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Artes visuais

Ruy Ohtake

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.11.2021
27.01.1938 Brasil / São Paulo / São Paulo
27.11.2021 Brasil / São Paulo / São Paulo
Massashi Ruy Ohtake (São Paulo, São Paulo, 1938 - idem, 2021). Arquiteto. Forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) em 1960. Ainda estudante, monta um escritório com um engenheiro construtor e realiza seus primeiros projetos. Recém-formado, funda o escritório Ruy Ohtake em 1961 e desenvolve residênci...

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Massashi Ruy Ohtake (São Paulo, São Paulo, 1938 - idem, 2021). Arquiteto. Forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) em 1960. Ainda estudante, monta um escritório com um engenheiro construtor e realiza seus primeiros projetos. Recém-formado, funda o escritório Ruy Ohtake em 1961 e desenvolve residências unifamiliares, edifícios residenciais, comerciais, institucionais e industriais, públicos e privados.

Executa projetos urbanos pelos quais recebe vários prêmios, entre eles, o Prêmio Carlos Millan, concedido em 1971, pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), pelo conjunto da obra. Em 2006, é homenageado pela mesma instituição com a Comenda Colar de Ouro, entregue no 18º Congresso Brasileiro de Arquitetos, pela contribuição ao desenvolvimento da arquitetura no país e ao IAB. Além da atuação como arquiteto, preside o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), entre 1979 e 1982.

Como professor, leciona na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU/Mackenzie), de 1963 a 1964, e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Santos (FAU/Santos), de 1970 a 1995. Nesta instituição, recebe o título de Professor Emérito em 2007.

Análise

A obra de Ruy Ohtake destaca-se pela síntese entre as proposições das escola carioca e paulista de arquitetura, em especial as formuladas respectivamente pelos arquitetos e urbanistas Oscar Niemeyer (1907-2012) e Vilanova Artigas (1915-1985). A primeira fase de Ohtake traz a crença no alcance social da arquitetura e o compromisso com o planejamento de espaços que privilegiam o convívio e a integração com a cidade. Segundo o crítico de arte Agnaldo Farias (1955), o arquiteto “evitou cuidadosamente que o substrato político [desse compromisso] o distanciasse da atividade projetual, o que fez liberando sua própria expressão até o ponto em que seu trabalho passasse a revelar sua condição de produto inequívoco de uma subjetividade”1. Atento ao discurso e à obra de Niemeyer pós-Brasília, Ohtake reivindica para a arquitetura o estatuto de obra de arte. Preocupa-se em criar um vocabulário arquitetônico próprio, que se contraponha e supere a experiência urbana estéril.

Nos primeiros projetos, desenha residências pensadas como modelos de uma nova sociabilidade. Cria espaços definidos por muros laterais e lajes contínuas de concreto armado. Confere amplitude aos ambientes sociais, integrando-as aos espaços externos – com janelas do piso ao teto, pérgulas2 e iluminação zenital – e reduz as áreas íntimas e de serviços. 

Nas residências Chiyo Hama (1967-1969), Tomie Ohtake (1968-1970) e José Roberto Filippelli (1970-1972), ele não alcança a radicalidade dos projetos de Artigas ou Paulo Mendes da Rocha (1928). Entretanto, cria espaços fluidos, interrompidos por blocos funcionais – quartos, sanitários, cozinha ou áreas de serviço – que possibilitam vários percursos e áreas de convívio. Essas propostas têm novos desdobramentos nas centrais telefônicas de Campos de Jordão (1973-1974) e Ibiúna (1974-1975) e na agência Butantã do Banespa (1976-1978). Nesses projetos, Ohtake concebe o edifício integrado à cidade: desenha uma praça sombreada por uma cobertura em concreto armado, que supera os sistemas construtivos tradicionais, e funde pilares, vigas e lajes em uma estrutura única e contínua, que possibilita a organização flexível dos espaços internos, elementos característicos da escola paulista.

