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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Felipe Augusto Fidanza

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.03.2017
1847 Portugal / Distrito de Lisboa / Lisboa
20.01.1903 Brasil / Pará / Belém
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Estrada de Nazareth, 1875
Felipe Augusto Fidanza
Albúmen
Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ (Doação White Martins)

Felipe Augusto Fidanza (Lisboa, Portugal, ca.1847 - Belém, Pará, 1903). Fotógrafo e pintor. Começa a fotografar em Belém na segunda metade da década de 1860 e torna-se uma das principais referências no campo da fotografia da região Norte. Não existem dados precisos sobre ele antes de sua chegada à capital paraense e são veiculadas informações de...

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Biografia

Felipe Augusto Fidanza (Lisboa, Portugal, ca.1847 - Belém, Pará, 1903). Fotógrafo e pintor. Começa a fotografar em Belém na segunda metade da década de 1860 e torna-se uma das principais referências no campo da fotografia da região Norte. Não existem dados precisos sobre ele antes de sua chegada à capital paraense e são veiculadas informações desencontradas sobre sua nacionalidade. Diversos autores, entre eles o historiador Boris Kossoy (1941),1 o apresentam como sendo italiano. Porém foram encontrados documentos que comprovam sua origem portuguesa.2 Outra versão divulgada é a de que teria vindo a Belém em setembro de 1867 com a comitiva de dom Pedro II (1825-1891) para as solenidades de abertura dos portos da Amazônia ao comércio exterior. Porém, anúncios na imprensa local mostram que ele já atuava na cidade pelo menos desde o dia 1 de janeiro daquele ano.3

Fidanza é autor de inúmeros registros da vida citadina de Belém – e de outras cidades do Norte, como Manaus, beneficiadas nesse período com a prosperidade trazida pela borracha, já que, além de manter seu ateliê, também viaja em busca de trabalho. Parte desse material é encomendado pelas administrações locais como forma de divulgar uma imagem positiva da região. É autor do Álbum de Vistas do Pará (1899); Álbum de Belém (1902) e Álbum de Manaus-Amazonas (1901-1902), cujas fotos posteriormente alimentam a nascente indústria dos cartões-postais.

Fidanza participa da Exposição Nacional de Belas Artes de 1875; da Exposição de História do Brasil, de 1881; e da Exposição Universal de Paris, em 1889, onde recebe medalha de bronze. Em 1903, ao voltar de uma das diversas viagens à Europa,4 o fotógrafo se joga no mar, supostamente por causa de críticas a seu trabalho. Após o suicídio, Fidanza continuou sendo referência importante para a produção fotográfica da região, como indica o fato de seu ateliê, gerido após sua morte por Jayme da Costa Nunes e depois adquirido pela célebre Photografia Alemã, de George Huebner (1862-1935) e Libânio do Amaral, em 1906, ter preservado seu nome.

Análise

As imagens de Felipe Augusto Fidanza são ao mesmo tempo importante registro histórico e obras clássicas da fotografia oitocentista brasileira. Dentre os gêneros explorados pelo profissional estão os retratos, as imagens de gênero (registros de negros e índios) e as cenas da cidade em transformação. Estas últimas costumam atrair a atenção da crítica especializada por sintetizar, por meio de imagens de grande qualidade técnica e compositiva, o esforço perpetrado pela sociedade paraense de dar visualidade ao processo de modernização do estado, usando a fotografia como importante arma de convencimento. O resultado são cenas como o registro da movimentação em torno do mercado do Ver-o-Peso – composição de 1875 que prima pela limpeza e dinamismo da cena, graças à sobreposição dos mastros das embarcações, do fluxo de pessoas e da movimentação das carruagens – ou os diversos registros mostrando a abertura das grandes avenidas, o luxo interno do Teatro da Paz e a amplitude e a riqueza dos parques da cidade da Belém.

Além das vistas urbanas, ele realiza importantes registros de cunho etnográfico e de costumes, retratando não apenas a burguesia local, mas também fazendo diversos retratos de negros e índios. Existem fotos de sua autoria na coleção do geógrafo alemão Alfons Stübel.5 E é também autor de fotos clássicas da história paraense, como as que mostram a decoração realizada para receber dom Pedro II em visita à Belém em 1867 (consideradas como precursoras da fotorreportagem no Brasil) e os registros do funeral do músico Carlos Gomes (1836-1896).

Notas

1 KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro. São Paulo: IMS, 2002, p. 139.

2 PEREIRA, Rosa Cláudia Cerqueira. Fotografia e modernidade na cidade de Belém (1846-1908). Dissertação em história, UFPA, Belém, 2006, p. 67.

3 Idem, ibidem.

4 Sua morte foi anunciada em artigo publicado em 30 de janeiro de 1903 na Folha do Norte.

5 Imagens disponíveis em: http://ifl-leipzig.com.

Obras 14

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Exposições 10

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Fontes de pesquisa 14

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  • ERMAKOFF, George. O Negro na fotografia brasileira do século XIX. Tradução Carlos Luís Brown Scavarda. São Paulo: G.Ermakoff Casa Editorial, 2004.
  • FERREZ, Gilberto. A fotografia no Brasil: 1840- 1900. Prefácio Pedro Karp Vasquez. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. 248 p. (História da fotografia no Brasil, 1).
  • FREYRE, Gilberto; PONCE DE LEON, Fernando; VASQUEZ, Pedro Karp. O retrato brasileiro: fotografias da Coleção Francisco Rodrigues, 1840-1920. Rio de Janeiro: Funarte. Fundação Joaquim Nabuco, 1983.
  • KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.
  • KOSSOY, Boris. Origens e expansão da fotografia no Brasil: século XIX. Prefácio Boris Kossoy. Rio de Janeiro: Funarte, 1980. 128 p.
  • LAGO, Bia Corrêa do; LAGO, Pedro Corrêa do. Os fotógrafos do Império: a fotografia brasileira no século XIX. Tradução Lúcia Jahn. Rio de Janeiro: Capivara, 2005.
  • LAGO, Pedro Corrêa do; LAGO, Bia Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.
  • MARÇAL, Joaquim (org.). A coleção do imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1997. 71 p.
  • MIRANDA, Victorino Coutinho Chermont de. A memória paraense no cartão-postal: 1900-1930. Rio de Janeiro: Ed. Liney, 1986.
  • PEREIRA, Rosa Claudia Cerqueira. Paisagens urbanas: fotografia e modernidade na cidade de Belém (1846-1908). 2006. 190f. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal do Pará - UFPA, 2006.
  • SARGES, Maria de Nazaré: PEREIRA, Rosa Cláudia. Photographia Fidanza: um foco sobre Belém. Revista Estudos Amazônicos, vol. VI, n. 2 , p.1-31, 2011.
  • TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p. (Coleção Luz & Reflexão, 4).
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Tradução Bill Gallagher. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995.

Como citar

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