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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Elifas Andreato

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.11.2020
1946 Brasil / Paraná / Rolândia
Reprodução fotográfica autoria desconhecia

O Jogo da Vida [cartaz], 1977
Elifas Andreato
Desenho
64,00 cm x 94,00 cm

Elifas Vicente Andreato (Rolândia, Paraná, 1946). Artista gráfico, ilustrador, cenógrafo. Muda-se para São Paulo em 1960. Autodidata, em 1965, desenha charges com conteúdo sindical, em uma publicação da fábrica de motores na qual trabalha como torneiro mecânico. É chamado para pintar painéis decorativos para os bailes realizados nos galpões da e...

Texto

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Elifas Vicente Andreato (Rolândia, Paraná, 1946). Artista gráfico, ilustrador, cenógrafo. Muda-se para São Paulo em 1960. Autodidata, em 1965, desenha charges com conteúdo sindical, em uma publicação da fábrica de motores na qual trabalha como torneiro mecânico. É chamado para pintar painéis decorativos para os bailes realizados nos galpões da empresa. 

Ainda na década de 1960, começa a trabalhar em agências de publicidade. Em 1967, atua na Editora Abril como estagiário em diversas revistas, como Manequim, Claudia, Quatro Rodas e Placar. Em 1970, torna-se chefe de arte da Abril Cultural. No mesmo ano, realiza a direção de arte da coleção de fascículos História da Música Popular Brasileira. Nos anos seguintes, cria inúmeras capas de disco de música popular brasileira, como: Nervos de Aço (1973), de Paulinho da Viola (1942); Arca de Noé (1980), de Vinícius de Moraes (1913-1980); Ópera do Malandro (1979) e Almanaque (1981), de Chico Buarque (1944); Luz das Estrelas (1985), de Elis Regina (1945-1982).

Em 1973, engajado na luta política contra a ditadura militar, o artista pede demissão do cargo de diretor de arte da Abril Cultural para integrar a equipe do recém-fundado jornal carioca Opinião. Também participa como diretor de arte de publicações paulistas, como o jornal Movimento e a revista Argumento1. Nessa época, amplia a atuação na área cultural: cria cartazes para eventos artísticos, cenários para teatro e capas de livro. Entre elas, estão O Pirotécnico Zacarias (1974), de Murilo Rubião (1916-1991); A Morte de D. J. em Paris (1975), de Roberto Drummond (1933-2002); e A Legião Estrangeira (1979), de Clarice Lispector (1925-1977), todas obras da coleção Nosso Tempo, publicada pela Editora Ática.

Entre 1996 e 1998, desenvolve projeto gráfico e ilustrações para as coleções de CD da Editora Globo, MPB Compositores e História do Samba. Em 1999, trabalha na publicação do Almanaque Brasil de Cultura Popular, distribuído nas aeronaves da companhia aérea TAM. Em 2009, recebe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (1945) a comenda da Ordem do Mérito Cultural pelo conjunto de sua obra.

Elifas Andreato é conhecido pelas capas de discos de música popular brasileira, criadas nas décadas de 1970 e 1980. A linguagem visual do artista caracteriza-se pela representação figurativa de tipos brasileiros e expressão da cultura popular nacional.

O jovem e autodidata Andreato descobre em bancas de jornal suas primeiras influências. Em 1962, conhece a obra Meninos de Brodósqui (1940), de Cândido Portinari (1903-1962), quando imagens do quadro são publicadas na revista O Cruzeiro, em homenagem à morte do pintor. Na mesma época, conhece o trabalho de Di Cavalcanti (1897-1976). Ambos influenciam o desenvolvimento artístico de Elifas, que identifica a própria história no sofrimento representado nas obras desses pintores. Nesse momento, toma consciência de sua vocação.

O estilo figurativo de Andreato caracteriza-se pela representação hiper-realista da figura humana com forte carga emotiva. Os personagens ganham novos significados, revelados em cores, texturas e elementos simbólicos. Nas capas de discos que produz, é recorrente o uso do retrato, no qual o designer enfatiza o universo emocional do músico. Na capa do disco Nervos de Aço (1973), por exemplo, Paulinho da Viola é retratado com um buquê de flores na mão e chora lágrimas densas.

Durante os anos 1960, Elifas conhece o trabalho de Milton Glaser (1929), artista gráfico estadunidense, integrante do Push Pin Studio2. O trabalho de Glaser surpreende o artista brasileiro pela possibilidade de o ilustrador expressar-se com irreverência e crítica. Além disso, os integrantes desse estúdio são, ao mesmo tempo, ilustradores e designers, não havendo separação de tarefas. Assim como Elifas, envolvem-se na realização integral da peça gráfica, desde a concepção até a impressão. No âmbito nacional, é possível estabelecer paralelos entre a obra de Elifas Andreato e a de Tide Hellmeister (1942-2008), artista gráfico brasileiro contemporâneo, por quem Elifas revela admiração.

A Editora Abril é para Elifas uma verdadeira escola de design gráfico, pois proporciona a ele contato com jornalistas renomados e oferece-lhe acesso a materiais de desenho e pintura, livros e revistas de arte. Além do trabalho de projetista gráfico, aproveita a oportunidade de aprender sobre os processos de impressão offset. O entendimento dos recursos oferecidos pela tecnologia gráfica abre para ele possibilidades de experimentação, como a criação de capas de disco diferenciadas, com modelos especiais e variações de acabamentos.

Elifas Andreato identifica-se com a dimensão política do design gráfico – a arte voltada para a reprodução em papel, com circulação entre milhares de pessoas. Essa consciência amplia-se durante o período da ditadura militar, impulsionando a troca do ambiente corporativo da Editora Abril pela atuação política na imprensa alternativa. A linguagem visual enfática mostra-se adequada às capas dos jornais Opinião e Movimento e da revista Argumento.

Notas:

1. Publicações ligadas à  imprensa alternativa, com veiculação de textos de jornalistas e intelectuais de oposição ao regime militar.

2. Estúdio que reúne artistas gráficos e ilustradores que renovam a linguagem do design estadunidense, com forte influência da Pop Art e da linguagem publicitária. 

Obras 1

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Espetáculos 13

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Exposições 6

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Shows musicais 2

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Fontes de pesquisa 8

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  • ANDREATO, Elifas. Elifas Andreato. São Paulo: J. J. Carol, 2010.
  • ANDREATO, Elifas. Entrevista concedida a Sara Goldchmit em 11 ago. 2011.
  • ANDREATO, Elifas. Impressões. São Paulo: Globo, 1996.
  • MEGGS, Philip. História do design gráfico. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
  • Programa do Espetáculo - Classe Média Televisão Quebrada - 1978. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Equus - 1975. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Muro de Arrimo - 1975. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo- Ensina-me A Viver - 1981. Não catalogado

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