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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mauro Restiffe

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.07.2021
13.04.1970 Brasil / São Paulo / São José do Rio Pardo
Digitalizado a partir do original/Itaú Cultural

Sem Título, 1997
Mauro Restiffe
Matriz-negativo

Mauro de Paiva Restiffe (São José do Rio Pardo, São Paulo, 1970). Fotógrafo. Observa e registra a partir dos elementos que compõem as margens da cena. Com isso, cria registros baseados não em uma figura protagonista no retrato, mas sim, nas cenas que circundam e se relacionam com o momento.

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Mauro de Paiva Restiffe (São José do Rio Pardo, São Paulo, 1970). Fotógrafo. Observa e registra a partir dos elementos que compõem as margens da cena. Com isso, cria registros baseados não em uma figura protagonista no retrato, mas sim, nas cenas que circundam e se relacionam com o momento.

Estuda cinema na Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), em São Paulo, formando-se em 1993. Em 1994, recebe o Prêmio Estímulo de Fotografia, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Também estuda fotografia no International Center of Photography, em Nova York, entre 1994 e 1995.

Desde o início da carreira, trabalha com câmera análogica e filme em preto e branco, além de optar por fotografar com pouca luz, o que resulta em imagens granuladas. Seus trabalhos apresentam sempre registros de arquitetura moderna e presença pictórica do espaço.

Em 2000, é contemplado com a bolsa ApARTES, concedida pelo Ministério da Cultura (MinC). Neste mesmo ano, realiza suas duas primeiras exposições individuais, no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro, e na galeria Thomas Cohn, em São Paulo. No ano seguinte, recebe dois prêmios, ambos em Nova York: The Louis Comfort Tiffany Biennial Award e Rema Hort Mann Art Grant. Entre 2001 e 2003, estuda no departamento de artes da Universidade de Nova York.

Mauro Restiffe opta por registrar acontecimentos históricos por ângulos inesperados. Mostra outros lados de momentos marcantes – sem a presença de uma figura que sustente o protagonismo, como na obra Empossamento #9 , da série Empossamento (2003).  Nela, registra a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ocupação de Brasília por populares que dividem espaço com a monumentalidade da cidade e do momento.

Segundo o crítico Dan Cameron (1956), a fotografia de Mauro Restiffe vem se baseando, há algum tempo, numa espécie de observação oblíqua daquilo que o circunda. Como se o fotógrafo dirigisse seu interesse a imagens que aparentemente revelam pouco, porém, na realidade, expressam muito. Afastando-se de qualquer tendência da fotografia atual que encene ou manipule as imagens, Restiffe não faz retoques em suas fotos, nem no laboratório, nem pelo uso do computador. Ainda segundo Cameron, o artista fotografa detalhes, fragmentos de experiências visuais. Estas, insistem em sugerir que aquilo que olhamos sem muita atenção pode, frequentemente, revelar tanto quanto o que queremos ver de fato. 

Ainda que Restiffe traga traços do cinema para a fotografia, não há nela qualquer tentativa de criar uma linha narrativa que ligue percepções isoladas. Em vez disso, a pesquisa do fotógrafo é pautada pelo questionamento de alguns limites. O primeiro é o limite existente entre as dimensões físicas no espaço, como em O Espelho (1999) ou na série Oclusões (1998). O segundo, o limite entre fotografia, pintura e escultura, com Vermeer (1998) e Rio (2000).  O terceiro, entre a anarquia da natureza e a ordem imposta pelo ambiente construído, nas séries Mirante (2003) e Roebling & North 4th (2002).

Mauro Restiffe cria documentos históricos com base em um olhar que não privilegia protagonistas, mas a relação do homem com a monumentalidade do espaço e com o tempo.

