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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Ruy Ohtake

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.11.2021
27.01.1938 Brasil / São Paulo / São Paulo
27.11.2021 Brasil / São Paulo / São Paulo
Massashi Ruy Ohtake (São Paulo, São Paulo, 1938 - idem, 2021). Arquiteto. Sua trajetória abarca projetos para diferentes usos sempre privilegiando a integração do urbano com a natureza e entre as pessoas, criando espaços de convívio, além de entender a arquitetura e reivindicá-la como obra de arte.

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Massashi Ruy Ohtake (São Paulo, São Paulo, 1938 - idem, 2021). Arquiteto. Sua trajetória abarca projetos para diferentes usos sempre privilegiando a integração do urbano com a natureza e entre as pessoas, criando espaços de convívio, além de entender a arquitetura e reivindicá-la como obra de arte.

Forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) em 1960. Ainda estudante, monta um escritório com um engenheiro construtor e realiza seus primeiros projetos. Recém-formado, funda o escritório Ruy Ohtake em 1961 e desenvolve residências unifamiliares, edifícios residenciais, comerciais, institucionais e industriais, públicos e privados.

A obra de Ruy Ohtake destaca-se pela síntese entre as proposições das escolas carioca e paulista de arquitetura, em especial as formuladas respectivamente pelos arquitetos e urbanistas Oscar Niemeyer (1907-2012) e Vilanova Artigas (1915-1985). A primeira fase de Ohtake traz a crença no alcance social da arquitetura e o compromisso com o planejamento de espaços que privilegiam o convívio e a integração com a cidade. Segundo o crítico de arte Agnaldo Farias (1955), o arquiteto “evitou cuidadosamente que o substrato político [desse compromisso] o distanciasse da atividade projetual, o que fez liberando sua própria expressão até o ponto em que seu trabalho passasse a revelar sua condição de produto inequívoco de uma subjetividade”1. Atento ao discurso e à obra de Niemeyer pós-Brasília, Ohtake reivindica para a arquitetura o estatuto de obra de arte. Preocupa-se em criar um vocabulário arquitetônico próprio, que se contraponha e supere a experiência urbana estéril.

Nos primeiros projetos, desenha residências pensadas como modelos de uma nova sociabilidade. Cria espaços definidos por muros laterais e lajes contínuas de concreto armado. Confere amplitude aos ambientes sociais, integrando-os aos espaços externos – com janelas do piso ao teto, pérgulas2 e iluminação zenital – e reduz as áreas íntimas e de serviços. 

Atua também como professor,  lecionando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU/Mackenzie), de 1963 a 1964, e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Santos (FAU/Santos), de 1970 a 1995. Nesta instituição, recebe o título de Professor Emérito em 2007.

Em seus projetos para as residências Chiyo Hama (1967-1969), Tomie Ohtake (1968-1970) e José Roberto Filippelli (1970-1972), não alcança a oposição a aos modelos arquitetônicos vigentes de projetos de Artigas ou Paulo Mendes da Rocha (1928). Entretanto já apresenta espaços fluidos, interrompidos por blocos funcionais – quartos, sanitários, cozinha ou áreas de serviço – que possibilitam vários percursos e áreas de convívio. 

Essas propostas têm novos desdobramentos nas centrais telefônicas de Campos de Jordão (1973-1974) e Ibiúna (1974-1975) e na agência Butantã do Banespa (1976-1978). Nesses projetos, Ohtake concebe o edifício integrado à cidade: desenha uma praça sombreada por uma cobertura em concreto armado, que supera os sistemas construtivos tradicionais, e funde pilares, vigas e lajes em uma estrutura única e contínua, que possibilita a organização flexível dos espaços internos, elementos característicos da escola paulista.

Em 1971, o arquiteto é reconhecido com o Prêmio Carlos Millan conferido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) pelo conjunto da obra.

Em sua produção, vale também mencionar dois projetos urbanos que se destacam pelo desenho efetivo do território: o Parque Ecológico do Tietê  (1976) e o de Indaiatuba (1989-1991). Em ambos, o arquiteto propõe a recuperação do leito natural do rio e a construção de lagos e bosques, como áreas de escape do rio e de lazer para a população.