O uso da linha curva, elogiado na obra de Niemeyer, é ensaiado por Ohtake nas residências Hama e Filippelli no desenho de blocos funcionais e do mobiliário, aproximando o artefato construído da natureza. A linha curva passa pelo desenho dos pisos, pelas lajes e pelas paredes das residências Paulo Chedid (1974-1976), José Egreja (1975-1978) e Domingos Brás (1989-1991). Também delineia as superfícies das fachadas principais da agência do Banespa em Goiânia (1977-1979) e dos edifícios Triomphe (1984-1987), Arte 1 (1985-1988) e Maison de Mouette (1988-1990) em São Paulo. No Hotel Las Américas (1983), no Pavilhão de São Paulo da Feira de Osaka (1989-1990) e no Centro Cultural de Cerquilho (2005), os volumes são desenhados por uma linha sinuosa empregada no piso ou na cobertura – solução empregada no conjunto de móveis de aço concebida nos anos 1990. 

Em projetos como a Embaixada do Brasil em Tóquio (1981-1983), os hotéis Renaissance (1992-1995) e Unique (1995-1999), o Instituto Tomie Othake (1995-2001) e o Edifício Santa Catarina (2004), são as formas geométricas regulares – algumas delas de forte apelo figurativo – que definem os volumes. Pensados como marcos urbanos em diálogo simultâneo com a escala metropolitana e local, esses edifícios também se diferenciam pelo uso de materiais variados e de cores orgânicas, características da produção mais recente do arquiteto e que consagram a especificidade de sua poética.

Em sua produção, vale também mencionar dois projetos urbanos que se destacam pelo desenho efetivo do território: o Parque Ecológico do Tietê  (1976) e o de Indaiatuba (1989-1991). Em ambos, o arquiteto propõe a recuperação do leito natural do rio e a construção de lagos e bosques, como áreas de escape do rio e de lazer para a população.

Notas

1. FARIAS, Agnaldo. A formação e as referências. In: OHTAKE, Ruy. La arquitectura de Ruy Ohtake. Madrid: Celeste, 1994. p. 70.

2. Espécie de passagem em arco em que são colocadas trepadeiras ou folhagens similares. Duas colunas paralelas estruturam esta construção. 

Exposições 17

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Seminários 1

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Fontes de pesquisa 12

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  • ARTIGAS, Vilanova. Caminhos da arquitetura. Organização Rosa Camargo Artigas e José Tavares Correia de Lira. 4. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2004.
  • KAMITA, João Massao. Espaço Moderno e País Novo. Arquitetura moderna no Rio de Janeiro. 1999. 184p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999.
  • LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. Arquitetura brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1979.
  • Morre o arquiteto Ruy Ohtake, que projetou o Hotel Unique e 'redondinhos' de Heliópolis, em SP. g1, São Paulo, 27 nov. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/11/27/morre-o-arquiteto-ruy-ohtake-aos-83-anos-em-sp.ghtml. Acesso em: 27 nov. 2021.
  • OHTAKE, Ruy. Arquiteto Ruy Ohtake: 15 anos de atividade. São Paulo: Projeto, 1976.
  • OHTAKE, Ruy. La arquitectura de Ruy Ohtake. Madrid: Celeste, 1994.
  • OHTAKE, Ruy. Ruy Ohtake Presente! São Paulo: FAU/USP, 2008.
  • Ruy Ohtake. Galeria da Arquitetura, São Paulo, 2021. Disponível em: https://www.galeriadaarquitetura.com.br/escritorio-de-arquitetura/a-p/ruy-ohtake/65750/. Acesso em: 27 nov. 2021.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • SEGRE, Roberto. Ruy Ohtake. Contemporaneidade da arquitetura brasileira. São Paulo: Associação Brasileira de Cimento Portland, 1999.
  • XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. 2ª ed. rev. ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
  • XAVIER, Alberto; LEMOS, Carlos; CORONA, Eduardo. Arquitetura Moderna Paulistana. São Paulo: Pini, 1983. 251p. il. p&b.

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