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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Elifas Andreato

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.03.2022
22.01.1946 Brasil / Paraná / Rolândia
29.03.2022 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecia

O Jogo da Vida [cartaz], 1977
Elifas Andreato
Desenho
94,00 cm x 64,00 cm

Elifas Vicente Andreato (Rolândia, Paraná, 1946 - São Paulo, São Paulo, 2022). Artista gráfico, ilustrador, cenógrafo. Através de seus trabalhos como designer gráfico mescla arte e engajamento político em diferentes suportes, dando ênfase em suas criações para as expressões culturais brasileiras.

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Elifas Vicente Andreato (Rolândia, Paraná, 1946 - São Paulo, São Paulo, 2022). Artista gráfico, ilustrador, cenógrafo. Através de seus trabalhos como designer gráfico mescla arte e engajamento político em diferentes suportes, dando ênfase em suas criações para as expressões culturais brasileiras.

Autodidata, Andreato descobre nas bancas de jornais suas primeiras influências. Muda-se para São Paulo em 1960. Em 1962, conhece a obra Meninos de Brodósqui (1940), de Cândido Portinari (1903-1962), quando imagens do quadro são publicadas na revista O Cruzeiro, em homenagem à morte do pintor. Na mesma época, conhece o trabalho de Di Cavalcanti (1897-1976). Ambos influenciam o desenvolvimento artístico de Elifas, que identifica a própria história no sofrimento representado nas obras desses pintores.

Em 1965, desenha charges com conteúdo sindical em uma publicação da fábrica de motores, na qual trabalha como torneiro mecânico. É chamado para pintar painéis decorativos para os bailes realizados nos galpões da empresa. 

Durante os anos 1960, Elifas conhece o trabalho de Milton Glaser (1929), artista gráfico estadunidense, integrante do Push Pin Studio1. O trabalho de Glaser surpreende o artista brasileiro pela possibilidade de o ilustrador expressar-se com irreverência e crítica. Além disso, os integrantes desse estúdio são, ao mesmo tempo, ilustradores e designers, não havendo separação de tarefas. Assim como Elifas, envolvem-se na realização integral da peça gráfica, desde a concepção até a impressão. No âmbito nacional, é possível estabelecer paralelos entre a obra de Elifas Andreato e a de Tide Hellmeister (1942-2008), artista gráfico brasileiro contemporâneo, por quem Elifas revela admiração. 

Durante o ínicio da década, começa a trabalhar em agências de publicidade. Em 1967, atua na Editora Abril como estagiário em revistas, como Manequim, Claudia, Quatro Rodas e Placar. Em 1970, torna-se chefe de arte da Abril Cultural. No mesmo ano, realiza a direção de arte da coleção de fascículos História da Música Popular Brasileira

A Editora Abril é para Elifas uma verdadeira escola de design gráfico, pois proporciona a ele contato com jornalistas renomados e lhe oferece acesso a materiais de desenho e pintura, livros e revistas de arte. Além do trabalho de projetista gráfico, aproveita a oportunidade de aprender sobre os processos de impressão offset. O entendimento dos recursos oferecidos pela tecnologia gráfica abre para ele possibilidades de experimentação, como a criação de capas de disco diferenciadas, com modelos especiais e variações de acabamentos.

Elifas Andreato é conhecido pelas capas de discos de música popular brasileira, criadas nas décadas de 1970 e 1980. A linguagem visual do artista caracteriza-se pela representação figurativa de tipos brasileiros e expressão da cultura popular nacional. Entre seus trabalhos estão discos como Nervos de Aço (1973), de Paulinho da Viola (1942); Arca de Noé (1980), de Vinícius de Moraes (1913-1980); Ópera do Malandro (1979) e Almanaque (1981), de Chico Buarque (1944); Luz das Estrelas (1985), de Elis Regina (1945-1982).

O estilo figurativo de Andreato caracteriza-se pela representação hiper-realista da figura humana com forte carga emotiva. Os personagens ganham novos significados, revelados em cores, texturas e elementos simbólicos. Em suas capas de discos, é recorrente o uso do retrato, no qual o designer enfatiza o universo emocional do músico, como na capa do disco Nervos de Aço, na qual Paulinho da Viola é retratado com um buquê de flores na mão e chora lágrimas densas.

Em 1973, engajado na luta política contra a ditadura militar e interessado pela dimensão política do design gráfico - a arte voltada para a reprodução em papel, com circulação entre milhares de pessoas - pede demissão do cargo de diretor de arte da Abril Cultural para integrar a equipe do recém fundado jornal carioca Opinião. 

Também participa como diretor de arte de publicações paulistas, como o jornal Movimento e a revista Argumento2. Nessa época, amplia a atuação na área cultural, criando cartazes para eventos artísticos, cenários para teatro e capas de livro, entre as quais estão O Pirotécnico Zacarias (1974), de Murilo Rubião (1916-1991); A Morte de D. J. em Paris (1975), de Roberto Drummond (1933-2002); e A Legião Estrangeira (1979), de Clarice Lispector (1925-1977), todas obras da coleção Nosso Tempo, publicada pela Editora Ática. Entre 1996 e 1998, desenvolve projeto gráfico e ilustrações para as coleções de CDs MPB Compositores e História do Samba, da Editora Globo. Em 1999, trabalha na publicação do Almanaque Brasil de Cultura.

Popular, distribuído nas aeronaves da companhia aérea TAM. Em 2009, recebe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (1945) a comenda da Ordem do Mérito Cultural pelo conjunto de sua obra.

Sua produção é longeva e o design de suas capas de discos chegam às novas gerações da música, como o rapper Criolo (1975) que tem seu disco dedicado ao samba Espiral da Ilusão (2017), ilustrado por Elifas.

Com experiência editorial e engajamento político, Elifas deixa como legado importantes materiais gráficos para a arte e política brasileiras, como capas de discos, cartazes e participação em importantes periódicos do país.

Notas

1. Estúdio que reúne artistas gráficos e ilustradores que renovam a linguagem do design estadunidense, com forte influência da Pop Art e da linguagem publicitária. 

2. Publicações ligadas à  imprensa alternativa, com veiculação de textos de jornalistas e intelectuais de oposição ao regime militar.

Obras 1

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Espetáculos 13

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Exposições 7

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Shows musicais 2

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Fontes de pesquisa 10

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