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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Juó Bananére

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.10.2019
11.04.1892 Brasil / São Paulo / Pindamonhangaba
22.08.1933 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução Fotográfica Horst Merkel

La Divina Increnca, 1915
Juó Bananére
Brasiliana Itaú/Acervo Banco Itaú

Alexandre Ribeiro Marcondes Machado (Pindamonhangaba, SP, 1892 - São Paulo, SP, 1933). Poeta, cronista e engenheiro civil. Filho do médico José Francisco Marcondes Machado e de Mariana Ribeiro Marcondes Machado, vive até os sete anos na cidade natal, em seguida completando os estudos primários e preparatórios em Araraquara e Campinas. Muda-se pa...

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Biografia

Alexandre Ribeiro Marcondes Machado (Pindamonhangaba, SP, 1892 - São Paulo, SP, 1933). Poeta, cronista e engenheiro civil. Filho do médico José Francisco Marcondes Machado e de Mariana Ribeiro Marcondes Machado, vive até os sete anos na cidade natal, em seguida completando os estudos primários e preparatórios em Araraquara e Campinas. Muda-se para a capital, onde cursa o ginasial em humanidades, no Colégio Estadual Presidente Roosevelt.  Em 1911, inicia sua colaboração para a revista O Pirralho, criada por Oswald de Andrade (1890-1954), com As Cartas D'Abax'o Piques, escritas numa linguagem macarrônica, mistura de português e italiano, inspirada na fala dos imigrantes do bairro Bela Vista (Bixiga), de São Paulo. É demitido da revista em 1915, após publicar uma sátira ao discurso nacionalista que o poeta Olavo Bilac (1865-1918) realizara na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco. Torna-se então redator da página Sempr'Avanti!! da revista quinzenal O Queixoso, editada por Monteiro Lobato (1882-1948). Forma-se em engenharia civil na Escola Politécnica de São Paulo em 1917, fundando uma empresa de construção, em seguida. No mesmo ano, publica em parceria com Moacir Piza Galabaro, livro em ataque ao Cônego Valois de Castro, que havia defendido as críticas feitas ao Brasil pelo Diário Alemão. Volta a colaborar para O Pirralho, no qual mantém a página O Féxa. Em 1924, seus poemas dispersos são recolhidos no volume La Divina Increnca. Cria o jornal semanal Diário do Abax'o Piques, em 1933. Morre no mesmo ano, tendo editado 16 dos 21 números do semanário.

Análise

Usando uma linguagem macarrônica - supostamente criada a partir da fala dos imigrantes italianos pouco habituados ao português -, Juó Bananére elabora textos dos mais diversos gêneros. Em cartas, poemas, crônicas, anedotas, entrevistas, entre outros, satiriza aspectos da vida política, cultural e social dos anos 1910.

A referência ao presidente Hermes da Fonseca (1910-1914) em uma das cartas publicadas em O Pirralho é exemplar quanto ao tratamento dispensado pelo autor aos acontecimentos da época: "Ma che si pensa quello disgraziato do Hermese da Funzega! si pensa chi nois temos a paura do inzercito?".  Também a paródia literária tem função central na obra do autor, motivando alguns de seus textos mais célebres. O soneto "Uvi strella", por exemplo, satiriza "Ouvir estrelas", do parnasiano Olavo Bilac: "Che scuitá strella, né meia strella!", lê-se no primeiro verso da paródia.

São três as linhas em que se dividem as análises de sua obra. Parte da crítica considera a sua relevância histórica, dado o foco centrado no imigrante italiano, cuja adaptação ao meio brasileiro foi retratada e problematizada na obra do autor. Outra a considera, pela irreverência formal, antecipadora do Modernismo - e precursora de Alcântara Machado, autor que também se concentrará nos imigrantes italianos de uma São Paulo rapidamente modernizada. Já alguns outros críticos, como é o caso de Otto Maria Carpeaux, entendem que nos textos reunidos em La Divina Increnca e As Cartas D'Abax'o Piques está uma voz democrática. O estilo macarrônico seria uma sátira aos brasileiros que preferem línguas estrangeiras, numa crítica direcionada aos valores culturais e políticos da elite paulista.

Obras 1

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Exposições 2

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Fontes de pesquisa 9

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  • ANTUNES, Benedito. As cartas d'Abaxo Piques de Juó Bananére. São Paulo: Unesp, 1998.
  • BROCA, Brito. Bilac e Juó Bananére. In: Naturalistas, parnasianos e decadistas: vida literária do realismo ao pré-modernismo. Coord. Alexandre Eulálio, org. Luiz Dantas. Campinas: Ed. da Unicamp, 1981. p. 327-333
  • CARELLI, Mario. Juó Bananére. In: Carcamanos e comendadores: os italianos de São Paulo, da realidade à ficção, 1919/1930. Trad. Ligia Maria Pondé Vassalo. São Paulo: Ática, 1985. p. 103-122
  • CARMO, Maurício Martins do. Pauliceia scugliambada, pauliceia desvairada: Juó Bananére e a imagem do italiano na literatura brasileira. Niterói: Editora da Universidade Federal Fluminense, 1998.
  • CARPEAUX, Otto Maria. Uma voz da democracia paulista. In: Presenças. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1958. p. 200-2004
  • FONSECA, Cristina. Juó Bananére: o abuso em blague. São Paulo: Editora 34, 2001.
  • MAGALHÃES JR., Raimundo. Juó Bananére. In: Antologia do humorismo e sátira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1957. p. 301-305
  • MELO, Luís Correia de. Alexandre Ribeiro Marcondes Machado (Juó Bananére). In: Dicionário de autores paulistas. São Paulo: Comissão do IV Centenário da Cidade, 1954. p. 327-328
  • SALIBA, Elias Thomé. Juó Bananére e a literatura macarrônica na primeira república. In: SALVADORI, Edgar. LEMAIRE, Ria (org.). Pelas margens: outros caminhos da história e da literatura. Campinas: Unicamp, 2000. p. 27-54

Como citar

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