Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Dana Merrill

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.11.2020
1885 Estados Unidos / Nova York / Nova York
Dana B. Merrill (Nova York, Estados Unidos, ca. 1885 – s.l., 19-- ) Fotógrafo. Entre 1909 e 1911 é contratado pela Brazil Railway Company, empresa encarregada da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, para realizar registro fotográfico das obras. Desse trabalho resultam cerca de dois mil negativos, dos quais restam menos de 200, pertencentes à c...

Texto

Abrir módulo

Dana B. Merrill (Nova York, Estados Unidos, ca. 1885 – s.l., 19-- ) Fotógrafo. Entre 1909 e 1911 é contratado pela Brazil Railway Company, empresa encarregada da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, para realizar registro fotográfico das obras. Desse trabalho resultam cerca de dois mil negativos, dos quais restam menos de 200, pertencentes à coleção do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (MP/USP). Além dos negativos, reproduções feitas pelo autor estão presentes nas coleções do Museu da Imagem e do Som (MIS/SP) e Biblioteca Nacional. Há também o álbum Views of the Estrada de Ferro Madeira e Mamoré – Amazonas & Mato Grosso, Brazil, S.A., redescoberto nos anos 1990 pelo historiador Francisco Foot Hardman, na coleção de fotografias da New York Public Library. Em 1913, fotografa para o Annuario de Manaos, em que registra edifícios da capital do Amazonas. De volta a Nova York, torna-se membro da Madeira-Mamoré Association, entidade civil dedicada à preservação da memória da construção da ferrovia e agregação de sobreviventes, tendo em vista a quantidade de óbitos durante a obra. Participa de reunião com sobreviventes no Pavilhão Brasileiro da Exposição Mundial de Nova York, em 1939. As fotografias de Merrill constituem um dos principais documentos para os estudiosos do projeto de ligação dos rios da fronteira Brasil-Bolívia ao oceano Atlântico.

O conjunto de fotografias de Dana Merrill é um dos poucos registros visuais da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, documentando as diferentes etapas do processo – abertura de valas, colocação de dormentes e trilhos – e as condições de vida dos trabalhadores, suas residências e momentos de lazer. Também estão presentes a fauna e flora amazônicas, com as quais os operários vindos de diversas regiões do mundo se deparam. A diversidade cultural do conjunto de trabalhadores é registrada, emblematicamente, na imagem do operário hindu, que surge diante da lente do fotógrafo com turbante, brincos e colete de linho riscado. É assim que o elemento exótico penetra nas imagens, ampliando o papel do fotógrafo para além de seu trabalho comissionado por uma empresa de engenharia. 

Contratado para registrar as obras da ferrovia, Merrill se permite fotografar um mamoeiro, o macaco que surpreende os trabalhadores no acampamento, posar ao lado da pele esticada de uma onça pintada, ou registrar o engenheiro Powell interagindo com nativos indígenas. A autonomia conquistada pelo fotógrafo chega ao ápice quando, em imagem que registra a abertura de uma vala, mostra dois cavaleiros “espelhados”, posicionados um de cada lado da cena, com a projeção da sombra do fotógrafo ao centro, em composição orquestrada. Essas singularidades de cunho autoral fazem de Merrill o “fotógrafo-cronista” da “ferrovia-fantasma”, nas palavras do historiador Francisco Foot Hardman

O conjunto de fotografias de Dana Merrill é um dos poucos registros visuais da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, documentando as diferentes etapas do processo – abertura de valas, colocação de dormentes e trilhos – e as condições de vida dos trabalhadores, suas residências e momentos de lazer. Também estão presentes a fauna e flora amazônicas, com as quais os operários vindos de diversas regiões do mundo se deparam. A diversidade cultural do conjunto de trabalhadores é registrada, emblematicamente, na imagem do operário hindu, que surge diante da lente do fotógrafo com turbante, brincos e colete de linho riscado. É assim que o elemento exótico penetra nas imagens, ampliando o papel do fotógrafo para além de seu trabalho comissionado por uma empresa de engenharia. 

Contratado para registrar as obras da ferrovia, Merrill se permite fotografar um mamoeiro, o macaco que surpreende os trabalhadores no acampamento, posar ao lado da pele esticada de uma onça pintada, ou registrar o engenheiro Powell interagindo com nativos indígenas. A autonomia conquistada pelo fotógrafo chega ao ápice quando, em imagem que registra a abertura de uma vala, mostra dois cavaleiros “espelhados”, posicionados um de cada lado da cena, com a projeção da sombra do fotógrafo ao centro, em composição orquestrada. Essas singularidades de cunho autoral fazem de Merrill o “fotógrafo-cronista” da “ferrovia-fantasma”, nas palavras do historiador Francisco Foot Hardman2.

Nota:

1. HARDMAN, Francisco Foot. Trem fantasma: a ferrovia Madeira-Mamoré e a modernidade na selva. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 216.

2.  HARDMAN, Francisco Foot. Trem fantasma: a ferrovia Madeira-Mamoré e a modernidade na selva. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 216.

Fontes de pesquisa 5

Abrir módulo
  • ESPÍRITO SANTO, Silvia Maria; RIBEIRO, Pedro. Dana Merrill: imagens da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré In: Boletim Páginas Negras, n. 29, 12 set. 1998. Disponível em: http://www.fotoplus.com/fpb/. Acesso em: 10 set. 2019.
  • EXPOSIÇÃO Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: uma aventura fotográfica,1993, São Paulo. Pedro Ribeiro (Org.). São Paulo: Museu da Imagem e do Som: Secretaria de Estado da Cultura, 1993. Exposição realizadano período de 13 a 28 de abr. 1993.
  • FERREIRA, Manoel Rodrigues. A ferrovia do diabo: história de uma estrada de ferro na Amazônia. 3ª ed. São Paulo: Melhoramentos, 1982.
  • NEW YORK Public Library – Digital Gallery. Dana Merril. Nova York. Disponível em: https://digitalcollections.nypl.org/search/index?utf8=%E2%9C%93&keywords=Dana+Merril#. Acesso em: 10 set. 2019.
  • TRILHOS e Sonhos: fotografias da ferrovia Madeira-Mamoré, 2000, São Paulo.Trilhos e Sonhos: fotografias da ferrovia Madeira-Mamoré. cur. Solange Ferraz Lima e Vânia Carneiro de Carvalho. São Paulo: Museu Paulista da USP, 2000. (Catálogo).

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: