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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

German Lorca

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.05.2021
28.05.1922 Brasil / São Paulo / São Paulo
08.05.2021 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Folhagens, 1960
German Lorca
Tinta mineral sobre premiun luster photo paper
40,00 cm x 36,00 cm

German Lorca (São Paulo, São Paulo, 1922 - idem,  2021). Fotógrafo. Lorca cria imagens poéticas de São Paulo, ao mesclar registros fotográficos de um momento de intensa modernização da cidade com experimentações dadaístas e surrealistas, elevando a fotografia a um status artístico ainda inédito na época.

Texto

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German Lorca (São Paulo, São Paulo, 1922 - idem,  2021). Fotógrafo. Lorca cria imagens poéticas de São Paulo, ao mesclar registros fotográficos de um momento de intensa modernização da cidade com experimentações dadaístas e surrealistas, elevando a fotografia a um status artístico ainda inédito na época.

Forma-se em ciências contábeis pelo Liceu Acadêmico em 1940, e, a partir de 1949, integra o Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB). A sensibilidade do fotógrafo volta-se principalmente para cenas da vida cotidiana, registrando com muita liberdade imagens que se revelam poéticas ou que causam certo estranhamento. Sua produção inicial tem participação decisiva na renovação da fotografia moderna no país.

Lorca é conhecido por suas abstrações na observação de espaços públicos. Sua obra revela, sobretudo, um olhar arguto sobre a paisagem da cidade de São Paulo entre o fim da década de 1940 e início da seguinte, ao registrar locais como a Praça da Sé, o Parque dom Pedro ou o Largo da Concórdia.

As experimentações de Lorca e dos demais integrantes do FCCB permitem que a fotografia alcance uma importância artística, ampliando sua produção para além da função de registro e documentação e marcando o início da fotografia modernista no Brasil.

Algumas fotografias abordam questões sociais, como em Revolta de Passageiros (1947) e À Procura de Emprego (1951), ou personagens de grande força expressiva, como aqueles de Armazém em Jaú (1949) e Fotógrafo - Largo da Concórdia (1956), imagens que se assemelham a instigantes fragmentos de uma narrativa. Já em Apartamentos (1952), destacam-se a geometria rigorosa expressa na arquitetura e o intenso jogo de luz e sombra. 

Abre estúdio próprio em 1952 e, em 1954, é o fotógrafo oficial das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo. A partir dessa data, dedica-se com exclusividade à fotografia, atuando principalmente na área de publicidade, em que conquista prêmios como o Prêmio Colunistas, concedido pela revista Meio & Mensagem, em 1985 e 1989. 

Como observa a pesquisadora de fotografia Helouise Costa (1960), Lorca discute em suas obras o conceito de fotografia associado ao registro fiel da realidade, demonstrando que esse real necessariamente passa por uma codificação para se tornar imagem.

Trabalha ainda com a construção de imagens do cotidiano em “falsos flagrantes”, em que, segundo o próprio fotógrafo, “A fotografia acontece para o fotógrafo e ele a faz acontecer”.1 É o caso de seu trabalho Menina na Chuva (1951), em que a espontaneidade do registro pode confundir o espectador que a capta como um flagrante, quando, na verdade, trata-se de Eunice, sobrinha de Lorca que posa para a fotografia.

German Lorca tem grande contribuição para a ruptura da fotografia tradicional, dando início à fase moderna, como a cidade de seus registros. Através de ângulos inusitados, flagrantes da vida acelerada de São Paulo são atravessados e captados por seu olhar observador e poético.

Nota

1. BALDIN, Adriane Acosta. A cidade de São Paulo contada através das imagens Militão Augusto de Azevedo no século XIX e German Lorca no século XX. Associação Nacional de História – ANPUH - XXIV Simpósio Nacional de História, 2007. p. 8.  Disponível em: https://anpuh.org.br/uploads/anais-simposios/pdf/2019-01/1548210413_5528c3ecae57119d094d6341cf519681.pdf.Acesso em: 10 maio 2021.

