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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Vilma Pasqualini

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.01.2021
1930 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
19.07.2012 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Pintura Dois, 1976
Vilma Pasqualini
Técnica mista sobre madeira, c.i.e.
99,50 cm x 150,50 cm

Vilma Faria Pasqualini (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1930 – Idem, 2012). Pintora, ilustradora e professora. Representante da nova figuração brasileira, utiliza a pintura para investigar as representações do corpo feminino. 

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Vilma Faria Pasqualini (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1930 – Idem, 2012). Pintora, ilustradora e professora. Representante da nova figuração brasileira, utiliza a pintura para investigar as representações do corpo feminino. 

Pasqualini inicia sua formação em 1946, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EBA/UFRJ). Frequenta o curso de gravura do artista franco-alemão Johnny Friedlaender (1912-1992), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), em 1959, e estuda crítica de arte com o professor José Roberto Teixeira Leite (1930), no Museu Nacional de Belas Artes (MnBA), em 1964.

Entre 1959 e 1961, viaja pela Europa e África, e passa a maior parte do tempo em Paris. Retorna ao Brasil em 1962, quando começa a produzir seus primeiros trabalhos da fase adulta. 

O corpo de sua obra apresenta duas fases, com a figura feminina central em ambas. A primeira fase tem início em 1962, quando a artista retorna da Europa. Nesse período, utiliza em seus trabalhos papéis amassados e areia misturada à tinta a óleo, que confere volume e manchas às superfícies das telas. A figura feminina é retratada com certa ironia, geralmente desnuda e com corpos volumosos, como em Corpo de Mulher (1963) e Negro Rosa (1963). Esse aspecto material e técnico confere às obras certo primitivismo. Segundo a pesquisadora Talita Trizoli (1984), também estabelece um vínculo modernista com as experimentações da vanguarda figurativa francesa, como a art brüt1 do artista Jean Dubuffet (1901-1985), mais especificamente a série Corps de Dame, do início da década de 1950.

A segunda fase de Pasqualini inicia-se gradualmente na década de 1960, e se estabiliza em meados de 1966. A artista continua com os estudos do corpo feminino, no entanto altera sua linguagem, aproximando-a do kitsch e do pop, com uma figuração de eco impressionista. Mulheres de pele clara aparecem envoltas em uma atmosfera íntima, entre tecidos e animais de estimação, em sua maioria cães. As figuras de animais aparecem como índice de afeto e desejo, às vezes sobre os ombros das mulheres em repouso voyeurístico, ou sobre o colo, escondendo as partes íntimas, como em Mulher com Cão (1960), Mulher e Cão (1965), e Mulher e Gato (1965).

Integra a 7ª Bienal de São Paulo (1963) com quatro pinturas: Negro Rosa, Corpo de Mulher, Paisagem da Vaca e Instantâneo. A partir de então, participa extensamente de exposições coletivas, bienais e salões de arte. Realiza sua primeira individual em 1964, na Galeria Vila Rica, no Rio de Janeiro. Entre as coletivas e bienais, destacam-se a 4ª Bienal de Paris (1965); a Opinião 65 e Opinião 66, no MAM-Rio (1965 e 1966); a 8ª e 9ª edições da Bienal de São Paulo (1965 e 1967).

A exposição Opinião 65 reúne pela primeira vez os artistas da nova figuração brasileira. Vilma Pasqualini é a única mulher presente e sua participação se dá com Retrato no Parque (1965), pintura a óleo sobre madeira. A obra retrata dois personagens circenses de forma caricatural, e envolve uma lógica pop ao convidar o espectador a interagir com o trabalho através de um espelho.

O crítico e curador Frederico Morais (1936) comenta sobre a artista: “Vilma Pasqualini foi uma das primeiras pintoras brasileiras a assumir corajosamente a problemática da mulher, em nome próprio, e não no de movimentos feministas. Porque sua pintura é, no melhor sentido, feminina. Vilma assumiu a problemática da mulher antes de Maria do Carmo Secco, antes de Regina Vater, antes de Pietrina Checcacci ou Emi Mori”2

Já o crítico Olívio Tavares de Araújo, salienta o traço autorreferencial das suas obras: “A figura feminina em Pasqualini é um imperativo, não tanto por seu lugar já sedimentado nos cânones da história da arte, a ponto de se tornar um clichê temático, mas principalmente por se tratar de um signo já integrado ao imaginário coletivo com potencial de auto referencialidade”3.

