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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Benjamin R. Mulock

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.01.2017
18.06.1829 Reino Unido / Inglaterra / Stoke-on-Trent
17.06.1823
Reprodução fotográfica César Barreto/Itaú Cultural

Foz do Rio Vermelho, 1860
Benjamin R. Mulock
Albúmen
Coleção Gilberto Ferrez, Acervo do Instituto Moreira Salles

Benjamin Robert Mulock (Staffordshire, Inglaterra, 1829 - Londres, Inglaterra, 1863). Engenheiro civil e fotógrafo. Irmão da escritora Dinah Mulock Craik (1826-1887). Em 1840, em Londres, estuda piano. Em 1848, matricula-se na University College London. Estuda latim, matemática e filosofia natural [1], como preparação para engenharia.

Texto

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Biografia
Benjamin Robert Mulock (Staffordshire, Inglaterra, 1829 - Londres, Inglaterra, 1863). Engenheiro civil e fotógrafo. Irmão da escritora Dinah Mulock Craik (1826-1887). Em 1840, em Londres, estuda piano. Em 1848, matricula-se na University College London. Estuda latim, matemática e filosofia natural [1], como preparação para engenharia.

Entre 1850 e 1853, estabelece uma criação de ovinos na Austrália, também participando da “corrida ao ouro”. Com problemas na visão, trata-se na Suíça e Alemanha entre 1854 e 1955. Nesse ano, trabalha na Guerra da Criméia como engenheiro para o Army Works Corps. Em seguida, trabalha para os Correios de Liverpool, também com engenharia. É provável que aprenda a fotografar entre 1857 e 1958. Imagens dessa época aparecem num livro posterior: The Mellards and their Descendants. Produz também algumas fotografias estereoscópicas. No final de 1858 e em 1859, trabalha para o famoso fotógrafo J.J. Mayall (1813-1901). Nesse período, é contratado para fotografar, no Brasil, a construção da ferrovia Bahia and São Francisco Railway (BSFR). Entre 1859 e 1861, capta imagens da obra, sob a direção do engenheiro Charles Blacker Vignoles (1793-1875), defensor da documentação fotográfica de construções. Para a tarefa, que exige que vá ao interior, Mulock desenvolve um laboratório portátil. Nas viagens, fica bastante doente, possivelmente em decorrência de malária. As primeiras imagens públicas da ferrovia aparecem em 1860, no Illustrated London News. Em 1862, retorna à Inglaterra tendo produzido mais de 150 fotografias, incluindo um panorama de Salvador. Antes, um álbum da ferrovia é dado a dom Pedro II.

Comentário crítico
O exercício profissional da fotografia configura-se como um breve hiato na vida de Benjamin Mulock. Formado em engenharia num período de dificuldades da área, trabalha em diversos continentes e em variadas atividades. Viaja ao Brasil para fotografar a construção da ferrovia Bahia and São Francisco Railway: a quinta construída no país.

Instruído nos procedimentos técnicos da fotografia pouco antes de iniciar esse trabalho, parece ter sido justamente a sua formação em engenharia o dado decisivo para que seja contratado. O conhecimento téorico e prático do andamento das obras permite a Mulock decidir os pontos de vista mais adequados e os elementos indipensáveis para a melhor documentação visual, já que a atividade é pensada como um banco de dados útil para empreendimentos futuros da mesma natureza. Essa atitude não é isolada, posto que essa documentação ocorre concomitantemente com a captação que Auguste Stahl (1828-1877) realiza da Recife Railway, a partir de 1858, registrando o “progresso” pelo qual o Brasil vive, a exemplo da expansão ferroviária do Oeste norte-americano.

Entretanto, apesar da grande qualidade técnica impressa por Mulock, é grande o contraste com a obra de Stahl. Fotógrafo com uma sensibilidade estética muito apurada, não raro leva sua documentação a uma percepção poética dos objetos captados. Aquele, por sua vez, opera em uma chave na qual parece lhe interessar mais uma “visão direta” da realidade. A paisagem, construída ou natural, lhe interessa na medida em que dela possa extrair um conhecimento racional. Uma resposta emocional não encontra, portanto, lugar em sua obra.

Notas
[1] A filosofia natural é um ramo de conhecimentos que, no século XIX, envolve entre outras matérias o estudo da  astronomia, cosmologia, geologia, física e quimíca.

Obras 10

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Reprodução fotográfica César Barreto/Itaú Cultural

Cidade Baixa

Albúmen

Exposições 17

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Fontes de pesquisa 17

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  • A FOTOGRAFIA no Brasil do século XIX: 150 anos do fotógrafo Marc Ferrez 1843/1993. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1993.
  • Ancestors of David Robarts. Disponível em: . Acesso em: 14 set. 2011. Não catalogada
  • BILLETER, Erika. Fotografie Lateinamerika von 1860 bis heute. Berna: Benteli, 1981.
  • BOURRIER, Karen. Narrating Insanity in the letters of Thomas Mulock and Dinah Mulock Craik. Victorian Literature and Culture (2011), 39, 203-222. Cambridge Journals Online. Disponível em: http://www.foreignpolicybulletinmonitor.com/action/displayFulltext?type=1&fid=8112834&jid=VLC&volumeId=39&issueId=01&aid=8112832. Acesso em: 14 set. 2011.
  • FABRIS, Annateresa (org.). Fotografia: usos e funções no século XIX. São Paulo: Edusp, 1991. (Coleção texto & arte, 3).
  • FERREZ, Gilberto. A fotografia no Brasil: 1840- 1900. Prefácio Pedro Karp Vasquez. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. 248 p. (História da fotografia no Brasil, 1).
  • FERREZ, Gilberto. Bahia: velhas fotografias 1858/1900. 2. ed. Rio de Janeiro: Kosmos, 1999.
  • FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J. Pioneer photographers of Brazil: 1840 - 1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976.
  • HANNAVY, John (ed.). Encyclopedia of Nineteenth-Century Photography. Oxford: Routledge, 2007. Não catalogada
  • KOSSOY, Boris. Origens e expansão da fotografia no Brasil: século XIX. Prefácio Boris Kossoy. Rio de Janeiro: Funarte, 1980. 128 p.
  • LAGO, Bia Corrêa do; LAGO, Pedro Corrêa do. Os fotógrafos do Império: a fotografia brasileira no século XIX. Tradução Lúcia Jahn. Rio de Janeiro: Capivara, 2005.
  • MARÇAL, Joaquim (org.). A coleção do imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1997. 71 p.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, São Paulo, SP. O olhar distante. Curadoria Jean Galard, Pedro Corrêa do Lago; assistência de curadoria Mariana Cordiviola; tradução Alain François, Contador Borges, Tina Delia, John Norman, Eduardo Hardman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, São Paulo, SP. O olhar distante. Curadoria Jean Galard, Pedro Corrêa do Lago; assistência de curadoria Mariana Cordiviola; tradução Alain François, Contador Borges, Tina Delia, John Norman, Eduardo Hardman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000. ------
  • Mulock Family Tree. Disponível e: . Acesso em: 14 set. 2011. Não catalogada
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Tradução Bill Gallagher. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995.

Como citar

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