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Cinema

Jean Garrett

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.11.2020
1947
1996
José Antônio Nunes Gomes e Silva (Açores, Portugal, 1946 – São Paulo, Brasil, 1996). Diretor, fotógrafo, roteirista, produtor e ator. Na adolescência, em Portugal, estuda fotografia. Em 1965, viaja para o Brasil a passeio e decide morar no país. Em São Paulo, abre seu estúdio de fotografia e inicia carreira como fotógrafo de moda e de fotonovela...

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José Antônio Nunes Gomes e Silva (Açores, Portugal, 1946 – São Paulo, Brasil, 1996). Diretor, fotógrafo, roteirista, produtor e ator. Na adolescência, em Portugal, estuda fotografia. Em 1965, viaja para o Brasil a passeio e decide morar no país. Em São Paulo, abre seu estúdio de fotografia e inicia carreira como fotógrafo de moda e de fotonovela. Três anos depois, vive as primeiras experiências no cinema, como ator e contrarregra dos filmes O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968) e Trilogia de Terror (1968), de José Mojica Marins (1936-2020). Trabalha como fotógrafo de cena e assistente de direção para Ody Fraga (1927-1987), Ozualdo Candeias (1918-2007) e Fauzi Mansur (1941), cineastas da Boca do Lixo. 

Em 1974, dirige seu primeiro filme, A Ilha do Desejo, uma ficção erótico-policial, com produção e atuação de David Cardoso (1943). Com o mesmo ator, realiza o suspense Amadas e Violentadas (1976) e o drama Possuídas pelo Pecado (1976). Experimenta diferentes gêneros cinematográficos: o suspense em Excitação (1977) e A Força dos Sentidos (1979); o cinema-catástrofe em Noite em Chamas (1978) e o erótico em Mulher, Mulher (1979) e A Mulher que Inventou o Amor (1980). 

No início da década de 1980, inaugura sua produtora Íris Produções Cinematográficas e realiza O Fotógrafo (1981), filme mais intimista. Lança Karina, Objeto de Prazer (1982), seguido dos dramas A Noite de Amor Eterno (1982) e Tchau, Amor (1983). A influência da Boca do Lixo reflete-se na produção de filmes erótico-pornográficos, como Estranho Desejo (1983) e Meu Homem, Meu Amante (1984). Em 1986, inclui sexo explícito em quatro trabalhos: Fuk Fuk à Brasileira, Entra e Sai, Laser – Excitação de Mulher e na sátira O Beijo da Mulher Piranha

Com o fim do cinema produzido na Boca do Lixo, interrompe a carreira de cineasta e dedica-se à administração do Teatro Bibi Ferreira, até 1996.

Jean Garrett é considerado o intelectual da Boca do Lixo e um dos profissionais mais requisitados e atuantes no cinema paulista da época. Embora recorra às cenas eróticas e de exploração da sensualidade feminina do cinema comercial, seus filmes revelam um diretor afinado com o cinema de gênero, passeando pelo suspense, policial, drama e terror.

A influência da formação em fotografia evidencia-se no primeiro filme de Garrett, o policial erótico A Ilha do Desejo. O cuidado com o acabamento estético das cenas (enquadramento, cenografia e figurino) torna-se marca diferencial do cineasta em relação a outros companheiros da Boca do Lixo, cujos filmes são produzidos rapidamente, com poucos recursos e sem preocupação formal.

Com apropriação da linguagem cinematográfica clássica, o filme conquista grande bilheteria, sucesso que se repete com Amadas e Violentadas, seu filme seguinte. Policial com ingredientes freudianos, esse longa conta a história de um famoso escritor de contos e novelas que comete uma série de crimes, cujas vítimas são mulheres. Com roteiro simples, Garrett permite que o espectador comum compreenda o comportamento dos personagens. O cineasta recorre à nudez feminina em cenas de assassinatos, muitas vezes inverossímeis – como no caso da testemunha que desce pelo elevador com cadáver nos braços, sem procurar qualquer disfarce ou simulação.

Em Mulher, Mulher, o diretor dedica-se à temática da sexualidade feminina. O filme discute os desejos e fetiches sexuais da mulher contemporânea. O longa causa grande polêmica com a cena em que a personagem principal, intepretada por Helena Ramos (1953), interage sexualmente – ainda que de forma singela – com um cavalo. 

Em O Fotógrafo, o apreço pelo corpo feminino e o apelo ao sexo são mais evidentes. Entre closes de nudez explícita e situações ousadas –  como as de Meiry Vieira (1939), que fantasia ser prostituta em bordel –, Garrett conta a história de um jovem fotógrafo que se apaixona por uma estudante de sociologia. Centrado na intimidade do personagem, O Fotógrafo segue a evolução da própria Boca do Lixo e é considerado o filme mais intimista e psicológico na trajetória do cineasta.

Com o declínio da pornochanchada, o diretor encerra a carreira com filmes de sexo explícito, alguns com nomes irônicos, como Fuk Fuk à Brasileira ou O Beijo da Mulher Piranha. A filmografia de Jean Garrett está pautada pelo cinema produzido pela Boca do Lixo, mas sem adesão imediata a seu modelo. Com rigor estético, o cineasta imprime sua marca dentro do movimento e ganha reconhecimento como diretor cuidadoso e diversificado.

Obras 2

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Fontes de pesquisa 6

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  • AZEREDO, Ely. “Violentação Puritana”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 jul. 1976, Caderno B.
  • EDWALD, Rubens Filho. “Um ‘pornodrama’ mais nocivo que a chanchada”. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 9 set. 1979.
  • GARDNIER, Ruy. “Jean Garrett, artesão da Boca do Lixo”. Contracampo – Revista de Cinema. Disponível em: < http://www.contracampo.com.br/36/jeangarrett.htm >. Acesso em: 24 nov. 2011.
  • KEHL, Maria Rita. “A moral da pornochanchada”. Jornal Movimento, 11 ago. 1975.
  • LUCCHETTI, R. F. “Profile of Jean Garrett”. Cinema TV Digest, v. 10, n. 39, p. 3-5, 1978.
  • RAMOS, Fernão; MIRANDA, Luis Felipe. Enciclopédia de cinema brasileiro. São Paulo: Editora SENAC, 2ª Edição, 2004.

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