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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Agostinho da Motta

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
18.06.1824 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
21.08.1878 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Natureza-Morta, 1868
Agostinho da Motta
Óleo sobre tela
64,00 cm x 50,00 cm
Acervo do Museu Imperial/IPHAN/MinC (Petrópolis, RJ)

Agostinho José da Motta (Rio de Janeiro RJ 1824 - idem 1878). Pintor, litógrafo e professor. Matricula-se na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, em 1837. Em 1850, recebe o prêmio de viagem ao exterior, concedido pelas Exposições Gerais de Belas Artes, e viaja para a Europa no ano seguinte. Reside em Roma de 1851 a 1855, onde estuda com o pi...

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Biografia
Agostinho José da Motta (Rio de Janeiro RJ 1824 - idem 1878). Pintor, litógrafo e professor. Matricula-se na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, em 1837. Em 1850, recebe o prêmio de viagem ao exterior, concedido pelas Exposições Gerais de Belas Artes, e viaja para a Europa no ano seguinte. Reside em Roma de 1851 a 1855, onde estuda com o pintor francês Jean-Achille Benouville (1815 - 1891) e realiza algumas paisagens, como Vista de Roma. De volta ao Brasil, em 1856, é um dos fundadores da Sociedade Propagadora das Belas Artes do Rio de Janeiro. Dois anos mais tarde, pinta os retratos de corpo inteiro do casal imperial, dom Pedro II (1825 - 1891) e dona Teresa Cristina (1822 - 1889). Ensina no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, em 1857, e na Aiba, entre 1859 e 1878, onde incialmente dá aulas de desenho e depois, de paisagem. Em 1872, é condecorado pelo imperador dom Pedro II com o título de Oficial da Ordem da Rosa.

Comentário Crítico
A maior parte da produção artística de Agostinho da Motta é composta de paisagens e naturezas-mortas. Sua interpretação da paisagem brasileira está entre as que melhor representam os ideais da Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, na qual é aluno e, depois de estudar em Roma com Jean-Achille Benouville (1815 - 1891) e de lecionar no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, torna-se professor. Representa os ideais da Aiba tanto no que diz respeito à formação de uma imagem nacional como na formação da imagem do império, por meio de retratos, como os do casal imperial dom Pedro II (1825 - 1891) e dona Teresa Cristina (1822 - 1889), e de registros do cenário da época.  É relevante o fato que a paisagem não seja tomada pelos acadêmicos brasileiros como um gênero secundário, embora fosse hierarquicamente inferior no modelo da academia francesa, na qual a Aiba se inspira. E a chamada pintura histórica sirva para criar uma imagem edificante do império e reafirmar a monarquia em território nacional, enquanto as paisagens e as naturezas-mortas produzidas na Aiba reafirmam a idéia de um país exótico e de diversidade natural.

Motta é um dos pintores que mais buscam retratar o caráter exótico da fauna e da flora brasileiras. Sua pintura de flores - ele foi um dos pioneiros do gênero no país - é calcada nessa idéia de diversidade. Há em cada tela uma grande variedade de espécies, dispostas de maneira a ressaltar as formas, as cores e a exuberância dessa flora. O mesmo acontece, de modo ainda mais acentuado, em suas pinturas de frutas, tema mais utilizado em sua produção de naturezas-mortas. Nelas vê-se como, embora certos artistas da Aiba, em especial Debret (1768 - 1848), tenham aclimatado para o Brasil ditames da academia francesa, o rigor formal importado da Europa predomina em quase toda a produção acadêmica da época. As frutas de Motta gozam de popularidade na corte, o que lhe comissiona muitos trabalhos. Predomina nelas mais uma vez a variedade de espécies: mangas, jacas, frutas-do-conde, pêssegos, carambolas, abacates, quase sempre recortadas de modo a exibir camadas e cores, em transições tonais que Motta aproveita para exibir seu domínio técnico de perspectiva e o uso competente das sombras para realçar o volume dos objetos.

São as paisagens, no entanto, a face mais conhecida da obra do artista. O gênero tem início no Brasil com os pintores que chegam com Maurício de Nassau no século XVII, mas sua popularização está diretamente relacionada com a fundação da Aiba, em 1826. A paisagem é um gênero hierarquicamente inferior, segundo as diretrizes da academia francesa. Os pintores estrangeiros, no entanto, adaptam algumas dessas regras à realidade brasileira. As paisagens de Motta são marcadas pela precisão topográfica, pelo registro exato das dimensões dos cenários - que o formalismo do artista, no que diz respeito à perspectiva, só faz por ressaltar - e pela competência com que capta as transposições entre as muitas cores que compõem os exteriores trabalhados. Paisagem do Rio de Janeiro, 1857, é um exemplo claro de como os cenários escolhidos pelo pintor, embora representados dentro de todas as regras que dita o academicismo francês, conferem a seus quadros a dimensão de identidade nacional, que a Aiba reforça em seus alunos, e o público aceita sem restrições.

Obras 6

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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Natureza-Morta

Óleo sobre tela

Exposições 30

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 13

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • BERGER, Paulo (org.). Pinturas e pintores do Rio antigo. Apresentação de Sérgio Sahione Fadel. Textos de Paulo Berger, Herculano Gomes Mathias e Donato Mello Júnior. Rio de Janeiro: Kosmos, 1990.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MARTINS, Carlos (org.). Revelando um acervo: coleção brasiliana. São Paulo: BEI Comunicação, 2000. (Brasiliana).
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Grandjean de Montigny e a evolução da arte brasileira. Rio de Janeiro: Noite, 1941.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte do século XIX. Curadoria Luciano Migliaccio, Pedro Martins Caldas Xexéo; tradução Roberta Barni, Christopher Ainsbury, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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