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Teatro

Juca de Oliveira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.03.2017
16.03.1935 Brasil / São Paulo / São Roque
José Juca de Oliveira Santos (São Roque SP 1935). Ator e autor. Intérprete de marcantes intervenções nos anos 60, sabe galvanizar a platéia com seu estilo eloqüente; torna-se autor de costumes a partir dos anos 80, alcançando grande sucesso.

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Biografia

José Juca de Oliveira Santos (São Roque SP 1935). Ator e autor. Intérprete de marcantes intervenções nos anos 60, sabe galvanizar a platéia com seu estilo eloqüente; torna-se autor de costumes a partir dos anos 80, alcançando grande sucesso.

Após concluir formação na Escola de Arte Dramática, EAD, Juca estréia no Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, sob a direção de Flávio Rangel, vivendo o protagonista de A Semente, texto de Gianfrancesco Guarnieri ali produzido em 1961. No mesmo ano, como o filho Happy Lomman de A Morte de uma Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, obtém significativa premiação.

No Arena participa de A Mandrágora, de Maquiavel, em 1963, e O Melhor Juiz, o Rei, de Lope de Vega, no mesmo ano, duas encenações de Augusto Boal. Novamente com Flávio Rangel, integra a equipe de Depois da Queda, em 1964, outro texto de Arthur Miller protagonizado por Maria Della Costa e Paulo Autran. Com Dois na Gangorra, de William Gibson, e A Cozinha, de Arnold Wesker, em 1968, bem-sucedida encenação de Antunes Filho, Juca alcança expressivo reconhecimento como intérprete. O que o leva a protagonizar, em 1972, a criação de José RenatoPaulo Pontes e Milton Moraes Um Edifício Chamado 200, direção de José Renato, em que ganha o Prêmio Molière de melhor ator e, no ano seguinte, o monólogo Corpo a Corpo, texto de Oduvaldo Vianna Filho conduzido por Antunes Filho.

Em 1975 é dirigido por Antunes Filho, em Ricardo III, de William Shakespeare; em 1977 atua no Teatro Opinião, sob a direção de João das Neves, em Dois Perdidos numa Noite Suja, de Plínio Marcos, e em 1978 volta a parceria com o encenador Flávio Rangel em Investigação da Classe Dominante, adaptação livre do próprio Flávio do original de J. B. Priestley.

Em 1979 lança-se como autor, escrevendo e desempenhando Baixa Sociedade. A bem-sucedida experiência volta a repetir-se pelos próximos anos, ao estrear, em 1982, Motel Paradiso; em 1987, Meno Male, Prêmio Governador do Estado de melhor autor; e Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Saudável que a Nossa, de 1990; e As Atrizes, de 1991; Caixa 2, de 1997, montagem de extremo sucesso sob a direção de Fauzi Arap. Em todas essas criações, na dupla função de ator e autor, Juca parece ter reservado sempre um bom papel para si mesmo, alcançando larga comunicabilidade com as platéias.

Uma pausa para uma peça de casal surge em 1984, com De Braços Abertos, texto sensível de Maria Adelaide Amaral que lhe vale premiação. Sobre o trabalho de Juca e Irene Ravache, a crítica Barbara Heliodora atesta: "Dois atores de grande categoria, que dão largas à sua generosidade interpretativa e completam brilhantemente o complô para que se opere o milagre do teatro. (...) Só um altíssimo grau de profissionalismo por parte de todos os coniventes com esse brilhante e simpático espetáculo alcança esse rendimento".1

Uma comédia estrangeira surge no currículo de Juca, em 1991: Procura-se um Tenor, de Ken Ludwig, direção de Bibi Ferreira; e um drama bem construído, A Quarta Estação, onde divide o palco com Denise Fraga e direção de Fauzi Arap, em 1995.

Na TV, Juca atua em telenovelas, seriados e minisséries, com destaque para As Pupilas do Senhor Reitor, em 1995, e O Clone, em 2001.

Apreciando a trajetória de Juca de Oliveira, assim caracteriza a crítica Ilka Marinho Zanotto: "Ver Juca de Oliveira, ator, é obrigação de todo amante de teatro. Em cena é sempre uma força cósmica que galvaniza parceiros e espectadores, esbanjando os macetes da arte de representar com tal sinceridade que diálogos e gestos parecem brotar espontâneos e instantâneos. Juca de Oliveira, autor, vem perseguindo desde a excelente Baixa Sociedade um tipo de comédia de costumes bem brasileira, com leves acentos melodramáticos, à maneira de Abílio Pereira de Almeida. Patente a preocupação de apontar mazelas da sociedade atual, exemplificando-as em cena à minúcia, não faltando explícita a lição de moral com travo pessimista, como no caso de Motel Paradiso. Sem procurar vanguardas, exercita seu instrumento de autor nos diálogos fluentes, nas situações bem armadas, na franca comunicabilidade, na construção de personagens com profundidade e coerência psicológicas".2

Notas

1. HELIODORA, Barbara. Abraçando o Brasil. Visão, ano 35, 27 ago. 1986. p. 80.

2. ZANOTTO, Ilka Marinho. Meno male. Ottimo! O Estado de S. Paulo, São Paulo.

Espetáculos 73

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Fontes de pesquisa 19

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  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996.
  • BRANDÃO, Tania. Uma empresa e seus segredos: Companhia Maria Della Costa. São Paulo: Perspectiva; Rio de Janeiro: Petrobras, 2009. 368p.
  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. (Aplauso Especial).
  • CENTRO CULTURAL SÃO PAULO. Divisão de Pesquisas. Cronologia das artes em São Paulo 1975-1995: Artes cênicas - Teatro. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. (Cronologia das artes em São Paulo, 3).
  • DEPOIS da Queda. São Paulo: Teatro Maria Della Costa, 1964. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Maria Della Costa.
  • GUIMARÃES, Carmelinda. Antunes Filho: um renovador do teatro brasileiro. Campinas: Unicamp, 1998. 183 p.
  • HELIODORA, Barbara. Abraçando o Brasil. Visão, ano 35, 27 ago. 1986.
  • Programa do Espetáculo - Baixa Sociedade ou Apenas 500 Milhões de Dólares - 1979.
  • Programa do Espetáculo - Caixa 2 - 1997.
  • Programa do Espetáculo - Investigação da Classe Dominante - 1981.
  • Programa do Espetáculo - Motel Paradiso - 1983.
  • Programa do Espetáculo - O Noviço - 1963.
  • Programa do Espetáculo - Othello - 1982.
  • Programa do Espetáculo -A Mandrágora - 1968.
  • RICARDO III. Campinas, 1975. [s.n.]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Municipal José de Castro Mendes.
  • SIQUEIRA, José Rubens. Viver de teatro: uma biografia de Flávio Rangel. São Paulo: Nova Alexandria, 1995.
  • TEATRO FAAP. De Braços Abertos: São Paulo, SP, [1984]. Programa do Espetáculo.
  • Teatro de Arena. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 24, out. 1978. Edição especial.
  • ZANOTTO, Ilka Marinho. Meno male. Ottimo! O Estado de S. Paulo, São Paulo.

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