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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Seth

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.12.2017
1891 Brasil / Rio de Janeiro / Macaé
1949 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Álvaro Marins (Macaé, Rio de Janeiro, 1891 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1949). Desenhista, cartunista, ilustrador e caricaturista. Em 1905, transfere-se para Campos, Rio de Janeiro, para estudar. Aos 15 anos, publica sua primeira charge na revista O Malho com o pseudônimo de Junqueira. Passa a colaborar com o jornal O Cutelo de Campos. Em 1...

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Biografia

Álvaro Marins (Macaé, Rio de Janeiro, 1891 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1949). Desenhista, cartunista, ilustrador e caricaturista. Em 1905, transfere-se para Campos, Rio de Janeiro, para estudar. Aos 15 anos, publica sua primeira charge na revista O Malho com o pseudônimo de Junqueira. Passa a colaborar com o jornal O Cutelo de Campos. Em 1908, muda-se para o Rio de Janeiro e cursa desenho no Liceu de Artes e Ofícios. A partir de 1910, colabora nas revistas O Tico-Tico e O Malho, assinando seus desenhos como Guido. Em 1911, adota o pseudônimo Seth nas charges que publica na revista Álbum de Caricaturas (mais tarde chamada O Gato), atacando o governo de Hermes da Fonseca (1855-1923). Nesse periódico firma-se como caricaturista. A partir de 1913, desenha para A Noite, Fon-Fon!, Seleta e D. Quixote, periódicos do Rio de Janeiro. Entre 1917 e 1918, realiza trabalho pioneiro de desenho animado, produzido junto ao laboratório Marc Ferrez e exibido em salas de cinema. Colabora também com o semanário Figuras & Figurões e produz capas com caricaturas aquareladas para a revista Fon-Fon!. Mantém por vários anos o Ateliê Seth, que edita trabalhos didáticos em aritmética, desenho e história do Brasil. Em 1936, ilustra o livro O Amor Infeliz de Marília e Dirceu, de Augusto de Lima Júnior (1889-1970), sendo coautor da Carta Prefácio. No ano seguinte, publica o álbum Exposição, com desenhos a bico de pena da série “Flagrantes cariocas”, produzida entre 1929 e 1936. Neles, satiriza os costumes das classes populares. Na década de 1930, dedica-se à ilustração, colaborando com desenhos históricos para o álbum O Brasil pela Imagem. É autor da campanha de cartazes da Casa Mathias, veiculada nas décadas de 1930 e 19401.  Nos últimos anos de vida, dedica-se à criação de anúncios.

Análise

Desenhista virtuose na técnica a bico de pena, Seth aborda em suas caricaturas temas políticos e populares, em tom sarcástico. Zomba dos líderes políticos e de suas ações no governo. Em Desordem e Regresso, caricatura realizada durante o governo do Marechal Hermes da Fonseca, o artista representa políticos da República Velha, como Rui Barbosa (1849-1923) e Quintino Bocaiúva (1836-1912), carregando, como índios antropófagos, o corpo despedaçado da República brasileira. À frente deles, o presidente traz a cabeça do cadáver, espetada numa lança. Fraudes em eleições também são tema de crítica, como na charge Ressurreição. Nela, uma viúva vendo erguer-se o marido morto, pergunta-lhe se teria ressuscitado, recebendo a resposta: “Por horas apenas, vim votar...”.

Outros personagens da vida pública carioca são alvos do humor de Seth, como um investigador policial que, examinando um cadáver com uma lupa, exclama: “Eis um crime que vai dar o que fazer ao meu talento de policial, visto o assassinado estar morto e não poder dizer-me quem é o assassino...”2.

Quanto ao estilo, o historiador Herman Lima identifica dois momentos na carreira do artista. O primeiro, até cerca de 1913, caracteriza-se por traço leve, privilegiando o contorno das figuras. O segundo, marcado pela admiração pelo francês Gustave Doré (1832-1883) e o norte-americano Charles Dana Gibson (1867-1944), exibe a construção das figuras a partir de pequenos traços paralelos, resultando num desenho menos ágil e mais pesado. É o que se nota nas gravuras de O Brasil pela Imagem. Essa mudança de estilo condiz com seu temperamento “sempre afeito à realidade e à minúcia”, como afirma Seth, no prefácio do álbum Exposição.

Notas

1. Seth produz uma série de caricaturas para o projeto publicitário da Casa Comercial Mathias. A série contempla dois personagens, Mathias - representação caricatural do dono - e Virgulina, esposa do personagem e, segundo relatos da época, também na vida real. A série, amplamente divulgada, alcança grande sucesso de público inserindo um tom popular na publicidade da época.
2. LIMA, Herman. História da Caricatura no Brasil. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1963, p. 1336. v. 4.

Exposições 2

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Fontes de pesquisa 11

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  • A CARICATURA no Brasil: (o desenho de humor). São Paulo: Museu Lasar Segall, 1979.
  • COTRIM, Álvaro. Caricatura e caricaturistas. Rio de Janeiro: Instituto de Documentação - INDOC/FGV, 1973. (Curso informação, documentação, comunicação - II. Ciclo de conferências).
  • FONSECA, Joaquim da. Caricatura: a imagem gráfica do humor. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1999.
  • LAGO, Pedro Corrêa do. Caricaturistas brasileiros: 1836-1999. Rio de Janeiro: Sextante Artes, 1999. p. 94-95.
  • LIMA JÚNIOR, Augusto. O amor infeliz de Marília e Dirceu. Ilustrações de Seth. Rio de Janeiro: A noite, 1936.
  • LIMA, Herman. História da caricatura no Brasil III. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963.
  • MARINS, Álvaro. O Brasil pela imagem. Quadros expressivos da Formação e do Progresso da Pátria Brasileira Desenhados a bico de pena; desenhos e legendas de Seth. Rio de Janeiro: Indústria do livro, 1943.
  • MURUCI, Lucio Picanco. Seth: Um capítulo singular na caricatura brasileira. Tese (Doutorado em História) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.
  • O RIO na Caricatura. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1965. (Catálogo de exposição).
  • SETH. Exposição. Desenhos a pena de Seth 1929-1936. Rio de Janeiro: Edição do Atelier Seth, 1937.
  • TRAÇO, Humor & Cia. Curadoria Denise Mattar; versão em inglês Angela Melim. São Paulo: FAAP, 2003.

Como citar

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