Além da atividade como pintora, Pasqualini se destaca com seu trabalho de ilustração. Sua formação inclui cursos de propaganda, estética e artes gráficas na Associação Brasileira de Propaganda e no Senai (1969). Entre 1968 e 1978, atua como ilustradora na Revista Esso, no Jornal do Brasil, no Ministério dos Transportes, e nas editoras Expressão e Cultura, Nova Fronteira, Presença, Difel e Agir. Participa de exposições gráficas nacionais e internacionais, como a 7ª Biennale des Arts Graphiques [7ª Bienal de Artes Gráficas], na Tchecoslováquia, em 1976.

A artista desempenha um importante trabalho na academia. Na década de 1970, muda-se para Minas Gerais, onde é a primeira professora do Departamento de Desenho do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Juiz de Fora. Leciona na universidade de 1971 a 1978, e atua estrategicamente na criação do curso de desenho e plástica. Interrompe sua atividade como professora ao receber o prêmio de viagem ao estrangeiro do 25º Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1976), quando então parte para Nova York, onde frequenta os cursos de gravura do Pratt Graphics Center e do Art Students League [Liga de estudantes de Arte].

A atuação de Vilma Pasqualini como pintora e ilustradora contribui com a circulação nacional e internacional da arte brasileira. Sua pesquisa acerca da figura feminina colabora com os estudos sobre a representatividade da mulher nas artes visuais.

 

Notas:

1. A expressão art brüt é concebida em 1945 pelo pintor francês Jean Dubuffet para designar a arte livre da influência de estilos oficiais ou das imposições do mercado da arte.

2. MORAIS, Frederico. A 'erotização' em Vilma Pasqualini. O Globo, Rio de Janeiro, 30 nov. 1976, p. 38.

3. ARAÚJO, Olívio Tavares. O filão erótico. Revista Veja, São Paulo, 16 jun. 1976, p. 108.

Obras 1

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Pintura Dois

Técnica mista sobre madeira

Exposições 39

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Fontes de pesquisa 20

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  • ARAÚJO, Olívio Tavares. O filão erótico. Revista Veja, São Paulo, 16 jun. 1976, p. 108.
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  • AYALA, Walmir. Arte brasileira. Prefácio Pietro Maria Bardi. Rio de Janeiro: Colorama, s.d. 759.98104 A973a
  • BIENAL DE SÃO PAULO, 7., 1963, São Paulo. Catálogo 7ª Bienal de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal São Paulo, 1963, 588 p. Exposição realizada no período de 28 set. a 22 dez. 1963.
  • BIENAL DE SÃO PAULO, 8., 1965, São Paulo. Catálogo 8ª Bienal de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal São Paulo, 1965, 616 p. Exposição realizada no período de 4 set. a 28 nov. 1965.
  • BIENAL DE SÃO PAULO, 9., 1967, São Paulo. Catálogo 9ª Bienal de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal São Paulo, 1967, 711 p. Exposição realizada no período de 22 set. a 8 dez. 1967.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • MORAIS, Frederico. A 'erotização' em Vilma Pasqualini. O Globo, Rio de Janeiro, 30 nov. 1976, p. 38.
  • MOSTRA “Testemunhos Possíveis” celebra os 10 anos do IAD. UFJF Notícias, Juiz de Fora, 11 jan. 2017. Seção Cultura e Arte. Disponível em: https://www2.ufjf.br/noticias/2017/01/11/mostra-testemunhos-possiveis-celebra-os-10-anos-do-iad/. Acesso em: 22 maio 2020.
  • OPINIÃO 65. Curadoria e apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro). RJbanerj 1985/o
  • OPINIÃO 65. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento81812/opiniao-65-1965-rio-de-janeiro-rj. Acesso em: 22 maio 2020. Verbete da Enciclopédia.
  • PASQUALINI, Vilma. Vilma Pasqualini: pinturas. Rio de Janeiro, Cimeira Artes, 1985. Não catalogado
  • PASQUALINI, Vilma. Vilma Pasqualini: pinturas. Rio de Janeiro, Cimeira Artes, 1985. não paginado, il. color.
  • PASQUALINI, Vilma. [Currículo]. Enviado pela filha da artista, Maria Vilma Pasqualini Ferreira, em: 20 maio 2020.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987. 709.8104 Cg492pr
  • REIS, Paulo Roberto De Oliveira. Exposições de Arte – vanguarda e política entre os anos 1965 e 1970. 2005. 219 f. Tese (Doutorado em História da Arte) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2005. Disponível em: https://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/2397/tese.pdf?sequence=1. Acesso em: 8 jan. 2021.
  • TRIZOLI, Talita. Atravessamentos Feministas: um panorama de mulheres artistas no Brasil dos anos 60/70. 2018. 434 f. Tese (Doutorado em Filosofia da Educação) - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-03122018-121223/publico/TALITA_TRIZOLI_rev.pdf. Acesso em: 8 jan. 2021.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1. 709.81 H673 v.1

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