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Artes visuais

Nelly Gutmacher

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.04.2021
1941 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Nelly Kalichman Gutmacher (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1941). Artista plástica e arteterapeuta. Com colagens e esculturas em cerâmica, explora temas relacionados à condição da mulher no mundo, denunciando, por meio de simbolismos e imagens arquetípicas, questões como a desigualdade de gênero, o erotismo feminino e a idealização de padrões de...

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Nelly Kalichman Gutmacher (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1941). Artista plástica e arteterapeuta. Com colagens e esculturas em cerâmica, explora temas relacionados à condição da mulher no mundo, denunciando, por meio de simbolismos e imagens arquetípicas, questões como a desigualdade de gênero, o erotismo feminino e a idealização de padrões de beleza e comportamento impostos às mulheres.

Participa de cursos entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970 com os artistas Ivan Serpa (1923-1973) e Anna Bella Geiger (1933), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e dedica-se a experimentações com colagens. Com forte inspiração dadá e surrealista, cria imagens de corpos femininos fragmentados e distorcidos, revelando sentimentos como frustração, desejo e estranhamento com a própria subjetividade. Ao produzir fotomontagens, articula afetos contraditórios acerca de sua condição de mulher, artista, mãe e esposa.

Realiza sua primeira exposição individual em 1972, no Instituto Brasil-Estados Unidos (Ibeu), no Rio de Janeiro, onde apresenta uma série de suas fotomontagens. É com esses trabalhos que recebe, entre outros, o Prêmio Aquisição do 3º Salão Nacional de Belo Horizonte e do Salão Nacional de Artistas Jovens de Campinas, e o segundo lugar na Bienal Nacional São Paulo, todos em 1972. Em 1973, é indicada pelos críticos de arte Walmir Ayala (1933-1991) e Antonio Bento (1902-1988) a representar o Brasil na 8ª edição da Bienal de Paris, e no ano seguinte participa do 6º Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro. 

Passa a dar aulas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), Rio de Janeiro, em 1978, onde ministra, a princípio, cursos de colagem. É na instituição carioca que no início dos anos 1980 começa a dividir um estúdio com a ceramista Celeida Tostes (1929-1995). A partir de então, Gutmacher passa das fotomontagens para a criação de objetos tridimensionais, em que molda partes do próprio corpo no gesso, para em seguida transformar esses fragmentos em objetos de cerâmica. Com esse exercício, cria a série Arqueologia do Desejo (fragmentos), apresentada em 1982 numa exposição individual na Galeria Aktuel, no Rio de Janeiro. 

Nas peças da mostra, pesquisa a linguagem e a memória do corpo, e, como em um sítio arqueológico, dispõe frações de um todo que remetem ao erotismo do corpo feminino (seios, ancas, hímen, ventre). No texto escrito para a exposição, o crítico de arte Frederico Morais (1936) afirma que é do encontro entre Celeida Tostes e Nelly Gutmacher que surge a “escola carioca” de cerâmica, na qual se destacam temáticas femininas, a busca pela valorização do objeto cotidiano, uma espécie de pesquisa arqueológica e a procura por certa primitividade.

Em 1986, a convite da psicóloga Denise Corrêa, é convidada a montar um ateliê na instituição psiquiátrica Colônia Juliano Moreira, no bairro Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Ao lado da artista Carla Guagliardi (1956), sua estagiária na época, atua na ala feminina da Colônia até 1988, ano que organiza no Paço Imperial (Rio de Janeiro) a exposição O ar subterrâneo, em que reúne trabalhos produzidos pelas internas. Entre o grupo de pacientes que frequenta o ateliê, estava a poeta Stela do Patrocínio (1941-1997), com quem Nelly interage e obtém, segundo ela, um aprendizado humano. Nelly grava em fita cassete as falas em forma de poesia oral de Stela, que anos mais tarde são transcritas, organizadas e publicadas pela escritora Viviane Mosé (1964).

O ritualismo é outra característica presente em grande parte da obra de Nelly Gutmacher. Nas instalações O sol e a lua (1988) e Filhos do fogo (1989), ambas apresentadas na Galeria Cândido Mendes (Rio de Janeiro), a artista utiliza materiais como o carvão mineral, o fogo, a luz e o barro, remetendo a um universo mítico da relação do homem com a terra e a um retorno ao primitivismo e ao silêncio. Para a crítica Ligia Canongia, é nesse momento que os aspectos psíquicos do trabalho da artista perdem os últimos vestígios do surrealismo.

Entre 1995 e 2007, Gutmacher atua como terapeuta junguiana, período em que se aprofunda na atividade de arteterapeuta. Passa então a ministrar oficinas para crianças em creches e escolas, além de auxiliar o ator e diretor Sergio Britto (1923-2011) na preparação de atores para peças e filmes.

A partir dos anos 2000, a artista passa a utilizar a pintura e a fotografia como plataforma de criação. Nelly registra cenas de sua vida doméstica, e as imagens são impressas em lona ou canvas. Posteriormente, ganham uma camada de pintura. Assim como acontece nas fases anteriores de sua produção, há nas obras mais recentes de Gutmacher a ideia de recorte e colagem, por meio da qual o mundo cotidiano e o mundo sensível se sobrepõem num acúmulo de imagens e símbolos.   

A obra de Nelly Gutmacher é envolta de um universo simbólico que revela ao espectador dados de sua própria vida, de seu corpo e de sua percepção do mundo como mulher. As imagens criadas pela artista, seja no campo bidimensional, seja no tridimensional, são carregadas de um dualismo entre a realidade e o sonho, a matéria e o etéreo.

Exposições 16

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