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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Osmar Rodrigues Cruz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.10.2020
02.04.1924 Brasil / São Paulo / São Paulo
05.04.2007 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico autoria desconhecida

Retrato de Osmar Rodrigues Cruz
Osmar Rodrigues Cruz
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Osmar Rodrigues Cruz (São Paulo, São Paulo, 1924 - idem 2007). Diretor. Encenador eclético e perseverante, cria e dirige o Teatro Popular do Sesi por cerca de trinta anos, distinguindo-se pelo uso apurado das convenções cênicas, elegendo sobretudo um repertório extraído entre os clássicos nacionais e estrangeiros.

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Biografia
Osmar Rodrigues Cruz (São Paulo, São Paulo, 1924 - idem 2007). Diretor. Encenador eclético e perseverante, cria e dirige o Teatro Popular do Sesi por cerca de trinta anos, distinguindo-se pelo uso apurado das convenções cênicas, elegendo sobretudo um repertório extraído entre os clássicos nacionais e estrangeiros.

Levado pelo pai desde a infância ao teatro, Osmar começa fazendo teatro amador no Centro Acadêmico Horácio Berlinck, da Faculdade de Ciências Econômicas, na qual é aluno e se forma em 1947. O texto mais importante por ele dirigido com os amadores é Os Espectros, de Henrik Ibsen, em 1947. Entre 1949 e 1950 assina, no Jornal Comércio e Indústria, uma coluna dedicada à crítica teatral. Com o advento da televisão, é convidado a produzir um teleteatro semanal na TV Tupi, ao mesmo tempo que inicia a formação de um grupo amador ligado ao Grêmio da Caixa Econômica Federal, onde dirige O Badejo, de Artur Azevedo, estreando em 1953, e, no ano seguinte, As Guerras do Alecrim e da Manjerona, de Antônio José da Silva, o Judeu.

Após prestar um concurso para "ensaiador" de um grupo amador das indústrias Rhodia, em Santo André, é admitido no cargo e ali movimenta, nos anos seguintes, diversas turmas de operários em montagens simples mas eficientes, que despertam a curiosidade do público. Logo após, funda o Teatro Experimental do Sesi, TE-Sesi, com o qual realiza A Torre em Concurso, de Joaquim Manuel de Macedo, em 1959; O Fazedor de Chuva, de Richard Nash, em 1960; A Pequena da Província, de Clifford Odetts, no mesmo ano; A Beata Maria do Egito, de Rachel de Queiroz, em 1961, e Loucuras de Verão, também de Richard Nash, em 1962.

O sucesso alcançado com os grupos amadores de diversas empresas e essa experiência junto ao TE-Sesi será definitiva para levá-lo a propor, junto à Federação das Indústrias, em 1962, a criação do Teatro Popular do Sesi - TPS.

Inspirado nas idéias de Jean Villar, implementadas no Théâtre National Populaire, TNP, que ressuscita na França o espírito do teatro popular pleiteado por Romain Rolland no começo do século, Osmar capitaneia a iniciativa e faz estrear o novo conjunto em 1963, com Cidade Assassinada, de Antônio Callado quase no fim do ano.

A partir de então, é o cabeça de todo o empreendimento, até sua aposentadoria em 1989.

Suas encenações subseqüentes no Sesi são: Noites Brancas, de Dostoievski, e Caprichos do Amor e do Acaso, de Marivaux, em 1964; A Sapateira Prodigiosa, de Federico García Lorca, em 1965; O Avarento, de Molière, e Manhãs de Sol, de Oduvaldo Vianna, em 1966; e O Milagre de Annie Sullivan, em 1967, o maior trunfo da companhia até então, com uma carreira coroada de sucesso por dois anos.

Essa ênfase no repertório clássico sempre é dominante nas escolhas de Osmar, destinadas a espetáculos gratuitos para industriários, cuja grande maioria nunca havia pisado num teatro. A preocupação com a formação do público desde o início é constante, por meio de debates, seminários e palestras realizados nas fábricas pelos monitores da companhia.

