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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Insley Pacheco

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.10.2021
1830 Portugal
1912 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro

Retrato de Inácio Dias Paes Leme, 1875
Insley Pacheco
Albúmen e cartão cabinet

Joaquim José Pacheco (Cabeceiras de Basto, Portugal ca. 1830 - Rio de Janeiro RJ 1912). Fotógrafo, pintor, desenhista. No fim da década de 1840, em Fortaleza, aprende daguerreotipia e começa a trabalhar como retratista com o fotógrafo irlandês Frederick Walter (18-- - 18--), responsável pela introdução do invento no Ceará. Pacheco viaja para Nov...

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Joaquim José Pacheco (Cabeceiras de Basto, Portugal ca. 1830 - Rio de Janeiro RJ 1912). Fotógrafo, pintor, desenhista. No fim da década de 1840, em Fortaleza, aprende daguerreotipia e começa a trabalhar como retratista com o fotógrafo irlandês Frederick Walter (18-- - 18--), responsável pela introdução do invento no Ceará. Pacheco viaja para Nova York provavelmente entre 1849 e 1851, torna-se aprendiz de Mathew Brady (ca. 1823 - 1896) e assistente dos daguerreotipistas H. E. Insley e Jeremias Gurney. De volta ao Brasil, atua em Fortaleza e Sobral, Ceará, e no Recife e, por volta de 1855, transfere-se para o Rio de Janeiro. Nessa cidade, adota o nome Joaquim Insley Pacheco e abre um estúdio no qual oferece daguerreótipos, fotos sobre papel, vidro e marfim, retratos a óleo e fotopintura. Torna-se um dos mais requisitados retratistas da corte imperial. Por volta de 1860, recebe os títulos de Fotógrafo da Casa Imperial e de Cavaleiro da Ordem de Cristo de Portugal. Na mesma época, inaugura os estúdios Pacheco e Irmão Ambrotypistas da Augusta Caza Imperial em Salvador e São Luís. Interessado em pintura de paisagem e, possivelmente, para aprimorar suas fotopinturas, estuda com os artistas François René Moreaux (1807 - 1860), Karl Linde (ca.1830 - 1873) e Arsênio da Silva (1833 - 1883). De 1885 a 1897, seu estúdio na capital do império passa a chamar-se Joaquim Insley Pacheco e Filho. Entre 1859 e 1873, é premiado em diversas Exposições Gerais de Belas Artes da Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, e em mostras no Brasil e no exterior.

Análise

Insley Pacheco é considerado um dos mais importantes e bem-sucedidos fotógrafos que atuam no Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX - imagens com o nome de seus estúdios são comuns nos álbuns de família desse período. É também um profissional muito requisitado pela corte imperial. É procurado, sobretudo, para a realização de retratos e pelo seu trabalho com fotopintura.

Os retratos feitos nos estúdios de Pacheco1 seguem o padrão desenvolvido pelo fotógrafo francês André Adolphe-Eugène Disdéri (1819 - 1889), o criador do carte-de-visite, imagem que na época se torna moda em todo o mundo. As poses representadas nesses cartões se pautam nos modelos consagrados pela pintura renascentista: bustos, rostos em perfil, em diagonal ou imagens de corpo inteiro destacando a indumentária e adereços. Estas últimas mostram o retratado diante de um fundo neutro, rodeado por colunas, balaústres, cadeiras e mesas, ou se apoiando nesses elementos, que servem também para criar um ambiente de prosperidade. Como conseqüência dessa padronização, as diversas coleções de cartes-de-visite oitocentistas nivelam diferenças culturais e revelam, principalmente, o desejo dos retratados de se ajustarem ao modelo social representado pela burguesia parisiense. Nessas imagens, colonos, aristocratas e comerciantes parecem integrar uma única civilização burguesa em ascensão.

Mesmo que a tecnologia fotográfica, nos anos 1860, já permita exposições relativamente rápidas, persistem poses rígidas como parte da construção de uma imagem de austeridade. Segundo a pesquisadora Maria Inez Turazzi, a pose e seu ritual simbólico são uma exigência de cunho social, mais do que uma imposição técnica.2

No Brasil, o imperador dom Pedro II (1825 - 1891) é um grande incentivador da fotografia. Ele próprio um amador e cliente de diversos estúdios, é também o mais importante colecionador de imagens fotográficas oitocentistas no país. Aos que se destacam nessa área, dom Pedro II concede o título de Fotógrafo da Casa Imperial, o que autoriza o profissional a utilizar as armas imperiais na fachada de seu estabelecimento.

Além de ser contemplado com esse título, Insley Pacheco é premiado em diversas exposições nacionais. Assim como outros fotógrafos, ele faz bom uso publicitário dessas condecorações, o que o auxilia no aumento da clientela, motivo de grandes disputas entre os profissionais.

Logo após o golpe da maioridade, em 1840, a imagem de dom Pedro II aparece em pinturas e gravuras ao lado de emblemas clássicos e de matérias-primas comercializadas pelo país, como café, cana-de-açúcar e frutas tropicais. Quando a fotografia passa a fazer parte do acervo do império, esses retratos ganham austeridade e dom Pedro II começa a ser visto com roupas civis e sempre rodeado de livros, para acentuar seu apreço pelas artes e pelas ciências.

A partir dos anos 1860, o imperador se deixa retratar com vestimentas que o confundem com seus súditos ou com políticos. Numa foto realizada pelo estabelecimento de Pacheco, em torno de 1866, dom Pedro II aparece à vontade, olhando distraidamente para fora do quadro, com as pernas cruzadas e o corpo inclinado, apoiando-se com o cotovelo e o antebraço numa coluna. Pacheco é responsável também por um dos retratos mais significativos do monarca brasileiro. Trata-se de um retrato mostrando-o, aos 58 anos, sentado num estúdio rodeado de plantas nativas.

Nessa época, o Brasil já é visto como uma nação de futuro promissor, e a crença nesse potencial reside, sobretudo, na abundância de suas riquezas naturais. Por isso, o retrato do imperador no cenário tropical, de 1883, corresponde à idéia de um país civilizado e ao mesmo tempo exótico. Além disso, chama a atenção para a importância simbólica que a natureza, nessa época, conquista na iconografia oficial.

Entre os retratos da família imperial produzidos nos estúdios de Pacheco, alguns destoam dos padrões de retratos adotados no período. Um exemplo é a foto da imperatriz dona Teresa Cristina (1822 - 1889) acompanhada das princesas Isabel (1846 - 1921) e Leopoldina (1847 - 1871) e seus netos, realizada por volta de 1868. Nessa imagem, as roupas, o chapéu e a maneira como as mulheres seguram seus filhos pelas mãos mostram uma cena prosaica que em nada lembra o ritual e a imponência que se esperaria de um retrato de nobres.

Notas

1. É importante destacar que os estúdios fotográficos do século XIX muitas vezes empregavam diversos assistentes e que, embora as fotografias levassem a inscrição do nome do fotógrafo ou da empresa que as produziu, nem sempre é possível aferir a autoria das imagens.
2. TURAZZI, Maria Inez. Poses e Trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo - 1839/1889. Rio de Janeiro: Rocco, 1995. p. 16.

Obras 19

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Exposições 40

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Fontes de pesquisa 26

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