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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Marisa Flórido Cesar

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.04.2021
1962 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Marisa Flórido Cesar (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1962). Crítica de arte, curadora e professora. Atuando na academia e em instituições culturais, dedica-se à pesquisa da arte contemporânea brasileira, destacando projetos e práticas que extrapolam o espaço expositivo convencional. Suas criações e reflexões se fundamentam em historiografias e ...

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Marisa Flórido Cesar (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1962). Crítica de arte, curadora e professora. Atuando na academia e em instituições culturais, dedica-se à pesquisa da arte contemporânea brasileira, destacando projetos e práticas que extrapolam o espaço expositivo convencional. Suas criações e reflexões se fundamentam em historiografias e conceitos de arte que estão além dos cânones ocidentais.

Graduada em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conclui em 1993, na PUC-Rio, uma especialização em história da arte e arquitetura no Brasil, momento que marca o início de sua trajetória no campo da teoria e crítica em artes visuais. Entre 1997 e 2002, cursa o mestrado em história e crítica da arte na UFRJ, sob orientação de Glória Ferreira (1947), crítica de arte e curadora independente. Desenvolve a pesquisa O Ateliê do Artista: Tramas do Intervalo, na qual, com base na análise das funções e noções de ateliê na cultura ocidental contemporânea, investiga as transformações do sentido da arte, do espectador e do estatuto do artista. Marisa conclui em seu estudo que o ateliê perde o status de refúgio sagrado do artista, e este passa a atuar e intervir no mundo. Essa leitura se apresenta mais tarde em diversos de seus projetos curatoriais, em que artistas produzem trabalhos que levam em conta o seu entorno e a percepção do espectador.

Sua primeira experiência no campo da curadoria ocorre na segunda edição do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais (2001-2003), em que integra, ao lado de outros nove profissionais, uma equipe coordenada pelo curador e crítico de arte Fernando Cocchiarale (1951). Como curadora adjunta do programa, organiza a mostra Sobre(A)ssaltos, em 2002, e convida oito artistas a ultrapassar o espaço institucional e realizar ações e intervenções no espaço público da cidade de Belo Horizonte. 

Em 2008, com a curadora Luisa Duarte (1979), organiza a exposição Arte e Música, que itinera nas unidades de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro da Caixa Cultural. Ao exibir o trabalho de 15 artistas, a mostra explora a relação entre música e arte, com ênfase em projetos pouco convencionais para a época, como a instalação de uma rádio no espaço da galeria. Participa como curadora consultante da 10ª Bienal de Havana (2009). A edição intitulada Integração e Resistência na Era Global distribui-se por diversos espaços e ruas da capital cubana com a proposta de discutir questões políticas e sociais que atravessam a prática artística. 

É a curadora responsável pela exposição Sonia Andrade: retrospectiva 1974-1993, que acontece em 2011 no Centro de Artes Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro. Considerada uma das melhores exposições daquele ano pelo jornal O Globo, a mostra apresenta um amplo compilado da obra da artista Sonia Andrade (1935), como sua pioneira produção de videoarte e arte postal, além da instalação Hydragrammas (1978-1993)série que reúne centenas de objetos do cotidiano em uma espécie de sítio arqueológico do tempo presente1.

Em 2012, realiza a curadoria do Transperformance 2 – Inventário de gestos, no Oi Futuro (Rio de Janeiro). Com o intuito de refletir sobre os gestos, dos banais aos mais extremos, o evento ocupa não só as galerias do centro cultural, mas também leva performances para as ruas, praças e praias da cidade, atingindo assim um público que não costuma frequentar espaços de arte contemporânea. 

Entre 2010 e 2013, colabora como crítica de arte para o jornal O Globo. Com uma coluna quinzenal no Segundo Caderno, escreve mais de 70 textos em que analisa mostras e eventos de artes visuais. Para Marisa, enquanto a figura do grande crítico de arte que faz juízo negativo está em crise, a produção textual atual sobre arte é intensa e focada em colocar questões diante de uma polifonia de vozes. No artigo Curadoria: Deslocamentos, Impasses e Possibilidades (2015), Flórido afirma que as expansões na prática e na reflexão artísticas levam a um esgotamento das narrativas de legitimação da arte, deslocando o crítico para o papel de curador.

Flórido tem uma extensa produção acadêmica: é autora de artigos publicados em diversos periódicos e de livros, como Nós, o Outro, o Distante na Arte Contemporânea Brasileira (2014). Este é o resultado de sua tese de doutorado em artes visuais, completado em 2006 na UFRJ sob orientação de Glória Ferreira. A pesquisa analisa práticas artísticas no Brasil que fogem do formato tradicional expositivo e experimentam os mais diversos espaços, como as ruas de uma cidade, espaços geridos por artistas e ambientes virtuais. Flórido expõe projetos coletivos ou individuais em que se busca a descentralização do circuito das artes por meio de deslocamentos geográficos e de afetos.

Desde 2015, Marisa é professora adjunta do Departamento de História e Teoria de Arte do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde também compõe o corpo editorial da Revista Concinnitas, periódico vinculado ao departamento.

Com projetos que permeiam questões políticas, estéticas e territoriais, Marisa Flórido Cesar busca provocar reflexões sobre quais relações é possível tecer entre o nós e o outro.

 

Nota

1. NAME, Daniela. Sônia Andrade – último dia. "Daniela Name: algumas palavras sobre cultura". [S.l.], 27 nov. 2011. Disponível em: https://daniname.wordpress.com/2011/11/27/sonia-andrade-ultimo-dia/. Acesso em: 21 jul. 2020.

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