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Artes visuais

Alberto Delpino

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.09.2019
10.08.1864 Brasil / Minas Gerais / Juiz de Fora
15.03.1942 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Em 1911, participa da exposição Internacional de Turim com a pintura Perfil de Tiradentes, (1911). Desenvolve grande parte de sua produção em Minas Gerais, transferindo-se para Belo Horizonte em 1929.

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Alberto André Feijó Delpino (Juiz de Fora, Minas Gerais, 18641 - Belo Horizonte, Minas Gerais, 1942). Pintor, desenhista, caricaturista, arquiteto, professor. Forma-se no curso de humanidades do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Em 1884, estuda desenho, pintura, escultura e arquitetura na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), com os professores Victor Meirelles (1832-1903), Pedro Américo (1843-1905), João Batista Pagani (1856-1891) e Georg Grimm (1846-1887). Em 1887, estreia na imprensa carioca publicando o retrato do pintor Antonio Parreiras (1860-1937) na revista A Semana. Viaja a estudos para a Europa e expõe no Salon de Paris em 1888. No mesmo ano, é indicado por Batista Pagani para substituí-lo na cadeira de desenho do Colégio Abílio, Barbacena, Minas Gerais. Também leciona em outros colégios mineiros por cerca de trinta anos. Filia-se ao Grupo Vermelho, de posicionamento republicano2, do qual fazem parte os artistas Artur Lucas (s.d.-1929), Bento  Barbosa (1866-?) e Isaltino Barbosa (1867-1935). Em 1900, estuda em Paris. Colabora como caricaturista em periódicos como O Diabo, O Mequetrefe, O Tagarela, O Espelho, entre outros, utilizando os pseudônimos Onipled, H. Silva, J. Faria, e Alpino Del Brito. Funda, em Barbacena, juntamente com Leon Renault, a revista literária O Mensal (1897).

Em 1911, participa da exposição Internacional de Turim com a pintura Perfil de Tiradentes, (1911). Desenvolve grande parte de sua produção em Minas Gerais, transferindo-se para Belo Horizonte em 1929.

Análise

A paisagem mineira é marcante na produção de Alberto Delpino que, para melhor apreendê-la, realiza uma excursão pelo Estado em 1890. Neste gênero, suas principais influências são as obras de Caron (1862-1892) e George Grimm, que incentiva seus alunos a observarem a natureza. Em Panorama de Mariana (1895), as gradações suaves de tons terrosos demonstram uma característica geral de suas paisagens: o registro de uma atmosfera.

As obras que o distinguem no cenário artístico são aquelas em que representa personagens regionais. O Tropeiro (1897), é recebido pela crítica como “um bom quadro de costumes nacionais”3 e conquista a medalha de ouro na Exposição Geral de 1897. Saudosa Marília(1907),  alusão ao poema Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga (1744-1819), recebe a menção honrosa do 1º grau na Exposição Geral de 1907. O quadro traz a figura de uma mulher em luto, contrastando com um fundo de montanhas ensolaradas, tratadas com maior liberdade cromática.


O Perfil de Tiradentes (1911), torna-se um ícone do mártir da Inconfidência Mineira. Os limites do quadro circunscrevem a cabeça da figura, que tem o olhar fixo na paisagem. A corda ao pescoço é o atributo que permite a imediata identificação do personagem. Para o crítico Ruben Gill, com a pintura de Delpino, a figura de Tiradentes “readquiriu as suas características raciais, foi reconduzido à sua condição de natural da província estoica que se rebelou contra a Metrópole”. Por temas como estes, é chamado pelo mesmo crítico de o “pintor dos inconfidentes”4.

Notas

1. O crítico Martins de Andrade afirma que Delpino se declarava mineiro de Porto das Flores (Juiz de Fora). No entanto, levanta a hipótese de que o artista tenha nascido em Niterói, a 10 de agosto de 1868, baseando-se em artigos de jornal (O Correio de Minas, Juiz de Fora, 9 maio 1896) e em alguns catálogos de exposições da Escola Nacional de Belas Artes (1896, p. 9; e 1900). Cf. ANDRADE, Martins de. Vida e Obra de um Pintor (A. A. Delpino). Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte, v. 3, p. 202, 1948.

2. Defensor das ideias republicanas, Delpino recusa-se a receber das mãos do Imperador D. Pedro II a medalha de ouro concedida pelo júri da Exposição Geral de Belas Artes (Egba) pela pintura O Tropeiro, em 1897. O Imperador, no entanto, faz questão de entregá-la pessoalmente a Delpino durante uma aula no conservatório de Música. Na ocasião, Delpino teria saudado D. Pedro II como “grande imperador”. Cf. ANDRADE, Martins de. op.cit., p. 201-207.

3. DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e escultores. Rio de Janeiro: Benedicto de Souza, 1929. p. 161.

4. GILL, Ruben. O século boêmio. In: D. Casmurro, Rio de Janeiro, ano VII, n. 313,  p. 87. ago, 1943.

 

Exposições 41

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Fontes de pesquisa 22

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  • ANDRADE, Martins de. Vida e Obra de um Pintor (A. A. Delpino). Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte, v. 3, 1948. p. 201-207
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 2v. R759.981 A973d v.1
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942. R703.0981 B813a
  • DELPINO. Semana Illustrada. Belo Horizonte, setembro, 1928.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). R703.0981 C376d v.2
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929. 709.8104 D946c
  • EXPOSIÇÃO de S. Luiz. O paiz. Rio de Janeiro, ano XX, nº 7069, 15 fev. 1904. p. 2
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983. 759.981034 F866u
  • GUIMARÃES, Argeu. História das artes plásticas no Brasil. Revista do Instituto Histórico e Geográphico Brasileiro, Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, volume IX, p. 401-497, 1930. Número especial. p. 495
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • LIMA, Herman. História da caricatura no Brasil. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963. 4v. 741.5981 Lh732h
  • O PAIZ. Rio de Janeiro, 14, mai 1927, p. 6. ano XLIII, N. 15.546.
  • O PAIZ. Rio de Janeiro, 26 nov 1929, p. 5, ano XLVI, n. 16.472 e 16.473.
  • RAFAEL, Gina Guedes ; SANTOS, Manuela (Orgs.). Jornais e revistas portuguesas do século XIX. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1988-2002, v. 2. p. 93
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944. 759.981 R375h
  • RIBEIRO, Marília Andrés (org.); SILVA, Fernando Pedro da (org.). Um século de história das artes plásticas em Belo Horizonte. Belo Horizonte: C/Arte, 1997. (Centenário).
  • RIBEIRO, Marília Andrés (org.); SILVA, Fernando Pedro da (org.). Um século de história das artes plásticas em Belo Horizonte. Belo Horizonte: C/Arte, 1997. (Centenário). 709.8151 S446
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198). 709.81 R895p
  • SALÃO GLOBAL DE INVERNO, 6., 1979, Belo Horizonte. 6º Salão Global de Inverno. Belo Horizonte: Fundação Clóvis Salgado, 1979. MGsgi 6/1979

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