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Enciclopédia Itaú Cultural

Silvio Da-Rin

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.08.2022
17.09.1949 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Silvio Da-Rin (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1942). Diretor de cinema, técnico de som, documentarista, gestor cultural. Seus filmes registram temas sociais e momentos históricos da política do país, sobretudo o período da ditadura militar (1964-1985)1.

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Silvio Da-Rin (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1942). Diretor de cinema, técnico de som, documentarista, gestor cultural. Seus filmes registram temas sociais e momentos históricos da política do país, sobretudo o período da ditadura militar (1964-1985)1.

Em 1967, inicia trajetória de militância na área do audiovisual como presidente da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro. No final dessa década, integra movimentos estudantis em oposição à ditadura militar. Em 1975, forma-se em Comunicação Visual pela Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). 

Em 1978, inicia experiências como técnico de som, atividade que exerce por três décadas em mais de uma centena de filmes nos formatos curta, média e longa-metragem2. No mesmo ano, funda no Rio de Janeiro com colegas como José Joffily (1945), Sérgio Rezende (1951) e Sandra Werneck (1951) a Cooperativa dos Realizadores Cinematográficos Autônomos (Corcina), dedicada a curtas independentes. Assina a montagem de som de um dos primeiros títulos do coletivo, o documentário de curta-metragem em 16mm Associação dos Moradores de Guararapes (1978), dirigido por Sérgio Péo (1947). No ano seguinte, assume a presidência da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), com mandato de um ano. 

Estreia na direção com o curta em 35 mm Fênix (1980), homenagem a figuras atuantes na resistência ao regime militar entre o golpe de 1964 e a declaração, quatro anos depois, do Ato Institucional n. 5 (AI-5). Em 1981, participa de workshop de som para cinema na Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles. Sua segunda direção, o documentário de curta-metragem O príncipe do fogo (1984), trata do controverso caso de Febrônio Índio do Brasil (1895-1984): acusado de matar dois menores na década de 1920, ele é declarado louco pela justiça e enviado a um manicômio carioca, onde morreu.

Em 1985, dirige Igreja da libertação, documentário de média-metragem sobre as comunidades eclesiais de base e o teólogo Leonardo Boff (1938). Pequeno dicionário amoroso (1996), de Sandra Werneck, marca sua estreia como técnico de som no formato longa. Na primeira década de 2000, atua na função ao menos em dois longas por ano. Em 2004, lança o livro Espelho partido – tradição e transformação do documentário, adaptado de sua dissertação de mestrado em comunicação, defendido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Hércules 56 (2006) é seu primeiro longa-documental como diretor. O título se refere ao avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que, em setembro de 1969, levou quinze presos políticos ao México em troca da libertação do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick (1908-1983), sequestrado por grupos revolucionários. Da-Rin reúne exilados e remanescentes da Aliança Libertadora Nacional (ALN) e da Dissidência Comunista da Guanabara, ou Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), para relembrar a ação. Os convidados se reúnem para uma conversa franca, enquanto o material de arquivo dos envolvidos já falecidos completa o retrato do período. A crítica ressalta a qualidade e a importância do projeto ao integrar passado e presente do país e dos militantes, com reconstituição cuidadosa e solidez de informações. No ano seguinte, lança o livro Hércules 56: o sequestro do embaixador americano em 1969.

Ainda em 2007, assume o cargo de secretário do audiovisual do Ministério da Cultura. Durante seu mandato, de especial interesse no cinema de animação, são promovidos trinta editais que resultam em 512 produções audiovisuais. Também é lançado o Programa Nacional de Estímulo à Parceria entre a Produção Independente e a Televisão. Em 2010, passa à gerência executiva da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em sua divisão da TV Brasil. Dirige Paralelo 10 (2011), documentário de longa-metragem sobre o trabalho de proteção de indígenas isolados por um sertanista e um antropólogo em base da Fundação

Nacional do Índio (Funai), no Acre. Em cena, conflitos com madeireiros, garimpeiros, narcotraficantes e posseiros. Um filme faz um diagnóstico da complexa dinâmica da época nas relações entre especialistas e indígenas, ou ainda, lança um olhar de observação não invasivo para a atuação da dupla.

Em 2016, codirige com o roteirista Alfredo Sirkis (1950-2020) o documentário Lila, sobre a mãe dele, Liliana Syrkis (1923). Polonesa, ela chega ao Rio de Janeiro em 1947, fugida da perseguição aos judeus, e se torna uma estilista renomada. Além de expor um grande arquivo de documentos da protagonista, o longa a leva a Pinsk, cidade natal a qual nunca havia retornado. O projeto é recebido como comovente e afetuosa homenagem.       

Com o documentário de longa-metragem Missão 115 (2018), sua terceira direção, Da-Rin se volta para o desastrado atentado à bomba de agentes do Doi-Codi2 no show de 30 de abril de 1981, no Rio de Janeiro. Integrante do grupo responsável pela tarefa frustrada, o ex-delegado Claudio Guerra (1940) dá raro depoimento de um envolvido sobre o caso. Entre os méritos do longa, está o esforço de reconstituir o atentado em detalhes, atualizando o episódio durante as eleições presidenciais de 2018. No ano seguinte, lança o livro A família de Elizabeth Teixeira + Sobreviventes de Galileia, em parceria com a antropóloga Regina Novaes (1950).

Os documentários de Silvio Da-Rin se estruturam a partir da preocupação com o conteúdo, seja pelo material revelador de pontos de vista, seja pelo empenho na revisão da memória do país. O passado de militante contra a ditadura civil-militar e a convivência com figuras de luta pavimentam o caminho no cinema e no gosto pela atuação política no meio cinematográfico. 

Notas

1. Também denominada de ditadura civil-militar por parte da historiografia com o objetivo de enfatizar a participação e apoio de setores da sociedade civil, como o empresariado e parte da imprensa, no golpe de 1964 e no regime que se instaura até o ano de 1985.

2. Não há consenso quanto à duração que caracteriza filmes como curta, média e longa metragem. No Brasil, festivais de cinema costumam adotar parâmetros próprios. A legislação, porém, estabelece pela Medida Provisória n. 2.228-1 de setembro de 2001 (responsável por criar a Agência Nacional do Cinema – Ancine) curtas como obras de duração igual ou inferior a 15 minutos, médias entre 15 e 70 minutos e, por fim, longas acima de 70 minutos. Em sua base de dados, a Cinemateca Brasileira considera curtas-metragens de até 59 minutos, sem classificação para médias. Em âmbito internacional, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, por exemplo, limita curtas em até 40 minutos.

3.  O Destacamento de Operações de Informação e o Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) são órgãos de inteligência e repressão vinculados ao Exército e criados em setembro de 1970. Complementares no combate aos grupos de esquerda no período da ditadura civil-militar, estão associados em uma única sigla. No caso conhecido como Riocentro, nome do pavilhão onde se dá o show em comemoração ao Dia do Trabalhador, agentes inconformados com a abertura política do governo enviam dois militares ao local para plantar os artefatos explosivos. O disparo prematuro vitima um deles e mata o outro.

Obras 1

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