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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Raymundo Ottoni de Castro Maya

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.08.2016
1894 França / Ile de France / Paris
1968 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Raymundo Ottoni de Castro Maya (Paris, França 1894 - Rio de Janeiro RJ 1968). Industrial, bacharel de direito, mecenas, editor de livros, colecionador de arte. Criado no Rio de Janeiro, Castro Maya, empresário bem-sucedido e dono da Cia. Carioca Industrial, é um defensor do patrimônio histórico, artístico e natural do Rio de Janeiro. Importante ...

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Biografia
Raymundo Ottoni de Castro Maya (Paris, França 1894 - Rio de Janeiro RJ 1968). Industrial, bacharel de direito, mecenas, editor de livros, colecionador de arte. Criado no Rio de Janeiro, Castro Maya, empresário bem-sucedido e dono da Cia. Carioca Industrial, é um defensor do patrimônio histórico, artístico e natural do Rio de Janeiro. Importante colecionador de arte no Brasil, entre os anos de 1920 e 1968 descobre e adquire quase a totalidade dos cerca de 22 mil itens de sua coleção, entre peças de arte, livros e documentos históricos. Seu acervo vai da pintura de paisagem ao abstracionismo, passando pelo impressionismo, fauvismo, cubismo, pontilhismo e surrealismo. Essa coleção de arte começa quando seu pai o engenheiro Raymundo de Castro Maya arremata telas de paisagistas franceses como Gustave Courbet (1819 - 1877), Louis Bélanger (1756 - 1816) e Henri Rousseau (1844 - 1910) em leilão em Paris, no fim do século XIX. Depois são adquiridas obras de Constant Troyon (1810 - 1865), Rosa Bonheur (1822 - 1899) e outros, entre 1900 e 1921. A essa coleção herdada, Castro Maya continua sempre acrescentando obras de artistas representativos dos mais variados movimentos.

Nas décadas de 1940 a 1960, ele compra pinturas, desenhos e gravuras de vários artistas europeus, entre eles Constantin Guys (1802 - 1892), Claude Monet (1840 - 1926), Berthe Morisot (1841 - 1895), Henri Matisse (1869 - 1954), Pablo Picasso (1881 - 1973), Salvador Dalí (1904 - 1989), Georges Seurat (1859 - 1891), Edgar Degas (1834 - 1917) e Joán Miró (1893 - 1983). Sua coleção de arte européia tem peças avulsas como um torso helenístico de século IV a.C. e os blackmoors, esculturas decorativas da Veneza setecentista. Castro Maya forma, entre as décadas de 1940 e 1960,  importante coleção de pinturas, desenhos e gravuras de Candido Portinari (1903 - 1962) e reúne telas de artistas como Guignard (1896 - 1962), Di Cavalcanti (1897 - 1976), José Pancetti (1902 - 1958), Alfredo Volpi (1896 - 1988), Iberê Camargo (1914 - 1994), Antonio Bandeira (1922 - 1967) e Manabu Mabe (1924 - 1997).  Esculturas de Bruno Giorgi (1905 - 1993), Mario Cravo Júnior (1923) e trabalhos de Castagneto (1851 - 1900), Eliseu Visconti (1866 - 1944), Baptista da Costa (1865 - 1926) e Belmiro de Almeida (1858 - 1935) também são incorporados ao acervo.

Sua coleção de arte brasileira vai da produção indígena ao modernismo, e abarca quase quatro séculos de Brasiliana, em cerca de 1.700 imagens avulsas. No acervo estão cartas geográficas gravadas a buril por Frederik de Wit, Henricus Hondius, Gio Cassini e Antonius Gallus, óleos de João Francisco Muzzi (séc. XVIII - 1802), Frans Post (1612 - 1680), Bertichen (1786 - ca.1866), Vidal (1791 - 1861), Nicolas Taunay (1755 - 1830), Quinsac Monvoisin (1794 - 1870), Bauch (1828 - ca.1890) e Faux, aquarelas, desenhos, guaches e gravuras de Rugendas (1802 - 1858) e Clarac. Em 1939, Maya faz negociação com a Casa Brasileira de Paris, dirigida pelo marchand Roberto Heymann, para aquisição de 490 aquarelas e 61 desenhos de Debret (1768 - 1848), que pertencem à família do pintor. Os artistas-viajantes fascinam Castro Maya, uma vês que transpõem a estrutura representativa européia para a realidade brasileira. Sua coleção de arte brasileira conta com esculturas do século XVIII de Mestre Valentim (ca.1745 - 1813) e de ceramistas nordestinos, como Mestre Vitalino (1909 - 1963). Há também cerca de 400 peças de arte oriental, provenientes da China, Índia e Tailândia, com destaque para o conjunto de xilogravuras de Katsushika Hokusai (1760 - 1849), Torii Kiyonobu I (1664 - 1729) e Ando Hiroshige (1797 - 1858).

A convite do amigo e então prefeito do Rio de Janeiro, Henrique Dodsworth, em 1943 passa a coordenar a remodelação da Floresta da Tijuca, recebendo um salário simbólico. Ele ocupa a função até o fim de 1946. Ainda em 1943, cria a Sociedade os Cem Bibliófilos do Brasil, por meio da qual edita para os seus sócios 23 livros de literatura brasileira com ilustrações de Poty (1924 - 1998), Candido Portinari, Aldemir Martins (1922), Babinski (1931), Di Cavalcanti, entre outros.

Em 1948, Castro Maya tem papel ativo na fundação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, do qual é o primeiro presidente. Em 1952, funda a sociedade Os Amigos da Gravura. Por meio das sociedades artísticas de que participa, estimula artistas como Lívio Abramo (1903 - 1992), Fayga Ostrower (1920 - 2001), Oswaldo Goeldi (1895 - 1961), Marcelo Grassmann (1925) e Eduardo Sued (1925). Em 1964 e 1965, Castro Maya coordena a comissão organizadora do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, onde também é editor da revista Rio, criada para a ocasião. Ele constrói a Fundação Raymundo Ottoni de Castro Maya em 1963, e o Museu do Açude é aberto ao público, em 1964, em propriedade herdada de seu pai. Em 1967, Castro Maya assume trabalho na Câmara do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Conselho Federal de Cultura. Em 1972, após sua morte, é aberto o Museu da Chácara do Céu, no Alto da Boa Vista, em propriedade deixada por ele para a Fundação, com projeto arquitetônico de Wladimir Alves de Souza, feito em 1956.

Em 1983, a Fundação Raymundo Ottoni de Castro Maya é extinta, e seu patrimônio passa a constituir os Museus Castro Maya (Museu do Açude e Museu da Chácara do Céu), integrados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan do Ministério da Cultura.

Exposições 2

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Fontes de pesquisa 3

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  • CASTRO Maya colecionador de Debret. Texto Rafael Cardoso, Vera Beatriz Siqueira, Julio Bandeira. São Paulo: Capivara, 2003. 264 p., il. color.
  • MAYA, Raymundo Ottoni de Castro. A Floresta da Tijuca. Rio de Janeiro, Bloch, 1967.
  • SIQUEIRA, Vera Beatriz Cordeiro. A Riqueza pelas coisas: a Coleção de Raymundo Ottoni de Castro Maya. 1999. Tese (Doutorado em História Social) - Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro - IFCS/UFRJ, Rio de Janeiro, 1999.

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