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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Ana Luisa Escorel

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.01.2021
27.09.1944 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Eles Não Usam Black-Tie, 1981
Ana Luisa Escorel
Fotografia
65,00 cm x 94,00 cm

Ana Luisa Escorel (São Paulo, São Paulo, 1944). Designer, editora e escritora. Dedica-se à organização de sua categoria profissional por meio da participação em associações de classe e de artigos publicados em jornais e revistas. A partir dos anos 2000, há uma inflexão em sua trajetória, quando se afasta das questões de caráter coletivo e se con...

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Ana Luisa Escorel (São Paulo, São Paulo, 1944). Designer, editora e escritora. Dedica-se à organização de sua categoria profissional por meio da participação em associações de classe e de artigos publicados em jornais e revistas. A partir dos anos 2000, há uma inflexão em sua trajetória, quando se afasta das questões de caráter coletivo e se concentra em ações de perfil mais pessoal, como a construção de sua editora e a atividade de escritora. 
 
Pertence à primeira geração formada pela Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro (Esdi), em 1968, onde estuda com professores como o designer Aloisio Magalhães (1927-1982), o crítico Frederico Morais (1936) e o escritor Zuenir Ventura (1931). Seu trabalho teórico de graduação, Brochura Brasileira: Objeto sem Projeto, é publicado pela José Olympio Editora em 1974. A obra é uma reflexão sobre a falta de cuidado com o projeto gráfico nos livros brasileiros do período, e aponta ainda a diferença de tratamento dada ao miolo e à capa. Ana Luisa inaugura uma longa trajetória de trabalho em torno do livro, seja como designer, editora ou escritora.
 
Inicia a carreira de designer em 1968, como estagiária no escritório de Aloísio Magalhães. É professora convidada para a cadeira de projeto gráfico na Escola de Desenho EINA, em Barcelona, durante o primeiro trimestre de 1970, e trabalha como freelancer. Entre 1978 e 1982 leciona projeto gráfico no curso de design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
 
Em 1980, funda a A3 Programação Visual com as designers Evelyn Grumach (1952) e Heloisa Faria (1955), primeira empresa de design constituída exclusivamente por mulheres no Brasil, onde permanece até 1996. Neste período, desenvolve identidade visual para uma série de empreendimentos comerciais, como o restaurante La Mole e os postos de conveniência da Shell. O foco de seus projetos, no entanto, se concentra no setor cultural, em especial cinema, teatro e livros. É deste período o projeto para a exposição Drummond, Alguma Poesia (1990), no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB-RJ), que tem características marcantes do trabalho de Ana Luisa, como a simplicidade do desenho, resultante de uma busca constante por apuro formal, e a construção de discursos nos quais palavra e imagem se apoiam e tendem a ser tratadas com o mesmo peso. De 1996 a 2002, a designer integra a diretoria da Associação de Designers Gráficos (ADG) como membro do Conselho Consultivo.
 
Também com Heloisa Faria, funda o 19 Design em 1997, onde fica até 2003, concentrando-se cada vez mais no setor cultural, em especial no design editorial. É desse período a capa do livro Lado B (2001), do jornalista Sérgio Augusto (1942), na qual podemos perceber a economia de elementos gráficos, o domínio da técnica e o uso apurado da cor, que caracterizam o design de Ana Luisa. 

Em uma capa totalmente preta estão uma série de furos de mesmo diâmetro e equidistantes, através dos quais podemos ver cores primárias e secundárias. Para conseguir este efeito, a designer utiliza uma orelha da mesma medida da capa, com impressão no verso, e uma faca especial. O resultado remete aos LPs de vinil por causa do preto da capa e do diâmetro dos furos. E a possibilidade de visualizar as cores através dos furos traz a ideia de “outro lado”, ou seja, um lado B. Com este trabalho, Ana Luisa ganha o Prêmio da ADG.
 
De 1997 a 2003, escreve regularmente para jornais e revistas sobre o campo do design no Brasil. O Efeito Multiplicador do Design (1999), com o qual obtém o primeiro lugar na categoria Ensaio, do Prêmio Museu da Casa Brasileira, é resultado dessa experiência. Publicado pela Editora Senac, o livro reúne textos que apresentam a indignação de Ana Luisa com o pouco caso com que a atividade de desenhista gráfico e seus profissionais são tratadas no Brasil, buscando indicar rumos possíveis para a atividade.
 
Participa de exposições de design gráfico no Brasil, nos Estados Unidos (EUA), na Alemanha, Itália, França e em Portugal, e também de várias edições da Bienal de Design Gráfico de Brno, na República Tcheca. Seus trabalhos são publicados por revistas como Print (EUA), Novum (Alemanha), Idea (Japão) e Projeto (Brasil). 
 
Em 2004 funda, com a também designer Laura Escorel (1975), a Ouro sobre Azul Design e Editora, incorporando a edição de livros às suas atividades como desenhista gráfica. Com foco na reedição da obra completa do crítico literário Antonio Candido (1918-2017) revista pelo autor, reúne títulos que se encontram dispersos por várias editoras ou fora de catálogo.
 
Sua primeira experiência literária, O Pai, a Mãe e a Filha (2010), texto memorialístico no qual revela a paixão pela infância vivida na São Paulo dos anos de 1940 e 1950, tem como característica marcante a mistura de vozes entre a menina, personagem principal do livro, e a autora. A estratégia de construção narrativa, não citando o nome de seus pais, Gilda de Mello e Souza (1919-2005) e Antonio Candido, colabora com a construção de uma escrita autobiográfica feita em terceira pessoa. Com o livro seguinte, o romance Anel de Vidro (2013), torna-se a primeira mulher a ganhar o Prêmio São Paulo de Literatura.
 
Mantendo a atividade de designer em paralelo ao trabalho como escritora, em 2016 ganha o 1º lugar do Prêmio Jabuti, na categoria Projeto Gráfico, com o Livro dos Ex-Libris (2016).
 
No tocante à escrita, podemos dizer que a temática da artista muda completamente a cada livro, assim como a estrutura narrativa. Mas tanto na relação com o texto literário quanto com o design, o trabalho de Ana Luisa Escorel obedece a uma evidente busca por apuro formal.

Obras 3

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Fontes de pesquisa 3

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  • ESCOREL, Ana Luisa. Brochura brasileira: objeto sem projeto. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974.
  • ESCOREL, Ana Luisa. O efeito multiplicador do design. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2000.
  • ESCOREL, Ana Luisa. O pai, a mãe e a filha. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2010.

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