O uso da linha curva, elogiado na obra de Niemeyer, é ensaiado por Ohtake nas residências Hama e Filippelli no desenho de blocos funcionais e do mobiliário, aproximando o artefato construído da natureza. A linha curva passa pelo desenho dos pisos, pelas lajes e pelas paredes das residências Paulo Chedid (1974-1976), José Egreja (1975-1978) e Domingos Brás (1989-1991). Também delineia as superfícies das fachadas principais da agência do Banespa em Goiânia (1977-1979) e dos edifícios Triomphe (1984-1987), Arte 1 (1985-1988) e Maison de Mouette (1988-1990) em São Paulo. No hotel Las Américas (1983), no Pavilhão de São Paulo da Feira de Osaka (1989-1990) e no Centro Cultural de Cerquilho (2005), os volumes são desenhados por uma linha sinuosa empregada no piso ou na cobertura – solução empregada no conjunto de móveis de aço concebida nos anos 1990. 

Ruy também atua como gestor quando preside o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) entre 1979 e 1982.

Em projetos como a Embaixada do Brasil em Tóquio (1981-1983), os hotéis Renaissance (1992-1995) e Unique (1995-1999), o Instituto Tomie Othake (1995-2001) e o Edifício Santa Catarina (2004), são as formas geométricas regulares – algumas delas de forte apelo figurativo – que definem os volumes. Pensados como marcos urbanos em diálogo simultâneo com a escala metropolitana e local, esses edifícios também se diferenciam pelo uso de materiais variados e de cores orgânicas, características da produção mais recente do arquiteto e que consagram a especificidade de sua poética.

Em 2006, é homenageado, novamente pelo IAB, com a Comenda Colar de Ouro, entregue no 18º Congresso Brasileiro de Arquitetos, pela contribuição ao desenvolvimento da arquitetura no país e da instituição.

Ruy Ohtake é um dos principais nomes da arquitetura de São Paulo, criando importantes edifícios na capital paulista e também importantes obras em cidades do interior, no entanto, sua obra não se restringe à escola local de arquitetura, arejando ideias e ampliando possibilidades pelo encontro com outras tradições arquitetônicas do país, como a carioca.
 
Notas

1. FARIAS, Agnaldo. A formação e as referências. In: OHTAKE, Ruy. La arquitectura de Ruy Ohtake. Madrid: Celeste, 1994. p. 70.

2. Espécie de passagem em arco em que são colocadas trepadeiras ou folhagens similares. Duas colunas paralelas estruturam esta construção. 

Exposições 17

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Seminários 1

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Fontes de pesquisa 12

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  • ARTIGAS, Vilanova. Caminhos da arquitetura. Organização Rosa Camargo Artigas e José Tavares Correia de Lira. 4. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2004.
  • KAMITA, João Massao. Espaço Moderno e País Novo. Arquitetura moderna no Rio de Janeiro. 1999. 184p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999.
  • LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. Arquitetura brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1979.
  • Morre o arquiteto Ruy Ohtake, que projetou o Hotel Unique e 'redondinhos' de Heliópolis, em SP. g1, São Paulo, 27 nov. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/11/27/morre-o-arquiteto-ruy-ohtake-aos-83-anos-em-sp.ghtml. Acesso em: 27 nov. 2021.
  • OHTAKE, Ruy. Arquiteto Ruy Ohtake: 15 anos de atividade. São Paulo: Projeto, 1976.
  • OHTAKE, Ruy. La arquitectura de Ruy Ohtake. Madrid: Celeste, 1994.
  • OHTAKE, Ruy. Ruy Ohtake Presente! São Paulo: FAU/USP, 2008.
  • Ruy Ohtake. Galeria da Arquitetura, São Paulo, 2021. Disponível em: https://www.galeriadaarquitetura.com.br/escritorio-de-arquitetura/a-p/ruy-ohtake/65750/. Acesso em: 27 nov. 2021.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • SEGRE, Roberto. Ruy Ohtake. Contemporaneidade da arquitetura brasileira. São Paulo: Associação Brasileira de Cimento Portland, 1999.
  • XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. 2ª ed. rev. ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
  • XAVIER, Alberto; CORONA, Eduardo; LEMOS, Carlos (org.). Arquitetura moderna paulistana. São Paulo: Pini, 1983.

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