Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Belmiro de Almeida

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.03.2017
25.05.1858 Brasil / Minas Gerais / Serro
12.06.1935 França / Ile de France / Paris
Reprodução fotográfica Raul Lima

Efeitos de Sol (Itália), 1892
Belmiro de Almeida
Óleo sobre tela, c.s.e.
65,00 cm x 100,00 cm

Belmiro Barbosa de Almeida (Serro MG 1858 - Paris França 1935). Pintor, desenhista, caricaturista, escultor, professor e escritor. Freqüenta o Liceu de Artes e Ofícios e a Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, entre 1869 e 1880, no Rio de Janeiro, onde estuda com Agostinho da Motta, Zeferino da Costa e José Maria de Medeiros. Em 1878, estuda ...

Texto

Abrir módulo

Biografia

Belmiro Barbosa de Almeida (Serro MG 1858 - Paris França 1935). Pintor, desenhista, caricaturista, escultor, professor e escritor. Freqüenta o Liceu de Artes e Ofícios e a Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, entre 1869 e 1880, no Rio de Janeiro, onde estuda com Agostinho da Motta, Zeferino da Costa e José Maria de Medeiros. Em 1878, estuda com Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo no Ateliê Livre. Leciona desenho no Liceu de Artes e Ofícios, de 1879 a 1883, e na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, de 1893 a 1896. A partir de 1884, passa a viver entre Paris e Rio de Janeiro. A primeira viagem a Paris, em 1884, resulta num redirecionamento estético em seu trabalho, conseqüência do estudo e contato com obras de artistas e intelectuais que renovaram a arte do período: Édouard Manet e Edgar Degas na pintura e Gustave Flaubert e Émile Zola na literatura. Em sua segunda estada na capital francesa, iniciada em 1888, entra em contato com Georges Seurat na Ecole Nationale Supérieure dês Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes] e estuda pintura com Jules Joseph Lefebvre e B. Constant et Pelez, aproximando-se de vertentes pós-impressionistas. No Rio de Janeiro, trabalha como caricaturista em diversas revistas, como Comédia Popular, Diabo a Quatro, A Cigarra, Bruxa e O Malho. Funda os periódicos Rataplan e João Minhoca, entre 1886 e 1901. É um dos criadores do Salão dos Humoristas, em 1914, e membro do Conselho Superior de Belas Artes, de 1915 a 1925.

Análise

Belmiro de Almeida ingressa na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, em 1874. Entre 1884 e 1885, com recursos próprios, viaja para Paris, onde toma contato com novas tendências da pintura. É atraído pelas idéias realistas dos escritores Émile Zola e Gustave Flaubert. No campo das artes, interessa-se por Édouard Manet e Edgar Degas.

Em 1887, expõe Arrufos, sua tela mais conhecida, que se destaca pela rigorosa fatura e pelo tom de leve ironia com o qual a cena é retratada. Em 1888, o crítico Gonzaga Duque, que segundo alguns historiadores estaria retratado nesse quadro, destaca a importância da obra, pela visão moderna do artista: "Ainda no Rio de Janeiro não se fez um quadro tão importante como é este".1 O pintor inova ao abordar um tema relacionado à vida cotidiana, com enfoque realista. Atuando na passagem do século XIX para o século XX, empreende uma pintura nova ao deixar de lado os temas da pintura histórica para se ocupar de assuntos mais prosaicos da sociedade contemporânea. O crítico também elogia a técnica de Belmiro: "As tintas são claras e simpáticas, os toques são rápidos, largos e bem lançados. Nenhuma pretensão a empastamento, nenhuma pretensão a mancha descurada, se notam neste trabalho. O toque é sempre apropriado".2 Belmiro exibe assim, provocativamente, suas qualidades de pintor.

O historiador Reis Júnior destaca a relação difícil entre o artista, de espírito inconformado, e o meio em que vive: a ausência de respaldo às novas tendências na arte leva-o a não abandonar definitivamente os trabalhos mais conservadores, capazes de garantir-lhe a sobrevivência.

Concorre ao prêmio de viagem ao exterior da Aiba, em 1888. Não obtém o prêmio, mas vai para a Europa nesse ano, com auxílio de colegas da Academia, principalmente de Rodolfo Bernardelli. Visita a Itália, onde pinta algumas paisagens, mas fica a maior parte do tempo em Paris. As viagens entre Rio de Janeiro e Paris foram constantes em sua carreira. Na França, vivencia um momento de transformações no campo da pintura. Realiza o quadro Efeitos de Sol, 1892, que traz a evocação de um mundo camponês, com uma paisagem estruturada em manchas de cor, que se destaca pelo caráter inovador, se comparado com a pintura que então se praticava no Brasil.

