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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Abigail de Andrade

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.07.2017
1864 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1890 França / Ile de France / Paris
Reprodução fotográfica Autoria desconhecida

A Hora do Pão, 1889
Abigail de Andrade
Óleo sobre tela, c.i.d.
50,00 cm x 70,00 cm

Abigail de Andrade (Vassouras, Rio de Janeiro, 1864 - Paris, França ca.1890). Pintora e desenhista. Inicia os estudos de desenho no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, em 1882, um ano após o decreto que permite a frequência feminina na escola. Aluna do cartunista Angelo Agostini (1843-1910) e do fotógrafo e pintor Insley Pacheco (1830-19...

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Biografia

Abigail de Andrade (Vassouras, Rio de Janeiro, 1864 - Paris, França ca.1890). Pintora e desenhista. Inicia os estudos de desenho no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, em 1882, um ano após o decreto que permite a frequência feminina na escola. Aluna do cartunista Angelo Agostini (1843-1910) e do fotógrafo e pintor Insley Pacheco (1830-1912), Abigail de Andrade pinta cenas do cotidiano carioca, paisagens, retratos, autorretratos e naturezas-mortas, além de realizar desenhos. Participa da mostra do Liceu de Artes e Ofícios em 1882, e recebe elogios de Agostini nas páginas da Revista Ilustrada. É a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro de 1º grau na 26ª Exposição Geral de Belas Artes, da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), em 1884, a mesma que revela os artistas Almeida Júnior (1850-1899), Rodolfo Amoedo (1857-1941) e Belmiro de Almeida (1858-1935). Expõe na Casa Vicitas e na Casa Costrejean, no Rio de Janeiro, em 1886. O crítico Gonzaga Duque (1863-1911) faz-lhe um comentário elogioso no livro A Arte Brasileira, publicado em 1888, em que defende que ela seja enviada para o exterior para aperfeiçoar seus estudos. Após seu envolvimento com Angelo Agostini, acompanha-o a Paris para fugir do escândalo causado pelo relacionamento. Tem com ele uma filha, a também pintora Angelina Agostini (1888-1973). Seu nome, praticamente ausente dos livros de história da arte e dicionários de artes plásticas no Brasil, é mencionado pelo pintor e historiador da arte Theodoro Braga (1872-1953), que lista os poucos estudos publicados a respeito de Abigail de Andrade no livro Artistas Pintores do Brasil, de 1942.

Análise

Segundo a análise da pesquisadora Ana Paula Simioni, o reconhecimento de Abigail de Andrade como a primeira mulher a receber uma premiação na 26ª Exposição Geral de Belas Artes, em 1884, representa o início de uma visibilidade institucional para as mulheres artistas no Brasil do fim do século XIX. Impedidas de frequentar oficialmente a Aiba, fato que só se torna possível em 1892, as mulheres têm pouco espaço de aprendizagem artística nesse período. Suas opções são restritas a aulas particulares ou aos cursos livres na Aiba, com exceção das aulas de modelo vivo, julgadas impróprias para o pudor feminino. Celebrada pelo crítico Gonzaga Duque como uma verdadeira profissional entre os artistas amadores, Abigail de Andrade faz no fim do século XIX uma pintura considerada "moderna", que valoriza as temáticas então tidas como inovadoras, cenas de gênero que envolvem o cotidiano popular. Suas obras revelam uma atenção à impressão do instante, como a tela Cesto de Compras, s.d., premiada na Exposição Geral. Nessa composição, à primeira vista, uma natureza-morta tradicional, Ana Paula Simioni observa o interesse em retratar um instantâneo do cotidiano doméstico, realçado pelo detalhe da gaveta entreaberta, pelos objetos dispostos desordenadamente e pelo dinheiro espalhado sobre a mesa. Apesar da composição minuciosa, na qual os objetos são pintados com as técnicas tradicionais do modelado em claro-escuro e em sua cor local, a busca pela captação do instante, que se reflete mais na escolha da disposição dos elementos do que em sua fatura, pode-se relacionar ao fato de a artista frequentemente utilizar-se de fotografias - muitas delas tiradas por Insley Pacheco, seu professor - como ponto de partida para suas telas.

Obras 1

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Reprodução fotográfica Autoria desconhecida

A Hora do Pão

Óleo sobre tela

Exposições 6

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Fontes de pesquisa 12

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  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • BUNHEIRÃO, Tay (coord.). O Rio de Janeiro de Machado de Assis. Curadoria Geraldo Edson de Andrade; apresentação Geraldo Edson de Andrade. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1989. [40] p., il. color.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira: pintura e esculptura. Rio de Janeiro: H. Lombaerts & C., 1888. 254 p.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. O ensino artístico: subsídio para a sua história. Rio de Janeiro: [s.n.], [1938?]. 492 p.
  • MULHERES pintoras: a casa e o mundo. Apresentação Marcelo Mattos Araújo, Elio Sacco; texto Ruth Sprung Tarasantchi, Maria Lúcia Montes; curadoria Ruth Sprung Tarasantchi. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2004. 100 p., il. p&b color.
  • MULHERES pintoras: a casa e o mundo. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2004. 100 p., il. p&b color. CAT-G SPpe 2004/mp
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • SIMIONI, Ana Paula Cavalcanti. Profissão Artista: pintoras e escultoras brasileiras entre 1884 e 1922. 2004. Tese (Doutorado em Sociologia) - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP, São Paulo, 2004.

Como citar

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