Obras 29

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Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Andaime

Tinta mineral sobre premiun luster photo paper
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Anturiuns Cruzados

Tinta mineral sobre premiun luster photo paper

Debates 1

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Exposições 88

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Feiras de arte 1

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Mídias (1)

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German Lorca - Enciclopédia Itaú Cultural
“O fotógrafo que faz arte tem que ter a cabeça já cansada de pensar tanto”, brinca o fotógrafo paulistano German Lorca. Muito além de um simples registro do que vê, Lorca cria suas composições, predominantemente em branco e preto, com recursos simples: lentes normais, grande angulares e filmes ASA 100, obtendo um resultado de forte impacto visual. Com uma carreira de mais de 60 anos, o fotógrafo é premiado e tem suas imagens expostas no Brasil e no exterior. Seu trabalho discorre sobre temas cotidianos, tendo como pano de fundo a cidade de São Paulo, sua população e as mudanças de um mesmo cenário no decorrer do tempo. Explora também contrastes e texturas com um olhar aguçado tanto no campo da publicidade como em sua produção artística: “Criar é mais difícil, depende do que a pessoa tem dentro dela, do que ela pensa do assunto, tem que acreditar no olhar e colocar a cabeça para funcionar”, explica.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 11

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  • BALDIN, Adriane Acosta. A cidade de São Paulo contada através das imagens Militão Augusto de Azevedo no século XIX e German Lorca no século XX. Associação Nacional de História – ANPUH - XXIV Simpósio Nacional de História, 2007. Disponível em: https://anpuh.org.br/uploads/anais-simposios/pdf/2019-01/1548210413_5528c3ecae57119d094d6341cf519681.pdf. Acesso em: 10 maio 2021.
  • BRASIL mostra tua cara: 1ª Bienal Internacional de Fotografia. Curitiba: Solar do Barão, 1996. p. 192.
  • CARBONCINI, Anna (Coord.). Coleção Pirelli/ MASP de Fotografias: v. 7. São Paulo: MASP, 1997.
  • CARVALHO, Silvana de. German Lorca. Iris, São Paulo, n. 516, p. 23-33, jul. 98.
  • CHIODETTO, Eder. Aos 96 anos, o fotógrafo encarou o desafio de reproduzir imagens icônicas, criadas por ele em São Paulo há quase setenta anos. Veja aqui o resultado deste ensaio inédito! SP-ARTE, 19 set. 2018. Foto. Disponível em: https://www.sp-arte.com/foto/editorial/german-lorca/. Acesso em: 10 maio. 2021.
  • COSTA, Helouise, RODRIGUES, Renato. A fotografia moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ, 1995.
  • FOTOGRAFIAS no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Texto Tadeu Chiarelli, Ricardo Mendes. São Paulo: MAM, 2002.
  • FRENCH Quartier - New Orleans - fotografias de German Lorca e Manuk. São Paulo: Li Photogallery, s.d.
  • II BIENAL Internacional de Fotografia - Cidade de Curitiba. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1998.
  • MORRE German Lorca, aos 98 anos, último representante do Cine Foto Clube Bandeirante. G1. 8 maio 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/05/08/morre-german-lorca-ultimo-representante-do-cine-foto-clube-bandeirante-dizem-fotografos.ghtml. Acesso em: 10 maio 2021.
  • NAFOTO 20 anos. Apresentação Rubens Fernandes Junior, Nair Benedicto, Monica Caldiron, Fausto Chermont; texto Fausto Chermont; curadoria Fausto Chermont, Monica Caldiron; texto Monica Caldiron, Nair Benedicto; curadoria Nair Benedicto; pesquisa Ricardo Mendes, Douglas Freitas, Paula Palhares. São Paulo: Caixa Cultural, 2011. 159 p., il. CAT-G SPcc 2011/n

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