Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Arthur Timótheo da Costa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.08.2021
12.11.1882 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
05.10.1922 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Cigana, 1910
Arthur Timótheo da Costa
Óleo sobre tela, c.i.e.
38,00 cm x 55,00 cm

Arthur Timótheo da Costa (Rio de Janeiro RJ 1882 - idem 1922). Pintor, desenhista, cenógrafo, entalhador, decorador. Inicia seus estudos na Casa da Moeda, onde freqüenta o curso de desenho e toma contato com o processo de gravação de imagens acompanhando a impressão de moedas e selos. Em 1894, incentivado pelo diretor da instituição, Enes de Sou...

Texto

Abrir módulo

Arthur Timótheo da Costa (Rio de Janeiro RJ 1882 - idem 1922). Pintor, desenhista, cenógrafo, entalhador, decorador. Inicia seus estudos na Casa da Moeda, onde freqüenta o curso de desenho e toma contato com o processo de gravação de imagens acompanhando a impressão de moedas e selos. Em 1894, incentivado pelo diretor da instituição, Enes de Souza, matricula-se com seu irmão João Timótheo da Costa (1879 - 1930) na Escola Nacional de Belas Artes - Enba e freqüenta as aulas ministradas por Bérard (1846 - 1910), Zeferino da Costa (1840 - 1915), Rodolfo Amoedo (1857 - 1941) e Henrique Bernardelli (1858 - 1936). Entre 1895 e 1900 aprende informalmente as técnicas de cenografia com o italiano Oreste Coliva. Participa de diversas edições da Exposição Geral de Belas Artes, em que recebe o prêmio de viagem ao exterior, em 1907. No ano seguinte embarca para Paris, onde permanece por aproximadamente dois anos. Em 1911, viaja para a Itália como integrante do grupo de artistas escolhidos para executar a decoração do Pavilhão Brasileiro na Exposição Internacional de Turim. Em 1919, funda com um grupo de artistas a Sociedade Brasileira de Belas Artes na cidade do Rio de Janeiro, e propõe, em 1920, a livre participação dos artistas filiados à sociedade nas Exposições Gerais de Belas Artes. Nesse mesmo ano, executa com seu irmão a decoração do Salão Nobre do Fluminense Futebol Clube. Em 1921, participa pela última vez da Exposição Geral de Belas Artes. Morre no ano seguinte, como interno do Hospício dos Alienados do Rio de Janeiro.

Análise
O pintor Arthur Timótheo da Costa tem uma infância humilde. Muito jovem, torna-se aprendiz na Casa da Moeda no Rio de Janeiro, onde começa a ter lições de desenho. Ali, o artista também toma contato com os processos de gravação de imagens ao acompanhar a impressão de selos e moedas. Com o incentivo do diretor da instituição, Enes de Souza, Arthur Timótheo da Costa é encaminhado, em 1894, junto com o irmão, João Timótheo da Costa (1879 - 1930), para a Escola Nacional de Belas Artes - Enba, e é aluno de Bérard (1846 - 1910), Zeferino da Costa (1840 - 1915), Rodolfo Amoedo (1857 - 1941) e Henrique Bernardelli (1858 - 1936). Além de dedicar-se aos estudos formais na Enba, informalmente aprende cenografia, trabalhando como auxiliar do italiano Oreste Coliva, de 1895 até 1900.

Em 1905, o artista faz sua estréia na Exposição Geral de Belas Artes, mostrando duas pinturas: Diante do Modelo e Repreensão, mas não obtém muito êxito. É mais bem-sucedido em 1907, quando conquista o prêmio de viagem ao exterior, que o leva a mudar-se para Paris no ano seguinte. Depois da temporada parisiense, ele percorre a Itália e a Espanha. Durante a estada européia, sua pintura altera-se consideravelmente, a ponto do crítico José Roberto Teixeira Leite afirmar que o "Arthur Timótheo da Costa que retorna de Paris depois de dois anos de ausência não é o mesmo que havia seguido para lá há tão pouco".1 O artista se aproximava de procedimentos impressionistas, a linha deixa de estruturar a pintura, as formas não se restringem à rigidez do contorno, os volumes passam a ser modelados na pincelada, que se torna mais aberta e mais marcada.

