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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eduardo de Sá

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.10.2019
01.04.1866 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
17.12.1940 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Caramuru, início do século XX
Eduardo de Sá
Bronze

Eduardo de Sá (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1866 - idem 1940). Escultor, pintor e restaurador. Frequenta aulas particulares de pintura com Rodolfo Bernardelli (1852-1931).1 Entre 1883 e 1887, estuda na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba) com José Maria de Medeiros (1849-1925), Pedro Américo (1843-1905) e Victor Meirelles (1832-1903), com ...

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Eduardo de Sá (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1866 - idem 1940). Escultor, pintor e restaurador. Frequenta aulas particulares de pintura com Rodolfo Bernardelli (1852-1931).1 Entre 1883 e 1887, estuda na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba) com José Maria de Medeiros (1849-1925), Pedro Américo (1843-1905) e Victor Meirelles (1832-1903), com quem estabelece maior vínculo. Como estudante da Academia, é premiado diversas vezes.

Em 1888, com recursos próprios, estuda na Académie Julian, em Paris, onde é aluno de Gustave Boulanger (1824-1888) e Jules Lefebvre (1834-1912). Prefere os cursos livres de arte em oposição à rigidez das academias. Integra, ao lado de Décio Villares (1854-1931) e Virgílio Lopes Rodrigues (1863-1944), um movimento para a fundação da Academia Livre de Belas-Artes, no Rio de Janeiro em 1893. Uma exposição é organizada em benefício do projeto, mas a eclosão da Revolta da Armada impede a abertura da mostra e os planos da Academia. 

Realiza exposições individuais entre 1888 e 1898, a última intitulada Exposição da Arte Republicana. Adepto das teorias do positivismo, suas obras – realizadas no Rio de Janeiro – detêm-se sobre temas cívicos, como o Monumento a Floriano Peixoto (1910), instalado na Cinelândia. Dentre as obras situadas em espaços públicos destacam-se os baixos-relevos no Monumento a Benjamin Constant (1826), localizado no Campo de Santana, os bustos de Castro Alves (1913) e Victor Meirelles (1925), no Passeio Público, e o Monumento a São Francisco de Assis (1927), na Praça Juarez Távora.

Análise

Eduardo de Sá inicia a carreira como pintor, com produções de influência neoclássica. Seu trabalho privilegia a concepção da obra, inspirada no sentimento de amor às coisas pátrias2. Por isso, a importância da composição em pinturas como Leitura da Sentença de Tiradentes (1921), na qual os gestos e as expressões de cada figura indicam os conflitos que estruturam a cena. Na alegoria José Bonifácio, a Fundação da Pátria (ca. 1900), o estadista medita sobre a bandeira imperial rodeado por espectros que parecem representar uma futura miscigenação.

 Na década de 1900, dedica-se, também, à escultura, projetando o Monumento a Floriano Peixoto. O projeto de Sá é preferido ao de Corrêa Lima (1878-1974), mas sua inexperiência nesta linguagem gera apreensão da crítica. Alguns críticos o censuraram por um  acabamento grosseiro que se nota próximo da obra. Mas para Gonzaga Duque (1863-1911), tal aspecto não resulta em prejuízo, devido às características peculiares da escultura monumental, feita para obter clareza e expressividade a grande distância3. No topo do monumento, vê-se Floriano Peixoto em trajes militares, envolvido pela bandeira nacional, que forma o relevo dos bustos de Tiradentes (1746-1792), José Bonifácio (1763-1838) e Benjamin Constant (1833-1891). Quatro grupos escultóricos inspirados em poemas brasileiros constituem a base do monumento: “Anchieta”, “Caramuru” (1781), de Frei Santa Rita Durão (1722-1784), “I-Juca Pirama”, de Gonçalves Dias (1823-1864) e “A Cachoeira de Paulo Afonso” (1876), de Castro Alves (1847-1871), juntos compondo uma alegoria da formação da pátria.

Notas

1. COSTA, Angyone. A inquietação das abelhas. Rio de Janeiro: Pimenta de Mello & Cia., 1927. p. 41.

2.COSTA, Angyone, op. cit., p. 35-43.

3. A obra foi encomendada pelo Clube Militar do Rio de Janeiro, cujas regras para o concurso estabeleciam a escolha de um artista adepto das ideias florianistas. In: DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Benedicto de Souza, 1929. p. 197-206.

 

Obras 7

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Exposições 3

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Fontes de pesquisa 18

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  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições gerais da Academia Imperial e da Escola Nacional de Belas Artes: período monárquico, catálogo de artistas e obras entre 1840 e 1884. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1990. v.1.
  • MORALES DE LOS RIOS FILHO, Adolfo. Subsídios para a história da escultura, gravura e desenho do Rio de Janeiro: 1889-1930. Rio de Janeiro: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, s.d.
  • O MUSEU Histórico Nacional. Prefácio de Solange de Sampaio Godoy. Editado por Solange de Sampaio Godoy. Textos de Abbadia Cararelli et al. São Paulo: Banco Safra, 1989.
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
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