Obras 12

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Sem Título

Matriz-negativo
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Exposições 78

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Mídias (1)

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Mauro Restiffe - Enciclopédia Itaú Cultural
Como conduzir o espectador a ler uma imagem? O fotógrafo paulista Mauro Restiffe tem perseguido essa ideia desde a primeira exposição em São Paulo, em 1993. Desde então, tem tido sucesso na empreitada, com um trabalho elogiado no Brasil e no exterior que revela suas vivências pelo mundo a partir de imagens em preto e branco. Seu olhar apurado à frente de uma câmera 35 milímetros registra desde retratos do cotidiano até paisagens urbanas, tendo como destaque as formas geométricas dos objetos e a relação do sujeito com o entorno: “Tento não me aproximar tanto do assunto, ter uma visão distanciada para melhor compreender o todo e imprimir uma linguagem”, explica. Ao utilizar o método analógico de revelação, ampliação e impressão dos negativos, manipula as imagens de forma a alcançar maiores granulações de cinza, o que faz com que suas composições dialoguem também com o desenho e a pintura.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 18

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  • ALÉM do arco íris. Curadoria e texto Per Hovdenakk. São Paulo: FAAP, 1998.
  • CANONGIA, Ligia (coord.). Arte Foto. Curadoria Ligia Canongia; tradução Paulo Andrade Lemos. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2002.
  • CHIARELLI, Tadeu (org). Alegoria. São Paulo: MAM, [2002].
  • ECOS do século: reflexões do Museu da Imagem e do Som: 30 anos de MIS. Curadoria Miguel Paladino. São Paulo: Museu da Imagem e do Som, [2000].
  • ENTRE o eu e o mundo. Goiânia : MAC, s.d.
  • FOTOGRAFIAS no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Texto Tadeu Chiarelli, Ricardo Mendes. São Paulo: MAM, 2002.
  • IDENTIDADE/NÃO identidade: a fotografia brasileira atual. Curadoria Tadeu Chiarelli e Rejane Cintrão; texto Tadeu Chiarelli. São Paulo: MAM, 1997.
  • LOBACHEFF, Georgia e BOFFA, Marcelo (Coord.). Fotógrafos e fotoartistas na Coleção do Museu de Arte Moderna de São Paulo: fotografia contemporânea brasileira. Curadoria Georgia Lobacheff. São Paulo: Espaço Porto Seguro de Fotografia, 1999.
  • NOVÍSSIMOS 98. Curadoria Eli Sudbrack, Everton Ballardin, Rubens Mano; texto Bernardo Carvalho. São Paulo: Paço das Artes, 1998.
  • PHOTO99@THOMASCOHN.BR. Projeto gráfico José Roberto Freire. São Paulo: Galeria Thomas Cohn, 1999. [14 p.], il. p.b. color.
  • PRATA, Isabella e AYDAR, Bia (Orgs.) Antarctica Artes com a Folha. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.
  • RESTIFFE, Mauro. Mauro Restiffe. Texto Martin Grossmann, Adriano Pedrosa, Allen Frame. São Paulo: Casa Triângulo, [2007].
  • RESTIFFE, Mauro. Mauro Restiffe. Tradução Ana Teresa Jardim Reynaud. São Paulo: Galeria Thomas Cohn, 2000.
  • SALÃO DA BAHIA, 4., 1997, Salvador. 4º Salão da Bahia. Salvador: Museu de Arte Moderna da Bahia, 1997.
  • SALÃO Nacional de Artes Plásticas, 16., 1998, Rio de Janeiro. 16º Salão Nacional de Artes Plásticas. Curadoria Viviane Matesco, Luiz Camillo Osorio; texto Márcio Souza. Rio de Janeiro: Funarte, 1998.
  • SEMANA Fernando Furlanetto, 1., 1998, São João da Boa Vista. 1º Semana Fernando Furlanetto. Produção Samantha Moreira. São João da Boa Vista: Prefeitura Municipal, 1998.
  • SEMANA Fernando Furlanetto, 2., 1999, São João da Boa Vista, SP. 2ª Semana Fernando Furlanetto. Curadoria Fritz. São João da Boa Vista: Prefeitura Municipal, 1999.
  • SEMANA Fernando Furlanetto, 3., 2000, São João da Boa Vista. 3ª Semana Fernando Furlanetto. Curadoria Fafá Noronha; texto Isabela Marcatti. São João da Boa Vista: Prefeitura Municipal, 2000.

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