254 p.
  • Dicionário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, 1922.
  • FERREIRA, Félix. Belas Artes: estudos e apreciações. Rio de Janeiro: Badomero Cerqueja Fuentes Editor, 1885.
  • FREIRE, Laudelino, Um século de pintura. Apontamentos para a História da Pintura no Brasil de 1816 a 1916, Rio de Janeiro: Typographia Röhe, 1916.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GALVÃO, Alfredo. Subsídios para a história da Academia Imperial e da Escola Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: Universidade do Brasil, 1954.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições gerais da Academia Imperial e da Escola Nacional de Belas Artes: período monárquico, catálogo de artistas e obras entre 1840 e 1884. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1990. v.1.
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Grandjean de Montigny e a evolução da arte brasileira. Rio de Janeiro: Noite, 1941.
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Grandjean de Montigny e a evolução da arte brasileira. Rio de Janeiro: Noite, 1941.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte do século XIX. Curadoria Luciano Migliaccio, Pedro Martins Caldas Xexéo; tradução Roberta Barni, Christopher Ainsbury, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • REQUERIMENTO DO REGENTE DO IMPÉRIO BRASILEIRO, Manoel Antonio Galvão, em nome d. Pedro II, sobre o pagamento de José Correa de Lima enquanto professor substituto de Manuel Araújo Porto-Alegre, na cadeira de Pintura Histórica da Academia Imperial de Belas Artes. 13 de setembro de 1839. Acervo Museu D. João VI, Rio de Janeiro, pastas-série 201-300. p. 3.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • VIANA, E. E. Araújo. História das artes plásticas no Brasil. In Revista do IHGB. Tomo LXXVIII. Rio de Janeiro, 1915.

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