Após retornar para o Brasil, em 1910, Arthur Timótheo da Costa realiza um dos quadros mais exemplares de sua relação com a pintura de vanguarda: A Forja (1911). Segundo a socióloga Gilda de Mello e Souza, este trabalho teria antecipado a pintura moderna no Brasil, tanto no tema, da dura labuta do trabalho industrial, quanto no tratamento, que apaga o desenho e estrutura as formas através de pinceladas aparentes e vigorosas.2 Em 1911, o artista segue para a Itália, convidado para decorar o Pavilhão Brasileiro na Exposição Internacional de Turim. Realiza esta empreitada junto com João Timótheo da Costa, Carlos Chambelland (1884 - 1950) e Rodolfo Chambelland (1879 - 1967). Faz outro trabalho de decoração em 1920, junto com o seu irmão João Timótheo da Costa, na sede do Fluminense Futebol Clube.

No Brasil, Arthur Timótheo da Costa expõe regularmente nas Exposições Gerais de Belas Artes, e ganha medalhas em 1913, 1919 e 1920. Seu trabalho, de modo geral, continua a figurar temas tradicionais da pintura acadêmica, sobretudo a paisagem, mas aprofunda os elementos de uma abordagem ligada ao impressionismo. As pinceladas ficam mais marcadas e com movimentos mais velozes. Em seu Auto-Retrato (1919), a imagem é bastante definida, mas o trabalho com o pincel modela todo o corpo retratado. São mantidos os efeitos de profundidade, mas eles não são atingidos pelos recursos tradicionais de luz e sombra.

As últimas paisagens de Timótheo da Costa radicalizam na modelagem pela pincelada e abdicam do contorno. Em trabalhos como o Cais Pharoux, Sol e Mercado Velho do Rio de Janeiro (1918) o desenho desaparece sob as marcas de tinta. A pincelada é mais expressiva e por vezes o artista arranha a cor que havia sido aplicada sobre a tela. A dinâmica das cores tem maior destaque do que a definição das figuras. Paulatinamente, o artista deixa de pintar. Sua doença mental agrava-se irremediavelmente. Internado, morre no dia 5 de outubro de 1922.

Notas

1 LEITE, José Roberto Teixeira. Pintores negros do oitocentos. São Paulo: MWM-IFK, 1988.

2 SOUZA, Gilda de Mello e Souza. Pintura brasileira contemporânea: os precursores. O Baile das Quatro Artes. São Paulo: Livraria Duas Cidades,  1980. p. 223-247.

