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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Romero de Andrade Lima

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.01.2017
03.12.1957 Brasil / Pernambuco / Recife
Registro fotográfico Heloisa Greco Bortz

Romero de Andrade Lima em cena de Auto da Paixão, 1993
Heloisa Greco Bortz, Romero de Andrade Lima
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Romero de Andrade Lima (Recife, Pernambuco, 1957). Diretor, autor, cenógrafo e figurinista. Encenador e diretor de arte que transmite em suas criações o clima e os ingredientes da cultura popular nordestina.

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Biografia

Romero de Andrade Lima (Recife, Pernambuco, 1957). Diretor, autor, cenógrafo e figurinista. Encenador e diretor de arte que transmite em suas criações o clima e os ingredientes da cultura popular nordestina.

Estreia em 1991, como diretor de arte do espetáculo Figural, de Antonio Nóbrega (1952). Neste ano, como participante da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, concebe e dirige O Jardim Fechado, um passeio poético-erótico por textos de Federico García Lorca (1898-1936), Manuel Bandeira (1886-1968), Georges Bataille (1897-1962), Rei Salomão, Xeique Nefzaui e Bráulio Tavares (1950), primeira adaptação e incursão cênica do então artista plástico. Em 1992, chama a atenção dirigindo, cenografando e criando os figurinos do premiado Brincante, de Bráulio Tavares, espetáculo que revela Antônio Nóbrega na personagem Tonheta. Em 1993, dentro da galeria de Renato Magalhães Gouvêa, no Jardim Europa, lança Auto da Paixão, Doze Cânticos de Amor e Morte, um oratório processional que percorre os passos da Paixão. O grupo passa a denominar-se Circo Branco, recorrendo, nas criações posteriores, a este fabulário nordestino impregnado de cânticos e ladainhas. O crítico Jefferson Del Rios comenta: "Desta vez, o que era arte plástica ganhou movimento quando, ao expor uma coleção de esculturas ligada ao tema bíblico da Paixão, Romero concebeu uma animação dramática para estes trabalhos, herdeiros da tradição imagística que vem dos bonecos de feira, carrancas de barcos do São Francisco e chegam a Francisco Brennand. O resultado é uma volta ao auto medieval mas com musicalidade leiga e o acento pagão do cordel".1 Ainda em 1993, surge Bandeira da Divina Graça, Quinze Cânticos de Amor e Inocência, nova incursão sobre cantorias populares.

No ano seguinte, fechando a trilogia com as obras anteriores, surge Mallo, Nove Cânticos de Amor e Perdição, dentro do evento O Avesso do Carnaval, deslocando o enfoque religioso para as disputas amorosas, mas mantendo os mesmos registros estéticos anteriores. Em 1995, lança com o grupo, As Suplicantes, de Ésquilo, voltando seu olhar para uma tragédia clássica e dando-lhe um tratamento visual inspirado nas cores e tons do Nordeste. Em 1996, com a Trupe Romançal de Teatro no Recife, recria a tragédia de Romeu e Julieta, introduzindo novamente o tom e o gestual de sua terra natal.

Em 1997 estréia O Auto do Rico Avarento, Milagre Mariano, de Ginu do Mamulengo e Silvino Pirauá, nova produção da Trupe Romançal de Teatro. No mesmo ano, cria versão teatral para o prestigiado romance A Pedra do Reino, de seu tio Ariano Suassuna (1927-2014). Em 1998 surgem duas criações, novamente com o Circo Branco: Maria Borboleta, baseado em Mme. Butterfly e Risoflora, novo espetáculo musical.

O universo de Federico García Lorca é enfocado pelo encenador em Yerma, criado em 1998 para o evento do Sesc Lorca na Rua, reunindo três espetáculos de teatro sobre caminhões, e percorrendo pequenas cidades do Estado de São Paulo. Sobre a montagem, comenta o crítico Nelson de Sá: "É difícil imaginar um encenador, hoje no país, mais indicado para dirigir, melhor ainda, para aproximar Federico García Lorca dos brasileiros. Romero de Andrade Lima carrega na carreira e no sangue - ele que se tornou 'armorial' ouvindo de Ariano Suassuna, em casa - um ideal estético que não distingue fronteiras claras entre o Nordeste e a Península Ibérica [...] São fontes como a 'era do ouro' espanhola e as tragédias gregas - além do brilho e das sombras do catolicismo".2

A Lira dos Quinhentos Anos, comemorando a data da descoberta do Brasil, participa da Mostra dos Quinhentos Anos na Marquise do Parque do Ibirapuera, em 2000. E sobe a cena, em 2002, no Sesc Belenzinho, Presépio da Paz, performance em que treze estátuas, confeccionadas por Romero e ligadas ao universo do nascimento de Jesus, são conduzidas pelos intérpretes, uma a uma, ao centro do palco, sob o som de cânticos e hinos.

Como figurinista, Romero destaca-se em algumas realizações, como em 1990, com A Vida é Sonho, de Calderón de la Barca (1600-1681), encenação premiada de Gabriel Villela (1958), e em Trono de Sangue, baseado em Macbeth, de William Shakespeare, criação de Antunes Filho (1929), para o Centro de Pesquisa Teatral (CPT), em 1994.

Auto da Paixão inspirou ao comentarista Marcelo Coelho as seguintes considerações: "O espetáculo de Romero de Andrade Lima é das coisas mais puras e emocionantes que já vi. Não é uma peça: é uma procissão, um rito puro e simples, despojado e sertanejo, que encena essa elegância dura e simples das coisas do Nordeste".3

Notas

1. RIOS, Jefferson. Auto volta a era medieval com acento pagão de cordel. São Paulo, O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 17 de julho de 1993.

2. SÁ, Nelson. Yerma aproxima García Lorca do Brasil. São Paulo, Folha de S.Paulo, Ilustrada, 07 de agosto de 1998.

3. COELHO, Marcelo. A felicidade dos infelizes. Folha de S.Paulo, São Paulo.

Obras 1

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Espetáculos 35

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Exposições 5

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Fontes de pesquisa 4

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Romero de Andrade Lima (ficha curricular) In: ___________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço.
  • Programa do Espetáculo - A Mais Bela História de Adeodata - 2002.

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