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Literatura

Sousa Caldas

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.08.2016
24.11.1762 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
02.03.1814 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Antonio Pereira Sousa Caldas (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1762 – idem, 1814). Sacerdote, orador sacro e poeta. Filho de portugueses radicados no Brasil, aos oito anos é enviado pela família para Portugal, onde vive sob a tutela de um abastado tio. Durante a adolescência estuda matemática na Universidade de Coimbra. Devido a sua afinidade com...

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Biografia
Antonio Pereira Sousa Caldas (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1762 – idem, 1814). Sacerdote, orador sacro e poeta. Filho de portugueses radicados no Brasil, aos oito anos é enviado pela família para Portugal, onde vive sob a tutela de um abastado tio. Durante a adolescência estuda matemática na Universidade de Coimbra. Devido a sua afinidade com as ideias do iluminismo francês é preso em 1781 pela Inquisição, sob acusação de ser herege e blasfemo. Como pena, é enviado para o convento de Rilhafoles, onde vive durante seis meses.

Apesar da condenação, Sousa Caldas não abandona as ideias francesas: em 1785 publica Ode ao Homem Selvagem, obra fortemente influenciada por Jean Jacques Rousseau (1712-1778).  A partir de 1789 viaja pela Europa e, em 1790, ingressa na carreira eclesiástica, recebendo ordenação sacerdotal em Roma. A partir de então passa a priorizar, em sua obra, a poesia de cunho religioso, tornando-se também orador sacro. Em 1808 retorna, juntamente com a Coroa Portuguesa, para o Brasil, onde vive até o fim da vida.

Comentário crítico
O crítico Antonio Candido (1918) considera os versos e a prosa de Sousa Caldas um dos momentos mais importantes de nosso liberalismo ilustrado, uma vez que o sacerdote busca harmonizar, por meio de textos de acentuado cunho filosófico, suas convicções religiosas e as ideias políticas modernas, sobretudo aquelas concernentes ao iluminismo francês. Em obras como Cartas de Abdir a Irzerumo e Carta Dirigida ao Meu Amigo João de Deus Pires Ferreira torna-se bastante evidente a afinidade intelectual de Sousa Caldas com as ideias francesas: nesses textos, o escritor defende a liberdade de imprensa e manifesta sua simpatia pela Revolução Francesa.

A obra de Sousa Caldas exerce notável influência sobre os primeiros românticos brasileiros, que o consideram um mestre. Autores como Gonçalves de Magalhães (1811-1882) inspiram-se nos versos e nas cartas de Sousa Caldas não apenas devido a sua dimensão filosófica e espiritual, mas admiram sobretudo as ideias – políticas e estéticas – avançadas do sacerdote, que não raramente satiriza os modelos clássicos de composição poética, rejeitando o uso da mitologia.

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