Obras 34

Abrir módulo
Reprodução fotográfica autoria deconhecida

A Dama de Verde

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Alguns Colegas

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Auto-Retrato

Óleo sobre tela

Exposições 51

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 39

Abrir módulo
  • ACQUARONE, Francisco; VIEIRA, Adão de Queiroz. Primores da pintura no Brasil. 2.ed. [Rio de Janeiro]: [s.n.], 1942. v. 1. LIV-G 759.981 A186p 2.ed. v.1
  • ACQUARONE, Francisco; VIEIRA, Adão de Queiroz. Primores da pintura no Brasil. 2.ed. [Rio de Janeiro]: [s.n.], 1942. v. 1. LIV-G 759.981 A186p 2.ed. v.1
  • ARTE BRASILEIRA século XX: Galeria Eliseu Visconti: pinturas e esculturas. Rio de Janeiro: MNBA, 1984. 708.98153 M986mnba
  • ARTE brasileira do século XX: Galeria Eliseu Visconti: pinturas e esculturas. Rio de Janeiro: MNBA, 1984.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 709.81 A163ar v.1
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. R750.81 A973d 2.ed.
  • BERGER, Paulo (org.). Pinturas e pintores do Rio antigo. Apresentação de Sérgio Sahione Fadel. Textos de Paulo Berger, Herculano Gomes Mathias e Donato Mello Júnior. Rio de Janeiro: Kosmos, 1990. 759.98105 B496p
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994. 700 BI588sp Sec.XX
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. 759.981034 C198hi
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986.
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986. 709.81034 P645d
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929.
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929. LR 709.8104 D946c
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel (Coord.); SILVEIRA, Márcia Saad (Org.); PEIXOTO, Elizabete (Org.). Universo do carnaval: imagens e reflexões. Rio de Janeiro: Acervo Galeria de Arte, 1981.
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel (Coord.); SILVEIRA, Márcia Saad (Org.); PEIXOTO, Elizabete (Org.). Universo do carnaval: imagens e reflexões. Rio de Janeiro: Acervo Galeria de Arte, 1981. RJaga 1981/u
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições gerais de Belas Artes: catálogo de artistas e obras 1840-1933. s.l.: ArteData, 1990. 1 CD-ROM.
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições gerais de Belas Artes: catálogo de artistas e obras 1840-1933. s.l.: ArteData, 1990. 1 CD-ROM. CDR 700.981 L6682e
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral. Artes plásticas Brasil 1997: seu mercado, seus leilões. São Paulo: Júlio Louzada, 1997. v. 9. R702.9 L895a v.9
  • MARINHAS em grandes coleções paulistas. Curadoria John Lionel Toledano; apresentação Max Justo Guedes; texto Francisco de Paula Simões Vicente de Azevedo. São Paulo : Sociarte, 1998. 32p. il. color.
  • MARINHAS em grandes coleções paulistas. São Paulo: Sociarte, 1998. 32p. il. color. SPsociarte 1998/m
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Negro de corpo e alma. Curadoria Emanoel Araújo, Maria Lúcia Montes, Carlos Eugênio Marcondes de Moura; tradução Christopher Ainsbury, Denise Kato, Doris Hefti, Douglas V. Smith, Eduardo Hardman, Eugênia Deheinzelin, Grant Ellis, H. Sabrina Gledhill, John Norman, Katica Szabó, Lilian Escorel, Regina Alfarano, Ricardo Gomes Quintana, Robert Slenes, Carlos Galvão, Suzanne Oboler, Elitza Bachvarova, Thomas William Nerney. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Negro de corpo e alma. Curadoria Emanoel Araújo, Maria Lúcia Montes, Carlos Eugênio Marcondes de Moura; tradução Christopher Ainsbury, Denise Kato, Doris Hefti, Douglas V. Smith, Eduardo Hardman, Eugênia Deheinzelin, Grant Ellis, H. Sabrina Gledhill, John Norman, Katica Szabó, Lilian Escorel, Regina Alfarano, Ricardo Gomes Quintana, Robert Slenes, Carlos Galvão, Suzanne Oboler, Elitza Bachvarova, Thomas William Nerney. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000. 708.981 M9161n
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000: RIO DE JANEIRO, RJ. Brasil + 500 Rio. Curadoria geral Nelson Aguilar; curadoria Mari Marino, Lúcia Hussak Van Velthem, Frederico Pernambucano de Mello, Emanoel Araújo, Luiz Carlos Mello; versão em inglês Katica Szabó; apresentação Anthony Garotinho, Luiz Paulo Fernandez Conde, Edemar Cid Ferreira. São Paulo : Associação Brasil + 500, 2000.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000: RIO DE JANEIRO, RJ. Brasil + 500 Rio. Curadoria geral Nelson Aguilar; curadoria Mari Marino, Lúcia Hussak Van Velthem, Frederico Pernambucano de Mello, Emanoel Araújo, Luiz Carlos Mello; versão em inglês Katica Szabó; apresentação Anthony Garotinho, Luiz Paulo Fernandez Conde, Edemar Cid Ferreira. São Paulo : Associação Brasil + 500, 2000. 700.981 M9161b
  • O BRASIL pintado por mestres nacionais e estrangeiros: séculos XVII-XX. São Paulo: MASP, 1987. 63 p., il. color. 759.981 M986b
  • O Brasil pintado por mestres nacionais e estrangeiros: séculos XVII-XX. Apresentação de P. M. Bardi. Editado por MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO, SP. Texto de Luiz Marques. São Paulo: 1987.
  • O MUSEU Nacional de Belas Artes. São Paulo: Banco Safra, 1985.
  • O MUSEU Nacional de Belas Artes. São Paulo: Banco Safra, 1985. 708.98153 M986mnba BS
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo. A arte e seus processos: o papel como suporte. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1978.
  • PINTORES negros do século XIX. Sao Paulo: Pinacoteca do Estado, 1993. il. color. , fotos p.
  • PINTORES negros do século XIX. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1993. , il. p&b color. SPpe 1993/p
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198). 709.81 R895p Ed. ilust.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: