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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Armando Queiroz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.02.2022
18.04.1968 Brasil / Pará / Belém
Armando de Queiroz Santos Junior (Belém, Pará, 1968). Artista visual, curador e professor. Utiliza variados meios – objetos, intervenções, performances, fotografias, vídeos e instalações – para tratar da questão das diversas violências perpetradas na região amazônica, conjugando política e estética com olhar atento para a arte contemporânea e se...

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Armando de Queiroz Santos Junior (Belém, Pará, 1968). Artista visual, curador e professor. Utiliza variados meios – objetos, intervenções, performances, fotografias, vídeos e instalações – para tratar da questão das diversas violências perpetradas na região amazônica, conjugando política e estética com olhar atento para a arte contemporânea e seus elementos, como a apropriação, a arte relacional, a etnografia e a revisita crítica da história da arte.

Durante a infância e a adolescência, dedica-se ao desenho influenciado pelas figuras que sua mãe faz em caneta sobre papel ao contar-lhe histórias e pelo contato com a prática de um tio arquiteto. Frequenta o curso de História na Universidade Federal do Pará, mas não conclui a graduação, restando pendente apenas o trabalho de conclusão. Por se identificar mais com o universo das artes visuais, segue formação autodidata por meio da realização de pesquisas e experimentações e da participação em cursos livres e seminários.

Expõe pela primeira vez em 1993 no 2º Salão Paraense de Arte Contemporânea. No 12º Arte Pará, exibe a obra A sacralização do dessacralizado (1993). Nesse objeto pintado de cor prateada, Queiroz afixa um aro de bicicleta com contas coloridas em seus raios sobre um banco de madeira de manufatura local. Ele repousa a peça sobre um pequeno pedestal e, atrás dela, compõe um painel de ripas de madeira com uma pequena lâmpada e uma reprodução de Roda de bicicleta (1913), do artista francês Marcel Duchamp (1887-1968). Ao refazer o ready-made com materiais populares e expor sua figura original em um tipo de oratório das casas ribeirinhas, Queiroz funde parte da história da arte com a cultura amazônica, articulando as categorias de local e global, particular e universal. A sacralização da apropriação duchampiana e sua refeitura cabocla interrogam porque aqueles materiais naquele contexto não seriam também arte.

Em 1994, trabalha como voluntário para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na restauração de imagens sacras na Igreja de Santo Alexandre em Belém. Tem sua primeira exposição individual em 1995 na Galeria Theodoro Braga. A partir dos anos 2000, faz a direção de arte de diversos curtas-metragens. Presta serviços para o Iphan como assessor de coordenação no Canto do Patrimônio. A partir de 2002, expõe internacionalmente em países como Alemanha, França e Estados Unidos.

Em 2003, torna-se servidor do Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIM), vinculado à Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Pará. Exerce a função de supervisor museológico, compondo o grupo de pesquisa em arte contemporânea do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas e, posteriormente, participa da equipe de documentação fotográfica de acervos do SIM/Secult. Em 2008, coordena área de curadoria e montagem da instituição. O acesso a diferentes obras e pesquisas adensa seu conhecimento e se reverte na intensidade de sua produção.

Ganha o 3º Prêmio CNI-SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas e desenvolve, entre outras obras, Midas (2009). Com dez minutos, o vídeo traz em plano fechado a figura dourada cuja boca devora vários pequenos besouros que estão pousados sobre sua mão. Depois a boca se abre e dela saem inúmeros desses insetos, que se espalham ao redor dela, como se a consumisse. Imperceptivelmente, os besouros retornam à boca, que se fecha. Em seguida, o movimento se reverte e  a boca devolve os pequenos insetos para as mãos, como se os descomesse. A mitologia do rei Midas serve ao artista como emblema de desejo e morte, elementos centrais em sua pesquisa sobre a vivência dos garimpeiros em Serra Pelada.

Em 2010, ingressa no curso de graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Pará (UFPA). No mesmo ano, é homenageado do 29º Arte Pará. Em 2012, é nomeado Diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Pará e, posteriormente, retorna para a Casa das Onze Janelas para exercer a mesma função.

Expõe Ymá Nhandehetama (Antigamente fomos muitos) (2009) na 31 ͣ  Bienal de São Paulo em 20141. Esse vídeo de 8 minutos e 21 segundos é feito em parceria com o diretor de fotografia Marcelo Rodrigues (1965) e o indígena, ativista e jurista Almires Martins (1967), que aparece em primeiro plano sobre um fundo negro e iluminado por uma luz azulada como a noite. Almires discute como os povos originários são tornados invisíveis pela sociedade, pelo Direito e pela mídia. Depois da fala do indígena, a câmera se aproxima de seu rosto, que, pouco a pouco, é tingido de preto com as mãos e desaparece sobre o fundo escuro. Queiroz traz à tona de maneira direta e poética o genocídio histórico, jurídico, social e cultural dos indígenas brasileiros, particularmente os da Amazônia.

Inicia mestrado em Artes na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2016, desenvolvendo a pesquisa Destino Eldourado, continuado entre os anos de 2018 e 2020, período em que realiza o doutorado em Artes pela mesma universidade. 

A investigação de Queiroz permeia seu trabalho artístico a partir de Serra Pelada, da ida para o estado mineiro em meio a todo seu histórico regional de garimpo, da sua própria escrita poética e do andarilhar como tessitura etnográfica.

Com construções estéticas que não se eximem de se posicionar diante do mundo contemporâneo, o conjunto da obra de Armando Queiroz revela sua atenção ao ser humano e aos processos centenários de violência existentes na região Norte.

Notas

1. A obra pertence atualmente ao acervo do Itaú Cultural.

 

Exposições 75

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Festivais 1

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Workshops 2

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Fontes de pesquisa 9

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