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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Nicolina Vaz de Assis

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.03.2017
1874 Brasil / São Paulo / Campinas
19.10.1941 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro

Batiana
Nicolina Vaz de Assis
Bronze

Nicolina Vaz de Assis Pinto do Couto (Campinas SP 1874 - Rio de Janeiro RJ 1941). Escultora. Inicia-se na escultura em sua cidade natal, sendo conhecida por ter realizado o busto de Campos Salles. Recebe bolsa do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo , em 1897, para custear seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de J...

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Biografia

Nicolina Vaz de Assis Pinto do Couto (Campinas SP 1874 - Rio de Janeiro RJ 1941). Escultora. Inicia-se na escultura em sua cidade natal, sendo conhecida por ter realizado o busto de Campos Salles. Recebe bolsa do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo , em 1897, para custear seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro, onde é aluna de Rodolfo Bernardelli. Executa bustos de presidentes de estados, de políticos e personagens ilustres para o Museu da República. Além disso, também constrói esculturas funerárias, como, por exemplo, O Selvagem, de 1898, para o túmulo de José Vieira Couto de Magalhães (1837 - 1898), último presidente da província de São Paulo localizada no Cemitério da Consolação, considerada o primeiro exemplar de escultura art nouveau da cidade. Em 1904, novamente com bolsa do Pensionato, Nicolina vai para Paris, estuda na Académie Julian com os escultores Jean Alexandre Joseph Falguière (1831 - 1900) e Denys Puech (1854 - 1942), ganhadores do Prix de Rome, do Institut de France, e lá permanece até 1907. Casa-se, em 1911, com o escultor português Rodolfo Pinto do Couto (1888 - 1945). Realiza obras públicas em jardins, parques e praças, como O Canto das Sereias, s.d., na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, e Fonte Monumental, 1913 a 1923, em São Paulo, encomendada pela prefeitura. Postumamente, suas obras são expostas no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro, em 1950.

Análise

O universo artístico do início do século XX no Brasil, no qual existem poucas chances de inserção da mulher, Nicolina Vaz de Assis está entre as poucas que obtêm reconhecimento profissional e não simplesmente como amadora das artes. Desconhece-se seu percurso de formação anterior ao recebimento das duas pensões concedidas pelo Estado de São Paulo, em 1897 e 1904, porém, consolida sua reputação no período em que estuda no Rio de Janeiro. Seu retrato feito por Eliseu Visconti (1866 - 1944), em 1905, e a recepção da tela, elogiada pelo crítico Gonzaga Duque (1863 - 1911), demonstram o reconhecimento atingido, bem como a menção de seus diversos trabalhos em revistas como Fon-Fon! e Kosmos.

Seguindo os passos de seus professores, Nicolina é capaz de articular importantes encomendas de obras públicas e privadas, executadas nos programas escultóricos assimilados da tradição europeia, mas também reveladores das demandas exigidas da arte na virada do século XIX. Prova dessa capacidade é a Fonte Monumental, encomendada em 1913, dentro do projeto de urbanização da cidade de São Paulo, o chamado "Centro Cívico", iniciado por Antônio Prado, prefeito entre 1899 e 1911. A fonte, implantada em 1923 na praça Vitória, hoje praça Júlio de Mesquita, conjunção da avenida São João, rua Barão de Limeira e rua Vitória, marca a ligação entre o centro e o bairro dos Campos Elíseos, residência da elite paulistana. A obra consiste de duas bacias circulares sobrepostas, coroadas por um conjunto escultórico representando um jovem pescador que lança sua rede em meio à sedução das sereias, que tentam desviá-lo de sua tarefa. A composição de formas espiraladas define a hierarquia do conjunto, chamando a atenção para a cena principal. Buscando a difícil integração da função de receptáculo da água e sustentáculo do conjunto de esculturas, as bacias são adornadas por relevos de flores e conchas de mármore, além de máscaras de figuras clássicas e lagostas de bronze. A temática é a tentadora simbiose entre cultura e natureza, cara ao art nouveau, estilo preferido pelas elites locais para demonstrar seu compasso com as novidades europeias e a vontade de modernização.

Obras 3

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Exposições 30

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Fontes de pesquisa 18

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  • ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
  • ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. 709.04 A686a
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986.
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986. 709.81034 P645d
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). R703.0981 C376d v.1 pt. 1
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929.
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929. LR 709.8104 D946c
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Subsídios para a história da escultura, gravura e desenho do Rio de Janeiro : 1889-1930. , il. p.b. 709.81 M828s
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Subsídios para a história da escultura, gravura e desenho do Rio de Janeiro: 1889-1930. Rio de Janeiro: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, s.d.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198). 709.81 R895p Ed. ilust.
  • SIMIONI, Ana Paula Cavalcanti. Profissão Artista: pintoras e escultoras acadêmicas brasileiras. São Paulo: Edusp : Fapesp, 2008. 709.2 S589p
  • SIMIONI, Ana Paula Cavalcanti. Profissão Artista: pintoras e escultoras brasileiras entre 1884 e 1922. 2004. Tese (Doutorado em Sociologia) - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP, São Paulo, 2004.
  • SUGIMOTO, Luiz. Mulheres Invisíveis. Jornal da Unicamp. Universidade Estadual de Campinas - 6 a 12 de dezembro de 2004, p.12. Não catalogado
  • VIDAL, Barros. A primeira escultora. In: ______. Precursoras brasileiras. Rio de Janeiro: A Noite Ed. , s.d. p. 201-205. Não catalogado

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