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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

José Agrippino de Paula

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.06.2020
13.07.1937 Brasil / São Paulo / São Paulo
04.07.2007 Brasil / São Paulo / Embu
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

José Agrippino de Paula, 1970

José Agrippino de Paula e Silva (São Paulo, São Paulo, 1937 - Embu, São Paulo, 2007). Romancista, cineasta e dramaturgo. Em 1955, ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), junto com o cenógrafo Flávio Império (1935-1985), transferindo-se em seguida para a Faculdade Nacional de Arquitetura da Univers...

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Biografia 

José Agrippino de Paula e Silva (São Paulo, São Paulo, 1937 - Embu, São Paulo, 2007). Romancista, cineasta e dramaturgo. Em 1955, ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), junto com o cenógrafo Flávio Império (1935-1985), transferindo-se em seguida para a Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Na nova faculdade envolve-se com o teatro e encena, em 1959, uma adaptação do romance Crime e Castigo, do escritor russo Fiodor Dostoievski (1821-1881), na qual trabalha como ator, diretor e cenógrafo. Retorna a São Paulo, em 1965, onde publica seu primeiro romance, Lugar Público. No mesmo ano, por intermédio do artista plástico José Roberto Aguilar (1941), conhece a bailarina Maria Esther Stockler (s.d.-2006), sua companheira por toda a vida. Em 1967, publica sua obra mais importante, o romance PanAmérica. Escreve e dirige em parceria com Maria Esther diversos espetáculos teatrais, entre os quais se destaca Rito do Amor Selvagem, de 1969. No mesmo ano, dirige o filme Hitler III Mundo. Pressionados pela ditadura militar, Agrippino e Maria Esther fogem do Brasil, em 1971, e passam a década de 1970 viajando pelo mundo e produzindo pequenos documentários, com uma câmera super-8. Nessa época, o escritor dedica-se ao romance Terracéu, sobre o qual há pouquíssimas informações. De volta ao país, em 1980, Agrippino é diagnosticado como esquizofrênico e passa a viver isoladamente no município de Embu, na Grande São Paulo. Até sua morte, escreve compulsivamente, em 173 cadernos numerados, outro romance, também inédito, chamado Os Favorecidos de Madame Estereofônica.

Análise

Lugar Público, primeiro romance de José Agrippino de Paula, publicado em 1965, causa grande perplexidade na cena literária brasileira. Na orelha da primeira edição, o escritor Carlos Heitor Cony (1926) observa que a escrita de Agrippino possui afinidades com a de escritores franceses da década de 1950, criadores do chamado nouveau roman, pelo objetivismo da narração e o antipsicologismo na construção dos personagens.

De estilo fragmentário, Lugar Público aborda o cotidiano caótico de uma grande cidade na qual personagens com nomes de figuras históricas como Napoleão, César ou Pio XII vivem de forma errante. Já o romance PanAmérica, de 1967, é considerado, pelo compositor Caetano Veloso (1942), um precursor literário do movimento tropicalista. O romance radicaliza as características do livro anterior aproveitando o que o crítico Mario Schenberg (1914-1990) chama de "mitologia contemporânea": o narrador namora a diva Marilyn Monroe, convive com líderes políticos como o general Charles de Gaulle ou briga com ídolos do beisebol como Joe DiMaggio.

Os capítulos de PanAmérica, formados por blocos de textos de um único e extenso parágrafo, não têm continuidade entre si e o próprio narrador-protagonista alterna-se em diferentes papéis ao longo do romance: desde um diretor de Hollywood rodando um filme intitulado A Bíblia até um guerrilheiro latino-americano lutando ao lado de Che Guevara. Após PanAmérica, Agrippino dedica-se ao teatro e ao cinema, bem como a alguns textos de ficção jamais publicados.

Obras 1

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Espetáculos 6

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Exposições 1

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Fontes de pesquisa 6

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