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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Luiz Terragno

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.07.2018
1831 Itália / Ligúria / Gênova
16.09.1891 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre

Caminho Novo, Porto Alegre RS, 1865
Luiz Terragno
Albúmen

Luiz Terragno (Gênova, Itália, ca.1831 – Porto Alegre, RS, 1891). Fotógrafo. Antes de chegar ao Brasil, faz uma passagem prévia por Paris, onde existem registros de suas fotografias. Já no país, passa por Pelotas e chega a Porto Alegre em 1853. Associa-se ao pintor Bernardo Grasselli (s.d. - 1883) em um estúdio artístico e fotográfico. Trabalha ...

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Biografia

Luiz Terragno (Gênova, Itália, ca.1831 – Porto Alegre, RS, 1891). Fotógrafo. Antes de chegar ao Brasil, faz uma passagem prévia por Paris, onde existem registros de suas fotografias. Já no país, passa por Pelotas e chega a Porto Alegre em 1853. Associa-se ao pintor Bernardo Grasselli (s.d. - 1883) em um estúdio artístico e fotográfico. Trabalha então com daguerreotipia, logo investindo em outras técnicas de reprodução de imagens a partir do negativo. Termina a sociedade em 1854 e abre estúdio próprio, tornando-se o principal fotógrafo retratista da capital gaúcha. Em 1861, divulga um processo de sensibilização de chapas fotográficas chamado sulfo-mandiocato de ferro. Apresenta esse método na Exposição Nacional de 1866 e recebe menção honrosa.

Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, registra a visita a Porto Alegre do imperador d. Pedro II e sua família, além de fotografá-los em trajes típicos da região. Também faz imagens de soldados brasileiros e paraguaios envolvidos no conflito. Recebe a condecoração de fotógrafo imperial. Em 1867, vende todo seu acervo e material, anunciando sua partida ao exterior mas, em 1868, volta à capital e abre novo estúdio. Em 1869, funda a loja maçônica Luz e Ordem, tornando-se seu diretor. Nessa década, introduz em Porto Alegre a fotografia estereoscópica. Participa da Exposição Nacional de 1875, e da Exposição Universal da Filadélfia, em 1876. Em 1888, passa a ter um de seus filhos como sócio no estúdio fotográfico. Após sua morte o estúdio segue administrado pelo filho.

 

Comentário crítico

Luiz Terragno inclui-se em uma seleta lista de profissionais atuantes no Brasil durante o século XIX que recebem o título de fotógrafo da casa imperial, concedido por d. Pedro II. Para além do evidente interesse que o imperador sempre demonstrou pela fotografia, a insígnia representa o reconhecimento dado a indivíduos engajados em inúmeras práticas (artísticas, culturais ou científicas).  

Como Marc Ferrez, no Rio de Janeiro, Terragno elabora vários métodos e técnicas fotográficas para a expansão dessa prática, além de criar invenções não ligadas diretamente à fotografia, como uma máquina para conservar carnes. Ao lado da oferta de uma série de serviços e produtos, como cursos e câmeras para amadores, investe ao longo dos anos em técnicas como a estereoscopia e, depois, a impressão fotográfica sobre superfícies diversas (borracha, mármore, porcelana, tecido etc.).

Sua contribuição mais conhecida para a história da fotografia brasileira é um pequeno conjunto de fotografias que faz da família imperial em sua chegada a Porto Alegre, durante a Guerra do Paraguai. Nesse conjunto, Terragno produz as imagens mais inusuais que se conhece da vasta iconografia de d. Pedro II. Entre elas está a que apresenta o soberano trajado como um gaúcho, em vestimenta completa. Destituído de toda indumentária real, a novidade da foto não é a apresentação de d. Pedro como um civil, mas como um cidadão localizado geográfica e culturalmente no país.

Obras 7

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Exposições 5

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Fontes de pesquisa 14

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  • A FEDERAÇÃO. Porto Alegre, 23 set. 1884, p. 3.
  • ALVES, Hélio Ricardo. A fotografia em Porto Alegre: o século XIX. In: ACHUTTI, Luiz Eduardo Robinson (org.). Ensaios (sobre) o fotográfico. Porto Alegre: Unidade Editorial, 1998. 126 p., il. p&b.
  • DAMASCENO, Athos. Artes plásticas no Rio Grande do Sul: 1755-1900: contribuição para o estudo do processo cultural sul-rio-grandense. Porto Alegre: Globo, 1971.
  • FERREZ, Gilberto. A fotografia no Brasil: 1840-1900. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte: Fundação Nacional Pró-Memória, 1985. (História da fotografia no Brasil, 1).
  • FREYRE, Gilberto; PONCE DE LEON, Fernando; VASQUEZ, Pedro Karp. O retrato brasileiro: fotografias da Coleção Francisco Rodrigues, 1840-1920. Rio de Janeiro: Funarte. Fundação Joaquim Nabuco, 1983.
  • KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.
  • LAGO, Bia Corrêa do; LAGO, Pedro Corrêa do. Os fotógrafos do Império: a fotografia brasileira no século XIX. Tradução Lúcia Jahn. Rio de Janeiro: Capivara, 2005.
  • LEILÃO. A Federação. Porto Alegre, 24 fev.1850, p. 2.
  • LENZI, Teresa; MENESTRINO, Flávia. Pioneiros da fotografia em Rio Grande. Indícios de passagens e permanências. Relato de uma pesquisa histórica. Revista Memória em Rede, Pelotas, v. 2, n. 5, abr.- jul. 2011.
  • MARÇAL, Joaquim (org.). A coleção do imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1997. 71 p.
  • MEIRELLES, Victor. Relatório da II Exposição Nacional de 1866. Boletim n. 01, ano 2. São Paulo: Grupo de Estudos do Centro de Pesquisa em Arte e Fotografia da ECA/USP, 2006.
  • MELLO, Homem de. Relatório do presidente da província do Rio Grande do Sul para o ano de 1867. Porto Alegre: Typ. do Rio-Grandense, 1867.
  • TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p. (Coleção Luz & Reflexão, 4).
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.

Como citar

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