Em 1969, é encenado Intriga e Amor, de Schilller; seguindo-se Memórias de Um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, em 1970; Senhora, de José de Alencar, em 1971; e Um Grito de Liberdade, de Sérgio Viotti, destinado às comemorações do Sesquicentenário da Independência, em 1972. No ano seguinte, são montados Caiu o Ministério, de França Júnior, e Médico à Força, de Molière, com o conjunto volante da companhia, destinado a percorrer cidades do interior, em 1974. No mesmo ano, a atração na capital é Leonor de Mendonça, de Gonçalves Dias; enquanto O Noviço, de Martins Pena, ocupa o ano de 1976.

Num período em que Plínio Marcos encontra-se com seu repertório totalmente proibido, Osmar encomenda-lhe um musical sobre Noel Rosa, fazendo estrear O Poeta da Vila e Seus Amores, em 1977, sendo premiado com o Molière de melhor direção; primeiro de uma série de musicais que se seguem, sempre com profundo agrado das platéias, numa nova fase do Sesi, pela primeira vez com uma casa de espetáculos própria, sediada no edifício da Fiesp da Av. Paulista.

Em 1979, Osmar encena A Falecida, de Nelson Rodrigues, com cenografia de Flávio Império, realização coroada de êxito. O Santo Milagroso, de Lauro César Muniz, é a atração de 1981; enquanto o musical Chiquinha Gonzaga, Ó Abre Alas, de Maria Adelaide Amaral, conhece a aventura do palco em 1983. Dois anos após, outro musical de sucesso: O Rei do Riso, de Luís Alberto de Abreu, sobre a vida do grande comediante Vasquez, rei dos palcos na década de 1930.

Em 1987, Osmar dirige Feitiço, de Oduvaldo Vianna, e no ano seguinte, Onde Canta o Sabiá, de Gastão Tojeiro, até encerrar suas atividades com Confusão na Cidade, de Carlo Goldoni, montado em 1989.

O TPS, a partir de então, muda de rumo, e diretores avulsos são contratados para as direções. Osmar encena, ainda, uma dúzia de outros espetáculos, destinados ao conjunto volante. Fora do TPS, dirige alguns espetáculos avulsos que merecem destaque, entre eles: Dois na Gangorra, de William Gibson, com Lilian Lemmertz e Juca de Oliveira, em 1968; A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, com Marília Pêra à frente do elenco, também em 1968; Pequenos Assassinatos, de Jules Feiffer, destacando Eva Wilma como protagonista, em 1972; e Os Amantes de Viorne, com Nathália Timberg, em 1972.

Osmar Rodrigues Cruz é também um dedicado ensaísta. Os textos que escreve nos programas dos espetáculos do Sesi dão um belo volume de ensaios introdutórios à história da dramaturgia ocidental.

A Falecida constitui-se numa das grandes realizações de Osmar, admirada pelo próprio Nelson Rodrigues. Sobre a encenação, declara a crítica Mariangela Alves de Lima: "Das múltiplas abordagens que a obra de Nelson Rodrigues pode suscitar, o diretor Osmar Rodrigues Cruz escolheu apenas uma: a exegese de uma paixão. [...] ... a solução de Osmar Rodrigues Cruz é um verdadeiro ovo de Colombo. Adotando uma interpretação despretensiosa (e ao mesmo tempo fiel) da obra, o espetáculo recupera para o presente as inovações e minimiza certos golpes de efeitos que poderiam fascinar numa leitura mais superficial. Todos os traços exagerados adquirem um direito inegável à existência cênica não porque sejam 'teatrais' mas porque o palco é, por direito de nascimento, a arena das paixões humanas. E das paixões não é lícito exigir a polidez".[1]

Notas

1. LIMA, Mariangela Alves de. 'A Falecida'. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 ago. 1979.

Obras 1

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Espetáculos 59

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Fontes de pesquisa 10

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  • CRUZ, Osmar Rodrigues. Depoimento. DEPOIMENTOS VI. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1982.
  • CRUZ, Osmar Rodrigues. Osmar Rodrigues Cruz: uma vida no teatro. São Paulo: Hucitec, 2001. 503 p.
  • O Rei do Riso Homenagem ao Primeiro Ator Cômico. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, jul. de 1985. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - A Falecida - 1979. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Investigação da Classe Dominante - 1981. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Leonor de Mendonça - 1974. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Noel Rosa O Poeta da Vila e Seus Amores - 1977. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Milagre de Annie Sullivan - 1967. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Pequenos Assassinatos - 1972. Não catalogado
  • Revistas e programas do SESI.

Como citar

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