Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Ivonice Satie

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.01.2020
17.11.1950 Brasil / São Paulo / Bilac
12.08.2008 Brasil / São Paulo / São Paulo
Ivonice Satie Yoshimatsu Fagundes (Bilac, São Paulo, 1950 – São Paulo, São Paulo, 2008). Bailarina, coreógrafa, professora, diretora. Com 9 anos, inicia os estudos em dança na Escola Municipal de Bailado de São Paulo. Em 1967, tem seu primeiro contrato profissional, para dançar na TV Record, a convite do bailarino Ismael Guiser (1927-2008) e da ...

Texto

Abrir módulo

Ivonice Satie Yoshimatsu Fagundes (Bilac, São Paulo, 1950 – São Paulo, São Paulo, 2008). Bailarina, coreógrafa, professora, diretora. Com 9 anos, inicia os estudos em dança na Escola Municipal de Bailado de São Paulo. Em 1967, tem seu primeiro contrato profissional, para dançar na TV Record, a convite do bailarino Ismael Guiser (1927-2008) e da bailarina Ruth Rachou (1927). Em 1968, integra o Corpo de Baile do Teatro Municipal de São Paulo. Ao longo de 14 anos junto à companhia paulistana, atua como bailarina e assistente de coreografia (1978-1981), assistente de direção artística (1981) e diretora (1993-1996 e 1999-2001).

Em 1974, vive o momento de transição da companhia, quando a sapatilha de ponta é substituída por repertório moderno, assinado por artistas como Antonio Carlos Cardoso (1939), o espanhol Victor Navarro (1944) e os argentinos Oscar Araiz (1940) e Luis Arrieta (1951). Em 1977, recebe prêmio de melhor bailarina pela Associação Paulista de Críticos de Arte (Apca) e Prêmio Governador do Estado de São Paulo.

Em 1982, estreia sua primeira criação coreográfica, o dueto Shogun, que recebe diversos prêmios, entre eles, o 1º Prêmio Hors Concours no 7o Concurso Internacional de Coreografia em Nyon, Suíça, em 1983. Nesse ano, é convidada por Oscar Araiz para trabalhar como bailarina e assistente de coreografia no Ballet du Grand Theatre de Genève, na Suíça. 

Em 1990, ao retornar para o Brasil, trabalha com a companhia paulistana Cisne Negro, como ensaiadora e professora. A partir de 1993, volta a atuar no Balé da Cidade de São Paulo como diretora artística. Em 1995, o grupo recebe o prêmio Mambembe de melhor companhia. Em 1996, Satie lança o Balé da Cidade em carreira internacional, em Lyon, França. 

Com base na experiência como assessora de Linguagem Artística na cidade de Diadema, entre 1993 e 2003, Satie oferece oficinas para popularizar a dança e acesso a crianças de diferentes faixas etárias e biotipos. Esse trabalho, vinculado à prefeitura de Diadema, ganha força e dá origem à Companhia de Danças de Diadema, fundada e codirigida pela bailarina. Em 1998, cria o projeto Mão na Roda, voltado para portadores de deficiência física, bem como Trançando as Pernas e a Casa da Dança, ambos voltados para formação de crianças.

Em 1999, retoma a direção do Balé da Cidade de São Paulo e assume os cargos de diretora de dança do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Estado de São Paulo (S

De 2001 a 2002, à convite do Instituto Göethe, integra o Conselho Consultivo do Festival de Dança de Joinville e participa do Global Dance 2002, em Düsseldorf, Alemanha. De 2003 a 2005, torna-se diretora artística da Companhia de Dança do Amazonas (CDA), para a qual cria, entre outros espetáculos, O Grito Verde, apresentado na França, em 2005, durante as comemorações do Ano Brasil-França. Convidada pelo governo do Amazonas, dirige a peça A Lenda do Guaraná, com artistas da comunidade indígena de Maués. Em 2005, assume, ao lado do bailarino e coreógrafo Anselmo Zolla (1967), a direção artística da Companhia Sociedade Masculina de São Paulo, para a qual cria o espetáculo solo Tomiko/A minha mãe (2006).

Análise

Ainda na infância, aprende com seu avô, mestre Yoshimatsu, yai-dô (arte da espada) e kembu (dança do samurai), práticas que exigem disciplina e precisão de movimentos. Em uma das últimas entrevistas concedidas por Satie, em 2008, quatro meses antes de sua morte, para o projeto Figuras da Dança, da São Paulo Companhia de Dança, declara: “Na verdade, ele estava me revelando um olhar diferente sobre a dança, sobre o movimento que vem do interior de cada um de nós. Aprendi uma postura interior que me acompanhará sempre e além”.

Essa perspectiva sobre a dança está expressa, sobretudo, nos trabalhos realizados nas cidades paulistas de Diadema e Ribeirão Pires e no estado do Amazonas. Nesses lugares, Ivonice, por meio de atuação de cunho social, profissionaliza, populariza e integra a dança nessas comunidades, inclusive na comunidade indígena de Maués, Amazonas. Cria espaços que permitem a aprendizagem da dança, entendendo essa linguagem artística como possibilidade de educação.

Na última passagem pelo Balé da Cidade de São Paulo, como diretora artística, entre 1999 e 2001, Satie imprime sua assinatura. Com 30 anos de existência, bailarinos com diferença de idade de até vinte anos dividem o mesmo repertório. Ivonice percebe a necessidade de mudanças no grupo e cria a Companhia 2, reservada ao elenco veterano, com espetáculos próprios que evidenciem a experiência dos artistas. 

A convite de Ismael Guiser para uma gala produzida por ele, com participação de expoentes da dança brasileira, Satie homenageia seu avô com o dueto Shogun. A coreografia conquista vários prêmios e é encenada por diversas companhias e lugares do mundo. A palavra shogun remonta à época do Japão feudal e expressa a relação entre mestre e discípulo.

Como coreógrafa, cria para várias companhias nacionais e internacionais, na Europa e nos Estados Unidos. Satie trilha uma carreira comprometida com a difusão, a profissionalização e a socialização da dança no Brasil. Durante seu percurso profissional, não deixa de atuar como intérprete nos palcos brasileiros. Em entrevista, a bailarina afirma que o bom profissional da dança expressa sua alma e é um artesão do corpo.

Satie cria uma linha de produtos – como o Foot Tites, uma espécie de meia-sapatilha para proteger e dar a impressão de pés descalços aos bailarinos – e uma linha exclusiva de indumentária voltada para o balé contemporâneo. No final da vida, mantém aceso o espírito de bailarina, no Studio 3, onde dirige, coreografa e dança ao lado do bailarino e coreógrafo Anselmo Zola. O nome de Ivonice Satie ecoa pelos palcos e pelas salas de aula do Brasil. A atuação marcada pela disciplina, força e pelo poder transformador fazem dela uma artista reverenciada ecomprometida com a dança brasileira.

Espetáculos 4

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 6

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: