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Cinema

Leopoldo Nunes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.01.2021
24.02.1966 Brasil / São Paulo / Santa Fé do Sul
26.05.2020 Brasil / Mato Grosso / Cuiabá
Leopoldo Nunes da Silva Filho (Santa Fé do Sul, São Paulo, 1966 – Cuiabá, Mato Grosso, 2020). Diretor de cinema, diretor de televisão, roteirista e gestor cultural. O cinema de Leopoldo Nunes desenvolve temas como engajamento social, cidadania e preocupação com o meio ambiente, e é voltado sobretudo para personagens idealistas, desfavorecidos e ...

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Leopoldo Nunes da Silva Filho (Santa Fé do Sul, São Paulo, 1966 – Cuiabá, Mato Grosso, 2020). Diretor de cinema, diretor de televisão, roteirista e gestor cultural. O cinema de Leopoldo Nunes desenvolve temas como engajamento social, cidadania e preocupação com o meio ambiente, e é voltado sobretudo para personagens idealistas, desfavorecidos e à margem social. 

Em 1983, Nunes integra o movimento cineclubista em Ribeirão Preto, com atividades no Cineclube Cauim. Dois anos depois, em São Paulo, atua na produção de vídeo independente. Estuda na Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de Los Baños, em Cuba, em 1988. No mesmo ano, passa a dirigir documentários para a TV dos Trabalhadores (TVT), em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, trabalho que executa até 1992. Em 1989, ingressa no curso de cinema da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Realiza como projeto de curso seu primeiro curta-metragem na bitola 35mm, a ficção A Idade do Lixo (1991). Nessa trama, um jovem autor se inspira em um depósito de lixo para escrever uma ficção científica e utópica sobre a violência do submundo. Ainda no ambiente universitário, Nunes participa de curtas como produtor associado, assistente de som e direção, e como ator.

Também como produção da ECA, realiza o curta ficcional O Argonauta Alemão (1994), na bitola 16 mm. Trata-se de recriação na forma de depoimento das histórias do aventureiro alemão Hans Staden (1525-1576), que conta sobre o naufrágio no litoral brasileiro e seu aprisionamento pelos índios tupinambás. Em seguida, dirige o curta documental O Profeta das Cores (1995), cujo personagem central é Antonio da Silva Nascimento (1942), com passagens por orfanato, reformatório e instituições psiquiátricas até os 42 anos, quando ganha a liberdade. Morador de rua, descobre a pintura e passa a sobreviver dela. 

Em codireção com Sérgio Basbaum (1964), realiza a ficção Erra Uma Vez (1997), também na bitola 16 mm. Com base na literatura de Paulo Leminski (1944-1989), o curta de contornos surreais gira em torno de um jovem que é trocado pela noiva por outro homem no momento do casamento, e, perambulando pela noite, encontra personagens como um morador de rua e uma mulher.

Nunes preside por duas gestões consecutivas, entre 1998 e 2001, a seção paulista da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas (ABD). A partir de 1999, passa a presidir a mesma entidade, em âmbito nacional, novamente por duas gestões. Ainda em 1998, integra por dois anos a Comissão Estadual de Cinema de São Paulo. No ano seguinte, faz parte da mesma comissão em caráter nacional, até 2002. As atividades dão início a uma trajetória prolífica como gestor cultural.

Integra a direção dos 3º e 4º Congresso Brasileiro de Cinema, nos anos de 2000 e 2001, respectivamente, nas gestões de Gustavo Dahl (1938-2011) como presidente do evento. Em 2003, é nomeado chefe de Gabinete e secretário adjunto da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, sob o comando de Gilberto Gil (1942), cargos em que permanece por um ano. 

Nunes dirige a ficção A Lata (2003), na qual a cidade de São Paulo ganha protagonismo. Na trama, um catador de latas cumpre a rotina noturna em busca do sustento, encontra tipos variados e se envolve em brigas ao ser roubado. 

Entre 2004 e 2006, ocupa o cargo de diretor de Patrocínios da Secretaria de Comunicação, nomeado pelo então presidente Luís Inácio Lula da Silva. Dirige em vídeo HD seu único longa-metragem, o documentário O Profeta das Águas (2005). O filme relata a trajetória do líder messiânico Aparecido Galdino Jacintho (1923-2020), vaqueiro que em 1970 comanda um grupo religioso contra a construção da hidrelétrica de Ilha Solteira. A obra, na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, efetiva a desapropriação de terras e inunda a cidade paulista de Rubinéia. Em plena ditadura, Galdino é preso pelo Exército Nacional, torturado e mantido em um manicômio judiciário por sete anos. Sua luta ganha repercussão nacional, gera ações de entidades de direitos humanos, católicas e da Ordem dos Advogados do Brasil, que conseguem libertá-lo.   

Em 2006, Nunes é nomeado para ocupar a direção na Agência Nacional de Cinema (Ancine), na qual permanece por um ano. Integra o grupo executivo para a criação, em 2007, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), conglomerado federal de mídia com emissoras de rádio e televisão. No mesmo ano, é indicado diretor de conteúdo e programação da TV Brasil, vinculada à EBC, onde permanece por dois anos. Entre 2009 e 2011, torna-se secretário de Cultura de São Bernardo do Campo. No mesmo ano em que deixa a secretaria, torna-se assessor da presidência da Riofilme, empresa da prefeitura do Rio de Janeiro dedicada à indústria audiovisual carioca. Em 2012, é nomeado secretário do Audiovisual por Marta Suplicy (1945), então ministra da Cultura, cargo que ocupa por dez meses, e sua última atividade oficial na gestão pública federal.

A trajetória de Leopoldo Nunes como diretor é marcada pela especial atenção aos indivíduos preocupados com a justiça e causas sociais. Seu empenho pela causa do cinema brasileiro deixa legado de conquistas da classe cinematográfica em período de retomada da produção e desenvolvimento de incentivos.

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