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Música

Chiquinha Gonzaga

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.09.2021
17.10.1847 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
28.02.1935 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro

Chiquinha Gonzaga
Chiquinha Gonzaga

Francisca Edwiges Neves Gonzaga (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1847 – idem, 1935). Compositora, pianista e regente. Primeira pianista de choro e primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, o inovador trabalho de Chiquinha Gonzaga é marcado pela mediação entre a cultura popular e a erudita.  

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Francisca Edwiges Neves Gonzaga (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1847 – idem, 1935). Compositora, pianista e regente. Primeira pianista de choro e primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, o inovador trabalho de Chiquinha Gonzaga é marcado pela mediação entre a cultura popular e a erudita.  

Sua mãe era filha de uma mulher negra escravizada e alforriada e seu pai um oficial do Exército brasileiro. Começa a compor aos 11 anos. A primeira fase da formação artística começa na infância, quando estuda piano com o maestro Elias Álvares Lobo (1834-1901). O momento é caracterizado pela rígida educação, pelo contato com a música erudita e pela submissão aos valores morais do Rio de Janeiro imperial, que destinam à mulher papéis atrelados ao casamento e à maternidade.

Em 1863, casa-se com um oficial da Marinha Mercante, de quem se separa seis anos depois, e é expulsa de casa pela família e proibida de levar consigo dois de seus três filhos. O fim do casamento representa o rompimento com a sociedade patriarcal e também é crucial para a configuração de uma nova fase de sua carreira, entre 1869 e 1880. 

Chiquinha passa a lecionar piano, e se insere no efervescente cenário da música popular do Rio por intermédio do flautista Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880), que a inclui em seu conjunto, Choro Carioca. Formado por flauta, cavaquinho e dois violões, o grupo inova ao contar com o piano de Chiquinha, que passa a ser reconhecida como “pianeira”. Nessa época, o choro ainda não representa um gênero musical, mas uma forma “chorosa” de interpretar obras europeias, como tangos, polcas e valsas. 

Aos 30 anos, edita sua primeira música: a polca para piano "Atraente" (1877). Comercializada em edição de luxo, com retrato da artista na capa, a música lhe dá fama, para o desgosto da família, que considera humilhante ver o sobrenome vinculado à música de apelo popular. Responsável por impulsionar sua carreira, a composição tem 15 edições entre fevereiro e novembro do ano de lançamento. O êxito autoral segue com as polcas "Sultana" (1878) e "Camila" (1879). 

Na década de 1880, Chiquinha usa dinheiro advindo da venda de composições para apoiar os movimentos abolicionista e republicano e a libertação de escravizados, como é o caso das partituras de "Caramuru" (1889), que rendem recursos para a compra da alforria do escravizado e músico Zé Flauta. A postura progressista interfere no trabalho da pianista: a opereta Viagem ao Parnaso (1883), libreto de Artur de Azevedo (1855-1908), por exemplo, não é encenada porque na época não se admite uma peça musicada por uma mulher.

Segundo a socióloga Edinha Diniz, a pianista é o elo entre a música europeia e a brasileira, pois, ao retrabalhar a rítmica, cria um gênero musical, abrasileirando a música tocada nos salões na segunda metade do século XIX e abrindo caminho para outros compositores. O êxito de suas composições lhe permite o ingresso no teatro musicado, espécie de ópera cômica ou opereta, também conhecido como teatro de revista. Chiquinha estreia nesse gênero em 1885 com A Corte na Roça, texto de Palhares Ribeiro, no então Teatro Imperial.

Promove, em 1886, reuniões de violonistas em diversos bairros cariocas para valorizar o violão, instrumento considerado símbolo da malandragem pelas elites burguesas. Compõe o choro "Sabiá na Mata" para o concerto que organiza para 100 violões no Teatro São Pedro (atual João Caetano). Compõe "Gaúcho" (1887), tango lançado na peça Zizinha Maxixe, e que passa a ser conhecido como Corta-Jaca – referência à dança de mesmo nome, espécie de maxixe. Com A Filha do Guedes (1888), rege pela primeira vez uma orquestra, junto com a companhia portuguesa Souza Bastos.

Na época da Revolta da Armada, compõe a cançoneta "Aperte o Botão" (1893). Considerada ofensiva pelo governo do marechal Floriano Peixoto (1839-1895), rende-lhe ordem de prisão e apreensão das partituras. Ainda na mesma década, compõe o hino carnavalesco "Ó Abre-Alas" (1899), para embalar o desfile do cordão Rosa de Ouro. É a primeira composição criada para o Carnaval carioca, que define um novo estilo musical (a marcha-rancho) e se cristaliza como símbolo da festa. 

Entre 1902 e 1909, viaja a Portugal, onde se apresenta e escreve peças. Na década de 1910, grava com seu grupo (violão, cavaquinho, piano e flauta) 44 obras, a maior parte de sua autoria, pelas gravadoras Columbia e Odeon. Apresenta Forrobodó (1912), opereta dos jornalistas Luís Peixoto e Carlos Bittencourt, que inova ao levar ao palco a gíria carioca do início do século XX.

O repertório de Chiquinha abrange mais de 77 peças de teatro e 2 mil músicas, e é interpretado por nomes importantes do cenário cultural, como o compositor Pixinguinha (1897-1973). A artista é retratada no teatro na peça Ó Abre-Alas, de Maria Adelaide Amaral, (1983); na televisão, na minissérie Chiquinha Gonzaga, de Jayme Monjardim, da TV Globo, (1999); e em sambas-enredos das escolas Mangueira e Imperatriz Leopoldinense.

Chiquinha Gonzaga tem um papel crucial na mediação cultural entre as ruas e as salas de concerto, com composições que partem da influência tradicional europeia para criarem algo novo e nacional. A trajetória corajosa da artista antecipa bandeiras feministas da segunda metade do século XX, nos âmbitos pessoal e profissional.

Obras 1

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Espetáculos 2

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Fontes de pesquisa 9

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  • CHIQUINHA Gonzaga e Ernesto Nazareth. Encarte do LP integrante da série História da Música Popular Brasileira. Vol. 40. 1a edição. São Paulo: Ed. Abril, 1970.
  • CHIQUINHA Gonzaga. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin, 2002-2021. Disponível em: http://www.dicionariompb.com.br/chiquinha-gonzagar. Acesso em: 08 jun. 2011.
  • CHIQUINHA Gonzaga. Disponível em: http://www.chiquinhagonzaga.com. Acesso em: 08 jun. 2011.
  • DINIZ, Edinha. Chiquinha Gonzaga: uma história de vida. 4ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Rosa dos Tempos, 1999.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • MEMÓRIA MUSICAL. Site do Instituto Memória Musical Brasileira. Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: < http://www.memoriamusical.com.br > Acesso em: 08.jun.2011.
  • O CASAMENTO do Pequeno Burguês. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1972]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • PORTAL SESC SP. Movida a Paixões, in revista e, no. 128. São Paulo. Disponível em < http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?edicao_id=301&Artigo_ID=4699&IDCategoria=5362&reftype=2 >. Acesso em: 03.mar.2011.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 1: 1901-1957). São Paulo: Editora 34, 1997. (Coleção Ouvido Musical).

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