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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Laura Lima

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.06.2021
29.04.1971 Brasil / Minas Gerais / Governador Valadares
Reprodução fotográfica da artista

Sem título, 1996, 1996
Laura Lima
Atriz, gelatina diluida em agua e corda

Laura Cristina Braga Lima (Governador Valadares, Minas Gerais, 1971). Artista visual. Reconhecida por ser a primeira artista brasileira a ter obras adquiridas por um museu brasileiro, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), na categoria Performance, em 2000. Sua obra é apresentada com seres vivos como matéria e rejeita categorias cristal...

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Laura Cristina Braga Lima (Governador Valadares, Minas Gerais, 1971). Artista visual. Reconhecida por ser a primeira artista brasileira a ter obras adquiridas por um museu brasileiro, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), na categoria Performance, em 2000. Sua obra é apresentada com seres vivos como matéria e rejeita categorias cristalizadas no vocabulário de arte.

Radicada no Rio de Janeiro desde o final da adolescência, gradua-se em filosofia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), simultaneamente aos estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), de 1991 a 1994. Com a interseção entre filosofia e artes visuais, constrói as bases de seu pensamento, criando um aparato teórico e prático que explora conceitos como carnalidade, representação e ornamentação. 

Vaca da Montanha (1994) é uma obra emblemática do início de seu processo artístico. Apresentada em sua primeira exposição coletiva, Solstício, realizada na Praia do Arpoador, em Ipanema, a artista leva uma vaca da montanha para passar um dia numa praia urbana. Ao final do dia, o músico e escritor Jorge Mautner (1941) toca violino para a vaca. Laura argumenta que o deslocamento e a imagem do animal são marcos para o início de seus trabalhos com seres vivos, depois de um período de experimentação inicial com coisas mortas e putrefatas.

Interessada pela história da arte, Laura Lima busca questionar os cânones por meio do desenvolvimento de um léxico próprio. Devido à sua formação sem uma ênfase técnica, cria processos que trabalham mais densamente a parte simbólica e conceitual da obra, por meio de um sistema de anotações de desenhos e palavras e um glossário intrínseco, em que busca definir suas intenções de mundo e paradoxos. A obra com a vaca, as anotações e a filosofia conformam o início do que vem a se tornar a equação Homem=carne/Mulher=carne (1994), um conjunto de diversas obras em que a presença é delegada a outros seres vivos, especialmente humanos, e que trata da carnalidade da existência, das coisas e do mundo. Os seres que participam recebem tarefas a serem cumpridas e são entendidos como matéria=carne, hierarquicamente iguais aos demais aparatos que compõem a obra.

É importante mencionar que há uma ética: as instruções são transmitidas por meio de partituras, elaboradas especificamente para cada obra, nunca são ensaiadas e ocorrem pela primeira vez diante do público, abertas ao tempo presente. Deste conjunto, destaca-se Homem=carne/Mulher=carne – Puxador Paisagem (1999-2013), na qual um homem nu tem os ombros envoltos em uma fita resistente, que por sua vez se ramifica em outras fitas idênticas, fixadas em pontos da arquitetura e da natureza ao redor, formando uma teia que tensiona as paredes do museu e a paisagem exterior. Dois alicerces se confrontam e se unem em um só vetor. Ambos são matéria e se equivalem no momento que se tornam imagem. O homem empenha-se, com força, em puxar a paisagem para dentro do museu, questionando os limites da instituição e o campo de visibilidade da arte. O labor do homem=carne é inútil e fadado ao fracasso. Seu esforço insistente, porém, não deixa de desenhar no espaço a possibilidade de transformá-lo radicalmente, como se quisesse mostrar o avesso da cena.

A pesquisa da artista evidencia um modus operandi que ultrapassa a formalidade dos suportes, para inseri-los em uma discussão mais ampla sobre como o comportamento humano reage à complexidade das relações sociais. Nesta esteira, destaca-se a obra site-specific The Inverse (2016), realizada no átrio do Institute of Contemporary Art [Instituto de Arte Contemporânea], em Miami. Cordas de náilon trançadas envolvem as vigas do átrio e, à medida que o emaranhado vai se desfazendo, um único fio conduz o espectador para um par de pernas abertas femininas que está deitado sobre o chão e emerge da parede. A mulher está pela metade e sua vagina se conecta ao espaço. Seu corpo, da cintura para cima, está oculto, “dentro” da parede, como em Biombos (2009), obra na qual braços e mãos saem das paredes para realizar tarefas simples, como desenhar e bater palmas. 

Laura participa de importantes bienais nacionais e internacionais, como a Bienal de São Paulo (2006 e 2013), a Bienal de Lyon (2011) e a Bienal de Habana (2012). É cofundadora da galeria de arte A Gentil Carioca (2008), com os artistas Ernesto Neto (1964) e Márcio Botner (1970). Em 2014, é contemplada com o Bonnefanten Award for Contemporary Art (BACA), o mais prestigioso prêmio holandês dado a um artista internacional.

Por meio de uma pesquisa que explora o insondável e escorregadio universo dos seres vivos, Laura Lima questiona conceitos tradicionais e desafia o papel do corpo no contemporâneo, acessando um vasto repertório de suportes, trabalhados no campo ampliado pela artista.

Obras 8

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Reprodução fotográfica Rochelle Costi

Capuzes

Atores, adereço de tecido
Reprodução fotográfica Luigi Stavale

Galinhas de Gala

Galinhas com plumas coloridas/galinheiro em madeira, tela plástica e telha cerâmica
Reprodução fotográfica Luigi Stavale

Galinhas de Gala

Galinhas com plumas coloridas/galinheiro em madeira, tela plástica e telha cerâmica

Exposições 84

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Feiras de arte 2

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Palestras 1

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Mídias (1)

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Laura Lima - Enciclopédia Itaú Cultural
Laura Lima usa modelos vivos, animais e vegetais como suporte de suas criações. Apesar de dispensar a terminologia “performance”, foi a primeira artista brasileira a ter adquiridas obras nessa categoria por um museu brasileiro, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1995: “O pensamento é uma coisa viva, sou muito ligada nesse movimento constante. Não entendo o meu trabalho no sentido de performance historicamente, os corpos sempre são transformados em carne, objetos, têm tarefas. O corpo pode ser visto como um barro que se molda”, explica ela. São exemplos as obras O Monte de Irônicos, que traz pessoas vestidas de palhaços, e O Galinheiro de Gala, na qual constrói um galinheiro com galinhas caipiras de verdade que têm plumagens artificiais acopladas às penas naturais por meio de técnica de alongamento utilizada em cabelos humanos.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 11

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