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Marcos Caruso

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.05.2017
22.02.1952 Brasil / São Paulo / São Paulo
Marcos Caruso (São Paulo SP 1952). Autor, ator e diretor. Dramaturgo e intérprete ligado ao gênero cômico, hábil manipulador das situações simples e engraçadas do cotidiano.

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Biografia
Marcos Caruso (São Paulo SP 1952). Autor, ator e diretor. Dramaturgo e intérprete ligado ao gênero cômico, hábil manipulador das situações simples e engraçadas do cotidiano.

Inicia-se como ator em 1973, com Rei Momo, texto e direção de César Vieira, produção do grupo Teatro Popular União e Olho Vivo. Está em 1974 na encenação de Tome Conta de Amélie, de Georges Feydeau, direção de Antunes Filho, produção do Teatro Popular de Arte (TPA). Volta a explorar o gênero cômico em 1976 em Alegro Desbum, de Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa, assim como em Camas Redondas, Casais Quadrados, de Ray Cooney e John Chapman, ambas direções de José Renato, em 1978. Amante S/A, de John Chapman e Freeman, em 1983, e Jogo de Cintura, em 1989, Porca Miséria, em 1993, e Os Reis do Improviso, em 1996, todos de sua autoria e de Jandira Martini, em 1986, constituem novas oportunidades de sucesso nesta área da comédia de costumes. Em 1999 está ao lado de Regina Duarte em Honra, de Joanna Murray-Smith, com direção de Celso Nunes. Em 2001, é a vez de partilhar a cena com Irene Ravache, em Intimidade Indecente, sucesso de bilheteria de Leilah Assumpção.

Em paralelo a bem-sucedida carreira como ator, Caruso lança-se como autor, estreando em 1986 com Jogo de Cintura, em parceria com Jandira Martini. Essa dupla, representada pela criação de textos e espetáculos, mostra-se profícua e de longa duração. Trair e Coçar, É Só Começar, escrita por Caruso em 1989, torna-se verdadeiro recorde de bilheteria e já obteve quatro registros no Guinness Book como a peça brasileira de mais longa temporada. Analisando sua longevidade nos palcos, escreve Beth Néspoli: "A traição do título não ocorre e o público sabe disso o tempo todo; não compartilha da angústia e por isso pode rir dela. Um engano provocado por um vendedor de jóias - as mulheres querem manter segredo na compra de um presente - faz com que os maridos pensem estar sendo traídos. Para vingar-se vão também fingir uma traição. Apesar da falta de jeito, eles conseguem alguns contatos, mas obviamente nada sai de acordo com o planejado e as confusões se sucedem no ritmo alucinante do melhor vaudeville. No fim, tudo se explica e até mesmo a famosa marca de batom na cueca. E a culpa de tudo, claro, é da Olímpia, a empregada desastrada, personagem fundamental da trama. Olímpia é com certeza um achado e o grande acerto do autor, Marcos Caruso. A personagem pertence à família de João Grilo, personagem do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. É também prima distante de um personagem de olhos puxados, o irreverente Rei dos Macacos, da Ópera de Pequim, e ainda do Arlechino, da Commedia dell'Arte. Enfim, Olímpia, a seu modo, zomba de seus patrões, tenta passar-lhes a perna e, embora não possa livrar-se deles, mete-os em boas encrencas".1

Porca Miséria, da dupla de autores e intérpretes, é novo sucesso lançado em 1993. Bem como Sua Excelência, o Candidato, de 1994, oportuna comédia farsesca sobre as atribulações de um político. Os Reis do Improviso, de 1996, é uma nova incursão dos autores pelo universo cômico, oportunidade de explorarem no texto e nas interpretações seus recursos histriônicos em grande forma.

Caruso, esporadicamente, dirige espetáculos e atua na televisão. Dentre suas direções teatrais estão textos de sua autoria, como é o caso de Uma Noite Encantada, em 1976; Vida de Palhaço, de 1978; além de outros autores, como Brasil S/A, de Antônio Ermírio de Moraes, com colaboração de Noemi Marinho, em 1996; SOS Brasil, também de Antônio Ermírio de Moraes, em 1999, e Estórias Roubadas, de Donald Margulies, em 2000.

Comentando as características da trajetória do artista, Aimar Labaki analisa: "Marcos Caruso - em trabalho solo ou em parceria com Jandira Martini - construiu sólida carreira de comediógrafo. Sua estréia Trair e Coçar, É Só Começar tem ares de fenômeno, é dos sucessos mais duradouros de nossa historia. É irônico que o texto sirva como uma espécie de requiem nacional para uma onda de textos estrangeiros de menor qualidade que dominaram as temporadas paulistas ao longo dos anos 70 e que foram a verdadeira Escola deste comediante excepcional. Como ator, ele começou no Teatro União e Olho Vivo de Cesar Vieira, nossa mais longeva experiência de teatro popular e revolucionário. Como autor, Caruso transferiu a indignação inerente a essa tradição para o espaço da comédia burguesa. Porca Miséria é texto referencial para a época, ao lado das criações de Juca de Oliveira".2

Notas
1. NESPOLI, Beth. 'Trair e coçar, é só começar'. O Estado de S. Paulo, São Paulo,  25 jan. 1999. Caderno 2, p. 4.

2. LABAKI, Aimar. Depoimento sobre Marcos Caruso cedidoc à pesquisadora Johana Albuquerque. São Paulo, 09 set. 2002.

Espetáculos 55

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Fontes de pesquisa 12

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Marcos Caruso (ficha curricular) In: ___________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • Camas Redondas, Casais Quadrados. São Paulo: Teatro Itália, 1978. 1 programa de espetáculo realizado no Teatro Itália. Não catalogado
  • Dossiê Arquivo Multimeios do Centro Cultural São Paulo.
  • Dossiê Biblioteca do Museu Lasar Segall.
  • NESPOLI, Beth. 'Trair e coçar, é só começar'. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 25 jan. 1999. Caderno 2, p. 4.
  • O Diário de Anne Frank. São Paulo: s.l., 1977. 1 programa de espetáculo. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo "O Carrasco do Sol" - 1973. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Intimidade Indecente - 2002. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Homem a Besta e a Virtude -2007. Não catalogado
  • Programa do espetáculo - Ainda - 2008. Não Catalogado
  • VIEIRA, César. Em busca de um teatro popular. Apresentação Celso Frateschi, Antonio Grassi, Augusto Boal, Antonio Candido; texto Luiza Barreto Leite, Luiz Alberto Sanz. 4. ed. atual. São Paulo: Funarte, 2007. 487 p., il. 792.0981 V657em 4.ed.atual

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