Em Os Descobridores, 1899, evita o tratamento heróico que o tema do descobrimento do Brasil sugere: esses são dois pobres homens, exaustos, ao pé de uma árvore desfolhada. A paisagem é totalmente árida e desolada, transmitindo a sensação de abandono, que é reforçada pelo tratamento cromático: uma luminosidade que se espalha uniformemente pela superfície. Belmiro recusa a monumentalidade à obra, porém lhe confere uma concepção e um tratamento plástico muito originais. Em A Tagarela, 1893, representa uma personagem popular, que interrompe uma atividade doméstica. Destaca-se nesse quadro o domínio no uso da linha, que estrutura a composição, aliado ao cuidadoso trabalho com a cor, como ocorre também em Dame à la Rose, 1905. Em obras como Retrato de Abigail Seabra, 1900 ou Paisagem em Dampierre, 1919, o artista inspira-se na técnica pontilhista, as pinceladas curtas valorizam os tons, mas obedecem à orientação dos planos. Já Mulher em Círculos, 1921, dialoga com a estética do futurismo.

Belmiro de Almeida revela, ao longo de sua carreira grande ecletismo: experimenta constantemente novas técnicas, às quais alia a interpretação pessoal e a maestria na fatura das obras. Paralelamente à carreira de pintor, tem uma importante atividade como caricaturista, à qual deve boa parte de seu prestígio, trabalhando em importantes jornais e revistas da época: O Malho, Diabo a Quatro e A Cigarra, entre outros, e fundando O Rataplan (1886) e João Minhoca (1901). Manifesta na caricatura o interesse por assuntos sociais, representa os contratempos do cotidiano, no trabalho e no lazer, em charges cáusticas. Artista de espírito polêmico e inconformado, sua obra tem caráter inovador no panorama das artes brasileiras.

Notas

1 DUQUE, Gonzaga. A arte brasileira. Introdução Tadeu Chiarelli. Campinas: Mercado de Letras, 1995, p. 212.

2 Idem, p. 213.

Obras 43

Abrir módulo
Reprodução Fotográfica Raul Lima

A Portuguesa

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

A Tagarela

Óleo sobre tela
Reprodução Fotográfica Raul Lima

Adolescente

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Arrufos

Óleo sobre tela

Exposições 85

Abrir módulo

Eventos relacionados 1

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 34

Abrir módulo
  • AMARAL, Aracy. Artes plásticas na Semana de 22: subsídios para uma história da renovação das artes no Brasil. 4. ed. São Paulo, SP: Perspectiva, 1979. 335 p. (Debates, 27).
  • AMARAL, Aracy. Artes plásticas na Semana de 22: subsídios para uma história da renovação das artes no Brasil. 4. ed. São Paulo, SP: Perspectiva, 1979. 335 p. (Debates, 27). 709.8104 A485a 4.ed.
  • ARTE brasileira dos séculos XIX e XX nas coleções cearenses: pinturas e desenhos. Curadoria Max Perlingeiro. Fortaleza: Fundação Edson Queiroz. Espaço Cultural da UNIFOR, 1989. 132 p.
  • ARTE brasileira dos séculos XIX e XX nas coleções cearenses: pinturas e desenhos. Curadoria Max Perlingeiro. Fortaleza: Fundação Edson Queiroz. Espaço Cultural da UNIFOR, 1989. 132 p. CEunifor 1989/a
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 709.81 A163ar
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1982.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. R750.81 A973d 2.ed.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 2v. R759.981 A973d v.1
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994. 700 BI588sp Sec.XX
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942. R703.0981 B813a
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. 759.981034 C198hi
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). R703.0981 C376d v.1 pt. 1
  • DUQUE, Gonzaga. A arte brasileira: pintura e esculptura. Introdução Tadeu Chiarelli. Campinas: Mercado de Letras, 1995. (Arte: ensaios e documentos).
  • DUQUE, Gonzaga. A arte brasileira: pintura e esculptura. Introdução Tadeu Chiarelli. Campinas: Mercado de Letras, 1995. (Arte: ensaios e documentos). 709.81 D946ar
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983. 759.981034 F866u
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte do século XIX. Curadoria Luciano Migliaccio, Pedro Martins Caldas Xexéo; tradução Roberta Barni, Christopher Ainsbury, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte do século XIX. Curadoria Luciano Migliaccio, Pedro Martins Caldas Xexéo; tradução Roberta Barni, Christopher Ainsbury, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000. 709.034 M9161a
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte moderna. Curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso, Maria Alice Milliet; tradução Izabel Murat Burbridge, John Norman. São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais/ Fundação Bienal de São Paulo, 2000.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte moderna. Curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso, Maria Alice Milliet; tradução Izabel Murat Burbridge, John Norman. São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais/ Fundação Bienal de São Paulo, 2000. 709.04 M9161a
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944. 759.981 R375h
  • REIS JÚNIOR. Belmiro de Almeida 1858-1935. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1984. 120 p., il. p&b. color. (Série prata, 10).
  • REIS JÚNIOR. Belmiro de Almeida 1858-1935. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1984. 120 p., il. p&b. color. (Série prata, 10). 759.981034 Ab447r
  • RIBEIRO, Marília Andrés (org.); SILVA, Fernando Pedro da (org.). Um século de história das artes plásticas em Belo Horizonte. Belo Horizonte: C/Arte, 1997. (Centenário). 709.8151 S446
  • SOUZA, Gilda de Mello e. Pintura Brasileira contemporânea: os precursores. In: __________. Exercícios de leitura. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1980. 286 p. : ill. ; 21 cm. (Série Coleção O Baile das quatro artes). Não catalogado
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1. 709.81 H673 v.1

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: