Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Rosário Fusco

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.03.2017
1910 Brasil / Minas Gerais / São Geraldo
1977 Brasil / Minas Gerais / Cataguases
Rosário Fusco de Souza Guerra (São Geraldo, Minas Gerais, 1910 - Cataguases, Minas Gerais, 1977). Romancista, poeta, dramaturgo, jornalista, crítico literário e advogado. Filho do comerciante italiano Rosário Fusco e da lavadeira Auta de Souza Guerra, fica órfão de pai em seus primeiros meses de vida e muda-se para Cataguases, Minas Gerais. Faz ...

Texto

Abrir módulo

Biografia

Rosário Fusco de Souza Guerra (São Geraldo, Minas Gerais, 1910 - Cataguases, Minas Gerais, 1977). Romancista, poeta, dramaturgo, jornalista, crítico literário e advogado. Filho do comerciante italiano Rosário Fusco e da lavadeira Auta de Souza Guerra, fica órfão de pai em seus primeiros meses de vida e muda-se para Cataguases, Minas Gerais. Faz o curso infantil nessa cidade na Escola Maternal Nossa Senhora do Carmo e os cursos fundamental e médio no Ginásio Municipal de Cataguases. Estuda enquanto trabalha em diversos ofícios: servente de pedreiro, pintor de tabuletas de cinema, aprendiz de latoeiro, lavador de vidros, prático de farmácia, auxiliar de correntista numa casa bancária, professor de desenho e bedel do ginásio em que estuda. Em 1925, inicia intensa correspondência com o grupo modernista de São Paulo e começa, bastante cedo, a publicar seus poemas no jornal Mercúrio da Associação Comercial de Cataguases. Ainda aluno do ginásio de Cataguases, frequenta as sessões do Grêmio Literário Machado de Assis e participa da fundação do grupo Verde, responsável pelo lançamento da Verde, importante publicação modernista editada entre 1927 e 1929. Essa revista conta com a colaboração de poetas, escritores e ilustradores modernistas do Brasil e de outros países. Em 1932, muda-se para o Rio de Janeiro, onde conclui, em 1937, o curso de direito na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e realiza intensa atividade na imprensa como crítico e jornalista. Nessa época trabalha também como publicitário, cronista de rádio, redator-chefe da revista A Cigarra, crítico literário do Diário de Notícias do Rio de Janeiro, secretário da Universidade do Distrito Federal e procurador do ex-estado de Guanabara, cargo em que se aposenta. De 1941 a 1943, dirige, ao lado de Almir de Andrade, a publicação Cultura Política: Revista de Estudos Brasileiros, financiada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão de censura e propaganda instituído pelo presidente Getúlio Vargas (1883 - 1954) no Estado Novo. Depois de trabalhar na década de 1940 como adido da Embaixada do Brasil em Santiago, Chile, candidata-se, sem sucesso, ao cargo de deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro. Por volta de 1960, muda-se para Nova Friburgo, onde permanece até 1968. Retorna a Cataguases, onde morre, em 1977.

Análise

Rosário Fusco é um autor que fica por muito tempo associado quase exclusivamente à Revista Verde e à relação desta com o modernismo brasileiro. A partir de 2000, no entanto, dois de seus romances, O Agressor e a.s.a. Associação dos Solitários Anônimos, são relançados - pouca coisa dentro de uma produção ampla e diversa.

O autor começa sua obra produzindo versos. Enquanto trabalha na elaboração da Revista Verde, produz alguns poemas ao estilo do escritor modernista Oswald de Andrade (1890-1954). Lança seu primeiro e único livro de poesias, Fruta do Conde, em 1929. São poemas compostos em versos livres com atenção aos temas locais com forte influência do modernismo. Em 1940, publica ensaios e críticas literárias em três diferentes livros: Amiel, Vida Literária e Política e Letras. Produz, anos depois, o romance O Agressor, sua obra de maior repercussão. Esse livro é considerado pelo crítico literário Antonio Candido (1918) um raro exemplo de romance surrealista no Brasil. O hermetismo e a estranheza de O Agressor se dão, em grande medida, pelo descompasso que existe entre a percepção do personagem principal, David, e a realidade que não a confirma. David é contador em uma chapelaria, vive modestamente em uma pensão com a vida voltada ao trabalho. O narrador, como em certa medida o de Franz Kafka (1883-1924), forte influência no livro, apresenta uma realidade em que o leitor enxerga determinada parte, geralmente hipertrofiada, da cena. O título do livro deixa em certa suspensão a questão de quem é o agressor já que David aparece como vítima, como alguém que parece estar sendo perseguido. Essa posição do personagem no romance é dada ao leitor por sua própria percepção, que, aos poucos, vai apresentando traços paranoicos até David se revelar, no desfecho do livro, como o agressor quando espanca violentamente a proprietária da pensão em que mora.

O autor possui, ainda, alguns romances e peças que praticamente desapareceram das principais bibliotecas do país, como aponta Cassiana Cardoso em seu estudo. Em 2003 é publicado o romance póstumo do autor, a.s.a. Associação dos Solitários Anônimos, livro em que, segundo o crítico literário Luiz Ruffato (1961), "Fusco leva à exaustão a sua opção estética. Esvaziando a realidade de seu conteúdo, faz desfilar, por cenários vertiginosamente marginais, seus personagens, sob a égide da lógica do absurdo".

Espetáculos 1

Abrir módulo

Exposições 1

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 6

Abrir módulo
  • BRANCO, Joaquim; FRITIZ, Felipe; JÚLIO, Roberto. Meia-Pataca: a terceira margem: uma revista de literatura em Cataguases, 1948-1949. Cataguases: Edific, 2007. p. 118
  • CANDIDO, Antonio. Surrealismo no Brasil. In:______. Brigada ligeira. São Paulo: Editora UNESP, 1992.
  • CARDOSO, Cassiana L. O dia do Juízo: ironia e tragédia nos infernos de Rosário Fusco. Dissertação de mestrado, UFRJ, 2008.
  • CURVELLO, Aricy. Um escritor maldito? Jornal da UBE, n. 104, p. 24, ago. 2003.
  • EMEDIATO, Luís Fernando. Um abraço mortal com a vida. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19 ago. 1977. Caderno B, p.1.
  • OLIVEIRA, José Carlos. Rosário Fusco. In: Jornal do Brasil, Rio de janeiro, 21 ago. 1977. Caderno B, p. 4.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: