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Tião Carvalho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.03.2021
23.11.1955 Brasil / Maranhão / Cururupu
José Antônio Pires de Carvalho (Cururupu, Maranhão, 1955). Cantor, compositor, ator e produtor cultural. Figura fundamental para a disseminação de tradições da matriz popular africana, com especial atenção para o bumba meu boi. Seus conhecimentos e criações enriquecem também o cancioneiro popular relacionado aos folguedos e a danças tradicionais.

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José Antônio Pires de Carvalho (Cururupu, Maranhão, 1955). Cantor, compositor, ator e produtor cultural. Figura fundamental para a disseminação de tradições da matriz popular africana, com especial atenção para o bumba meu boi. Seus conhecimentos e criações enriquecem também o cancioneiro popular relacionado aos folguedos e a danças tradicionais.

Começa sua trajetória nas danças e nos festejos populares maranhenses como Bumba meu boi, Tambor de Crioula, Tamborinho e Bambaê. Ainda criança, participa de rodas de choro e de samba que acontecem na calçada da sua casa. Com base nessa relação com a cultura popular, desenvolve características que incorpora como artista. 

Na década de 1970, trabalha com o teatrólogo Aldo Leite (1941-2016) na montagem da peça Saltimbancos, com o Laborarte e Cazumbá, que mescla a cultura popular de origem afro-brasileira a elementos de uma cultura europeia hegemônica. Na mesma época, é um dos fundadores do Grupo Rabo de Vaca. Essas experiências estão ligadas essencialmente à relação que Tião estabelece com o trabalho de diretor teatral, músico e precursor de grupos artísticos. 

Em 1979, a convite do dramaturgo argentino Ilo Krugli (1930-2019), muda-se para o Rio de Janeiro e passa a integrar o elenco do Teatro Ventoforte. Transfere-se para São Paulo em 1985, e, no ano seguinte, funda o Grupo Cupuaçu Centro de Estudos de Danças Populares Brasileiras. 

Desde a década de 1980, concretiza espetáculos e oficinas de dança, música e teatro no Brasil e no exterior, e ministra palestras sobre manifestações das culturas populares em escolas, universidades e eventos temáticos, desenvolvendo assim seu papel como educador artístico.

Vai à França gravar seu primeiro trabalho independente, o disco Mexe com Tudo (1987), que evidencia aspectos musicais marcantes do bumba meu boi maranhense, coco e samba de roda. Nele, Tião interpreta cantigas de domínio público e músicas autorais.  
 
Apresenta-se com artistas como Sivuca (1930-2006), Hermeto Pascoal (1936) e Zeca Baleiro (1966). Tião Carvalho tem pelo menos duas aparições marcantes e definitivas na cultura maranhense: é dele a voz em “Itamirim”, conhecida toada do compositor Chico Saldanha, um dos hinos do São João maranhense; e é dele a clássica “Nós” (1988), imortalizada na voz de Cássia Eller (1962-2001) em 1996.

Integra a equipe de produção do documentário Atlântico Negro: Na Rota dos Orixás (1998), dirigido por Renato Barbieri (1958). Tião faz o intercâmbio entre o diretor e as comunidades quilombolas. Levando em consideração sua atuação como pesquisador e educador, participar da produção desse documentário afirma suas contribuições para aspectos étnicos e religiosos relacionados às matrizes africanas as quais pertence. 

Sua obra também dialoga com outros gêneros musicais, como o reggae, originário da Jamaica e influente no Maranhão, a exemplo de sua música “A Mulher Mais Bonita do Mundo” (2002), de seu primeiro disco solo, Quando Dorme Alcântara. Sua experiência musical focada em suas tradições é fortemente percebida nas  gravações, tanto na interpretação vocal quanto nos arranjos instrumentais. O tambor é o instrumento central de suas performances. 

O interesse na pesquisa e produção cultural influencia seu trabalho como cantor e compositor. De voz potente, ele é um intérprete que se mostra à vontade em arranjos que exploram a percussão. Admirador do conterrâneo João do Vale (1933-1996), em 2006 regrava algumas das principais músicas do ídolo no álbum-tributo Tião Carvalho Canta João Do Vale. Assim como Vale, Tião Carvalho tem um repertório que privilegia as canções de melodia marcante e força rítmica. 
  
Em 2012 recebe convite para um projeto de residência artística na Grécia pela Cia. O Grito, do diretor Roberto Morettho, proporcionando vivências sobre a cultura popular brasileira para a Banda Mafuá. Como músico, trabalha harmonias e distribuição de acordes com as marcações rítmicas fortemente presentes nas diversas formas do ciclo do boi, demonstrando virtuosismo em todos os aspectos de sua produção. Tião movimenta em seu empenho enunciativo recursos sonoros verbais e musicais, visuais e gestuais, cenográficos e de indumentária, em um contexto performático de encenação que envolve elementos teatrais, coreográficos e musicais, promovendo uma permeabilidade na distinção entre brincantes e público.
 
Entre 2012 e 2013, viaja para Moçambique e República da Guiné a convite dos grupos Nzinga (Núcleo Maputo) e África Viva – Fanta Konaté, para realizar oficinas, palestras e apresentações sobre as variadas expressões de diferentes regiões brasileiras. 

Com mais de 40 anos de contribuição para a difusão da cultura popular no Brasil e no mundo, em 2017 Tião Carvalho recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura na categoria Música. 
 
Tião Carvalho recebe ao longo da sua trajetória reconhecimentos presentes em todo esse arcabouço simbólico, relativamente complexo, que é a manifestação da cultura popular. Seja como cantor, compositor, dançarino ou educador, acaba por perpetuar toda a sua sabedoria artística.

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