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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Navarro da Costa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
25.09.1883 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
06.02.1931 Itália / Toscana / Florença
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Marinha, 1915
Navarro da Costa
Óleo sobre madeira, c.i.e.
30,70 cm x 20,30 cm

Mário Navarro da Costa (Rio de Janeiro RJ 1883 - Florença, Itália 1931). Pintor,  desenhista. No Rio de Janeiro, tem aulas particulares com José Maria de Medeiros (1849-1925) e Rodolfo Amoedo (1857-1941). Estréia como pintor em 1905, expondo no Salão Nacional de Belas-Artes - SNBA três telas que passam despercebidas da crítica, o que já não ocor...

Texto

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Biografia
Mário Navarro da Costa (Rio de Janeiro RJ 1883 - Florença, Itália 1931). Pintor,  desenhista. No Rio de Janeiro, tem aulas particulares com José Maria de Medeiros (1849-1925) e Rodolfo Amoedo (1857-1941). Estréia como pintor em 1905, expondo no Salão Nacional de Belas-Artes - SNBA três telas que passam despercebidas da crítica, o que já não ocorre no Salão de 1907, quando recebe menção honrosa. Participa diversas vezes do Salão nas duas primeiras décadas do século XX, é premiado em 1912, 1913 e 1920. Realiza sua primeira exposição individual em 1910, na Galeria de Arte da Associação dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro. Em 1912 e 1913, participa dos salões organizados pela Sociedade Juventas, núcleo da futura Sociedade Brasileira de Belas-Artes. Em 1914 apresenta sua segunda individual, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. No mesmo ano ingressa na carreira diplomática, transfere-se para Nápoles, Itália, e freqüenta a Accademia di Belle Arti e os ateliês de Ulrico Pistilli e Attilio Pratella (1856-1949). Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), é transferido para o consulado brasileiro em Lisboa e integra-se à vida artística e cultural da cidade.

Participa das exposições anuais da Sociedade Nacional de Belas-Artes em 1916 e 1917. Ainda em 1917 é realizada, na Galeria da Misericórdia do Porto, uma mostra com cerca de 50 óleos e alguns pastéis com temas portugueses. Permanece por um ano em Paris, e entra em contato com obras do impressionismo e do fauvismo. Por volta de 1916, é nomeado cônsul do Brasil em Munique, onde trava contato com a pintura alemã do período. Retorna para o Rio de Janeiro em meados da década de 1920. Em 1926, promove uma exposição com telas trazidas da Europa. Funda, com outros artistas, a Associação de Artistas Brasileiros, da qual é o primeiro presidente. Falece em Florença em 1931, quando se preparava para assumir o consulado brasileiro em Livorno, Itália.

Comentário Crítico
Considerado um dos mais importantes pintores brasileiros de marinhas, Navarro da Costa trabalha, em toda sua carreira, com esse tipo de pintura em diferentes estilos, desde as mais veristas, nas quais explora em detalhes aspectos das atividades portuárias e pesqueiras, até as feitas sob influência do impressionismo ou do fauvismo, em que lida com a atmosfera e as cores da paisagem marítima.

A estada em Nápoles, Itália, embora tenha durado menos de um ano, é decisiva para o artista. Segundo o crítico e historiador da arte José Roberto Teixeira Leite, a convivência com o marinhista Attilio Pratella é marcante para Navarro da Costa, "e não seria demasiado vincular à maneira do pintor napolitano certos efeitos e empastamentos visíveis na arte do brasileiro".1

Quando se transfere para Lisboa, sua marinha italiana, Porto de Pozzuoli, em 1916, é contemplada com medalha de primeira classe na exposição da Sociedade Nacional de Belas-Artes portuguesa. Na vida artística de Lisboa, relaciona-se com os pintores Columbano (1857-1929), Souza Pinto (1856-1939), Carlos Reis (1866-1940) e José Malhoa (1854-1933). Este último executa até mesmo um retrato de Navarro da Costa. Durante sua estada em Lisboa, alcança notoriedade como pintor e expõe uma vasta produção realizada em Portugal, na Itália e no Brasil. Ao deixar Portugal, recebe do governo as insígnias de comendador da Ordem de São Tiago da Espada. Entre suas obras portuguesas, podem-se mencionar Velhos Barcos, Tranqüilidade, Velho Galeão, Roupas ao Sol, Barcos em Ruínas.

No período que passa em Paris, tem a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos de pintura e amadurecer a técnica pelo contato com a obra de artistas impressionistas e fauvistas, influências que se fazem em seu trabalho. Sua paleta torna-se mais luminosa, e o desejo de explorar a cor e a textura se acentua. São dessa época as obras O Sena em Saint-Germain-en-Laye, Pont Royal e Pont Solferino. Interessado em artes e pela atividade de diplomata que exerce, é quase certo que se tenha inteirado, na efervescente Paris do pós-guerra, das tendências estéticas do momento.

Nos anos em que permanece em Munique, realiza, em comparação a momentos anteriores, poucas obras. Viaja com freqüência, visita a Holanda e a Bélgica, e volta algumas vezes à Itália, onde produz parte significativa de sua obra. Em Veneza encontra importante fonte de inspiração e é a cidade que escolhe para retratar em diversas telas, aquarelas e desenhos, entre os quais se destacam Pérgola de Veneza, Casa de Tintoretto, Palácios do Gran Canale, Ponte de Santa Catarina, Veneza e Barcos.

Para Teixeira Leite, suas primeiras marinhas mostram nítida influência de Castagneto (1851-1900), porém norteada por um sentimento cromático mais intenso.2 Tecnicamente, utiliza o pincel e a espátula diretamente sobre a tela, procedimento que, segundo Quirino Campofiorito (1902-1993), é seguido por alguns jovens pintores da geração que o sucede.3

Notas
1 LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. p. 346.
2 Idemibidem.
3 CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. p. 268-274.

Obras 13

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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Barcos

Óleo sobre madeira

Exposições 30

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Fontes de pesquisa 15

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997.
  • BARATA, Frederico. Eliseu Visconti e seu tempo. Rio de Janeiro: Zelio Valverde, 1944. 222 p., il. p&b, 8 lâm.
  • BATISTA, Marta Rossetti e LIMA, Yone Soares de. Coleção Mário de Andrade: artes plásticas. 2. ed. São Paulo: USP/IEB, 1998.
  • BERGER, Paulo (org.). Pinturas e pintores do Rio antigo. Apresentação de Sérgio Sahione Fadel. Textos de Paulo Berger, Herculano Gomes Mathias e Donato Mello Júnior. Rio de Janeiro: Kosmos, 1990.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • CAMARGO, Armando de Arruda; LÔBO, Hélio de Sá; AZEVEDO, João da Cruz Vicente de (Orgs.). A paisagem brasileira: 1650-1976. São Paulo: Sociarte: Paço das Artes, 1980.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • O MUSEU Nacional de Belas Artes. São Paulo: Banco Safra, 1985.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo. A arte e seus processos: o papel como suporte. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1978.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).

Como citar

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