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Artes visuais

Cabral Teive

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.06.2020
08.02.1816 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
06.11.1863 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Passagem do Exército Brasileiro Pelo Rio Negro
Cabral Teive

Joaquim Lopes de Barros Cabral Teive (Rio de Janeiro RJ 1816 - idem 1863). Pintor, desenhista, cenógrafo e professor, caricaturista. Aluno da primeira turma da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), matricula-se nas aulas de pintura de Debret (1768-1848) e de arquitetura de Grandjean de Montigny (1776-1850), em 1826. Nas duas primeiras mostras...

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Biografia
Joaquim Lopes de Barros Cabral Teive (Rio de Janeiro RJ 1816 - idem 1863). Pintor, desenhista, cenógrafo e professor, caricaturista. Aluno da primeira turma da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), matricula-se nas aulas de pintura de Debret (1768-1848) e de arquitetura de Grandjean de Montigny (1776-1850), em 1826. Nas duas primeiras mostras de professores e alunos da Aiba, de 1829 e 1830, apresenta cópias de desenhos arquitetônicos de Grandjean de Montigny e duas pinturas, cópias de telas de Félix EmíleTaunay (1795-1881), professor de pintura de paisagem. Participa da Exposição Geral de Belas Artes de 1842 com a obra Naufrágio da "Medusa", que possivelmente se inspira na composição de Le Radeau de La "Méduse", do pintor francês Géricault (1791-1824). Expõe também nas edições de 1843 e 1850. Na primeira, mostra a tela Interior de um Cárcere, que hoje integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA). Torna-se professor substituto da cadeira de desenho da Aiba em 1850 e professor catedrático de pintura histórica em 1857, com o falecimento do pintor e professor Corrêa Lima (1878-1974). Sua nomeação é tida como causa do pedido de exoneração do diretor da instituição, Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), que não concorda com a escolha. Cabral Teive leciona na Aiba até 1860. Um ano depois, pinta o teto e painéis laterais para a capela-mor da Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, no Rio de Janeiro.

Comentário Crítico
Há apenas uma obra de Cabral Teive em coleção pública. Trata-se de Interior de um Cárcere, óleo que mostra uma arquitetura de calabouço, com colunas e arcos pobremente iluminados. Segundo o crítico Gonzaga Duque (1863-1911), "É uma obra fraca; esbatida e lisa como uma pintura em porcelana, feita por mão pouco amestrada."1 Segundo o crítico Walter Zanini, é uma boa tela que mostra a ligação do romantismo com a cenografia.2 De fato, o quadro lembra a base arquitetônica para uma imagem fantástica de prisão de Giovanni Battista Piranesi (1720-1778), como um cenário vazio para uma ação que ali se desenvolveria.

Existe menção a outras telas, como Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto-Seguro, Passagem do Exército Brasileiro no Rio Negro e A Deposição do Cristo,mas delas só temos os títulos. Cabral Teive executa pintura histórica, retrato, paisagens e temas religiosos, embora, julgando pelas referências disponíveis, seja menos marcante como pintor do que como cenógrafo. O arquiteto e historiador Adolfo Morales de los Rios Filho (1887-1973) o insere entre os cenógrafos brasileiros de vertente simbólica, como João Francisco Muzzi (17-- - 1802) e Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), que sucedem aos de vertente mitológica, como José Leandro de Carvalho (1770-1834). Identifica uma progressiva emancipação estilística na cenografia dos artistas brasileiros, indica o campo de maior atuação de Cabral Teive, fato reconhecido como um aspecto limitante de sua carreira por Porto-Alegre.

Segundo Porto-Alegre, Cabral Teive é autor de caricaturas contra ele que circulam na década de 1850. Não temos exemplares dessas sátiras, as quais o historiador Herman Lima distingue daquelas publicadas na revista Brasil Ilustrado, de 1856, e do Álbum do Pintamonos, sem data.4

Notas
1 DUQUE, Gonzaga. A Arte Brasileira. Campinas: Mercado de Letras, 1995, p. 121.
2 ZANINI, Walter (Coord.). História Geral da Arte no Brasil. V - II. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983, p. 408.
3 LIMA, Herman. História da Caricatura no Brasil. V - II. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963, p. 741-42.
4 Ibidem, V - I, p. 67, 86-87.

Obras 4

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Exposições 11

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Fontes de pesquisa 12

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  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 2v.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira: pintura e esculptura. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & C., 1888. 254 p.
  • DUQUE, Gonzaga. A arte brasileira: pintura e esculptura. Introdução Tadeu Chiarelli. Campinas: Mercado de Letras, 1995. (Arte: ensaios e documentos).
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LIMA, Herman. História da caricatura no Brasil I. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963.
  • LIMA, Herman. História da caricatura no Brasil II. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963.
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Grandjean de Montigny e a evolução da arte brasileira. Rio de Janeiro: Noite, 1941.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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