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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Henrique Rodovalho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.09.2021
23.12.1964 Brasil / Goiás / Goiânia
Henrique André Rodovalho Pereira (Goiânia, Goiás, 1964). Coreógrafo. Reconhecido por seu trabalho como residente da Quasar Cia de Dança e por seu estilo de movimentação em dança que trabalha a segmentação do corpo.

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Henrique André Rodovalho Pereira (Goiânia, Goiás, 1964). Coreógrafo. Reconhecido por seu trabalho como residente da Quasar Cia de Dança e por seu estilo de movimentação em dança que trabalha a segmentação do corpo.

Rodovalho se interessa pela expressão do corpo desde criança, sendo influenciado pelo cinema e a televisão, mas é durante a graduação em educação física que tem contato com a dança. Em 1983, ainda na graduação, Rodovalho assiste a Paixão (1982), do coreógrafo catalão Victor Navarro (1944). Impressionado com a proposta, o elenco e a trilha, essa experiência sedimenta seu desejo de trabalhar com dança. 

O trabalho do professor e coreógrafo Julson Henrique (1953-1993) também é referência para a formação de Rodovalho. Em Goiânia, Julson mantém entre 1983 e 1987 o Grupo Energia, num propósito de amadurecimento da cena da dança. Rodovalho integra o grupo, dançando com Julson e outros coreógrafos como Regina Sauer (1957) e Rainer Vianna (1958-1995). No mesmo período, acompanha a cena da dança contemporânea no Rio de Janeiro, que se apresenta em grandes festivais.

A partir da experiência no Energia, a bailarina Vera Bicalho (1963) propõe em 1988 a criação de uma companhia independente: a Quasar Cia de Dança, para a qual Rodovalho é convidado a coreografar.

A estrutura de trabalho inicial da Quasar, com tempo reduzido de encontro e ensaios, e um elenco que mistura diversas formações artísticas, leva a obras organizadas em esquetes, cenas curtas e independentes, cujas situações são mais combinadas ou discutidas entre os bailarinos do que propriamente ensaiadas.

A proposta de espetáculos mais completos, pensados e elaborados em seus múltiplos elementos, vem em 1994 com Versus, responsável pela projeção internacional do coreógrafo e da companhia. Nesse trabalho, mantém-se a lógica das cenas, mas ligadas por um fio condutor trazido pela música de Arnaldo Antunes (1960), e com uma forte presença do humor – elemento recorrente nos trabalhos de Rodovalho, quase sempre como uma forma de comentário acerca do comportamento humano.

Depois desse reconhecimento, o coreógrafo tem um momento de reflexão sobre a importância de pensar sobre o movimento e sua lógica, levando a uma experimentação que, em obras como Divíduo (1998), Coreografia Para Ouvir (1999), e Mulheres (2000), resulta no que se reconhece como o estilo autoral de Rodovalho. Trata-se de uma forma de segmentação do movimento pelas partes do corpo: na sua coreografia, o corpo não se desloca por caminhos simples, ele se retorce, isolando parte a parte esse deslocamento, criando algo que se lê como uma reação em cadeia.

A proposta parte de uma questão de exploração do corpo como espaço cênico: não se observa apenas o corpo em deslocamento pela cena, mas também as partes em deslocamento pelo corpo. A concretização desse estilo autoral, bastante elogiado e reconhecido, conta também com o trabalho em parceria com os elencos da Quasar. Bailarinos de grande repercussão, como Gica Alioto (1975-2007) e Lavinia Bizzotto (1977), desenvolvem o aspecto prático e corporal da realização da proposta, transformando a exploração do movimento segmentado do coreógrafo em grandes sequências de articulação, nas quais as partes do corpo se movem uma após a outra.

Enquanto esse estilo se desenvolve na Quasar, sua característica autoral e inusitada também desperta convites para que Rodovalho trabalhe com outros elencos em grupos nacionais e estrangeiros. Com outras companhias, seu desafio não se restringe a coreografar para os bailarinos, é preciso trabalhar essa forma de movimentação inusitada e complexa, que frequentemente apresenta uma dificuldade para os elencos.

O trabalho contínuo facilita a prática da proposta, e o coreógrafo por vezes tem a oportunidade de trabalhar repetidamente com a mesma companhia, com boa recepção. Em 2018, Rodovalho cria Melhor Único Dia para a São Paulo Companhia de Dança (SPCD), premiada pela comissão de dança da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) na categoria espetáculo (estreia). Segunda criação para a SPCD, mantém seu estilo de movimentação, replicada em conjunto: a segmentação dos corpos individuais também se torna um componente de uma segmentação do todo, de um corpo único formado pelo elenco. Com trilha sonora original de Pupillo (1975), trabalha o grupo a partir de formações animais, para discutir o comportamento humano.

Em 2020, torna-se coreógrafo residente da SPCD, numa contratação que prevê sua participação em recriações de obras do repertório da Quasar, além de novas produções. A proximidade, mesmo que temporária, como um residente regular, prevê as condições para um trabalho mais contínuo de apropriação do estilo autoral do coreógrafo.

Internacionalmente reconhecido por seu estilo autoral de coreografia, Henrique Rodovalho tem papel fundamental na dança de sua geração, por meio de sua produção na Quasar Cia de Dança, e como convidado em diversos outros grupos.

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Fontes de pesquisa 10

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  • BITTAR, Adriano Jabur. A Preparação Poética na Dança Contemporânea: o Toque Poético, as Imagens das Células Corporais e dos Rabiscos nos Processos de Composição de Madam do Neka e de Por 7 Vezes da Quasar. Tese (Doutorado em Artes Visuais) Universidade de Brasília, Brasília, 2015.
  • GUARATO, Rafael; DIAS, Hugo Oliveira. Quasar Cia. de Dança como arauto da modernidade ‘nesse cerradão bravo’. In: GUARATO, Rafael; MARQUES, Roberta R.; CADÚS, Eugenia (org.) Memórias e Histórias da dança por vir. Salvador: Editora Anda, 2020.
  • KATZ, Helena. A dança autoral de Goiás. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 mar. 1999. dez. Caderno 2.
  • KATZ, Helena. Uma cilada para Henrique Rodovalho. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 23 nov. 2006.
  • PAVLOVA, Adriana. Cia. Quasar surpreende na abertura do Carlton Dance. O Globo, Rio de Janeiro, 15 jun. 1996.
  • ROCHELLE, Henrique. Dois momentos e uma perspectiva da Quasar Cia de Dança. Anais VII Congresso da Abrace, Porto Alegre, out. 2012.
  • ROCHELLE, Henrique. Elementos da Dança como Linguagem: ‘no Singular’ de Henrique Rodovalho. Dissertação (Mestrado em Artes da Cena) Unicamp, Campinas, 2013.
  • ROCHELLE, Henrique. Grandes propostas e ótimas realizações refletem sobre o passado e o futuro da SPCD. Da Quarta Parede, São Paulo, 6 jul. 2018. Disponível em: https://www.daquartaparede.com/post/raymonda-primavera-melhor-spcd. Acesso em: 26 de ago. 2021.
  • RODOVALHO, Henrique. Henrique Rodovalho. [Entrevista concedida a] Henrique Rochelle, crítico de dança. São Paulo: [s.n.], 2021.
  • VENTUNA, Rafael. Quasar: uma fêmea alfa na dança. Revista Bravo!, 26 abr. 2019. Disponível em: https://medium.com/revista-bravo/quasar-uma-fêmea-alfa-na-dança-8c9bf5aed932. Acesso em: 26 de ago. 2021.

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