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Artes visuais

Wenceslau de Queiroz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.11.2015
1865 Brasil / São Paulo / Jundiaí
1921 Brasil / São Paulo / São Paulo
Wenceslau José de Oliveira Queiroz (Jundiaí, SP, 1865 - São Paulo, SP, 1921). Poeta, jornalista, crítico, cronista, magistrado e professor. Depois de realizar os estudos preparatórios no Colégio do Seminário Caraça, em Minas Gerais, matricula-se em 1883 no curso de direito da Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, formando-se em 1890. P...

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Biografia
Wenceslau José de Oliveira Queiroz (Jundiaí, SP, 1865 - São Paulo, SP, 1921). Poeta, jornalista, crítico, cronista, magistrado e professor. Depois de realizar os estudos preparatórios no Colégio do Seminário Caraça, em Minas Gerais, matricula-se em 1883 no curso de direito da Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, formando-se em 1890. Paralelamente, publica diariamente versos na coluna Toda Lyra e produz críticas de arte e literatura na coluna Páginas Volantes, ambas no Correio Paulistano. Dedica-se à poesia e publica os livros de versos Goivos (1883) e Versos (1890). 

Queiroz e um grupo de intelectuais republicanos adquirem o jornal Correio Paulistano, em 1890. Exerce a função de deputado estadual entre 1892 e 1894. É membro do Conselho Superior da Instrução Pública a partir de 1895. Torna-se juiz federal substituto em 1897. Publica o livro Heróis (1898), que apresenta uma série de poesias de caráter patriótico. É redator de diversos periódicos, entre os quais A República, A Ideia, Diário Mercantil e A Vida Paulistana. Por dez anos é redator-chefe do Correio Paulistano e trabalha como colaborador por cerca de 30 anos. Integra o corpo docente do Conservatório Dramático Musical de São Paulo, do qual é um dos fundadores, lecionando estética, disciplina que após sua morte passa a ser ministrada pelo escritor Mário de Andrade (1893-1945), seu ex-aluno.1 

Na imprensa, utiliza os pseudônimos Dr. Pangloss - que escreve principalmente sobre vestuário e costumes no Correio Paulistano -, Lúcifer, Homerim, Colombina, Griff, João Crespo, Saulo e Frei Tomás. Colabora ainda em O Paiz, A Semana, Quinzena Paulista, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, Gazeta do Povo, O Constitucional, Scena Illustrata (de Florença), Revista Literária, Comércio de São Paulo, A Bohemia e Panoplia, entre outros periódicos.

Em 1909 funda, ao lado de outros intelectuais, a Academia Paulista de Letras (APL) e ocupa a cadeira nº 9. O livro Rezas do Diabo, composto de versos que tematizam o conflito humano com a religião, começa a ser escrito desde os tempos de faculdade, mas recebe sua primeira edição postumamente, em 1939.

Comentário crítico
O escritor Wenceslau de Queiroz é apontado pela crítica como um dos precursores do simbolismo no Brasil, absorvendo principalmente da poesia de Charles Baudelaire (1821-1867), do qual é ávido leitor e tradutor. Seus caminhos na poesia e na prosa transitam entre tendências parnasianas e simbolistas, que lhe valem o apelido de “Baudelaire paulistano”, como é chamado pelo poeta Ezequiel Freire (1850-1891). Como crítico literário trava polêmicas envolvendo escritores e colunistas de diferentes jornais. É autor de extensa produção crítica sobre pintura, música e teatro.

Colabora ativamente com o Correio Paulistano na coluna de crítica de arte e literatura Páginas Volantes, por volta de 1888. Também publica artigos assinados com pseudônimos. Relatos de companheiros do jornal atribuem a Queiroz a redação das seções de arte, sendo provavelmente responsável por textos não assinados e pelas colunas Registro de Arte - que apresenta pequenos ensaios sobre artistas e notas sobre exposições e espetáculos no Brasil e no exterior - e Teatros e Salões.

No campo dos estudos estéticos, é admirador das ideias do escritor português Ramalho Ortigão (1836-1915). Outra referência importante é o italiano Mario Pilo, autor de Estetica, Lezioni sul Bello (1905) e de outros estudos voltados à psicologia da recepção da arte. Em seus artigos também cita os escritores Émile Zola (1840-1902) e Eugène Véron (1825-1889). Como crítico de arte atuante em São Paulo e ligado à pintura de caráter naturalista, aproxima-se das ideias do crítico Ezequiel Freire.

Queiroz se detém sobre a obra de muitos artistas paulistas, como Pedro Alexandrino (1856-1942), Almeida Júnior (1850-1899), Campos Ayres (1881-1944) e Oscar Pereira da Silva (1865-1939). O conhecimento da pintura de Almeida Júnior por meio de Caipiras Negaceando,1888, causa em Queiroz uma impressão profunda, sobre a qual escreve seis artigos.2 Continua a tratar sobre o pintor ao longo dos anos, colocando-o na posição um artista paradigmático para a compreensão da pintura paulista. Utiliza uma estrutura de análise comum ao período, partindo da compleição física do artista, passando por sua trajetória e características da obra. Descreve Almeida Júnior de forma recorrente segundo a simplicidade de caipira pitoresco, o que não o impede de ser, em sua opinião, o verdadeiro criador da pintura nacional, estando ao lado do compositor Carlos Gomes (1839-1896) como “nossas maiores glórias artísticas”.
 
Ao escrever sobre Pereira da Silva,3 aparece a mesma estrutura que parte da análise de uma psicologia geral. Considera o quadro Fundação de São Paulo uma de suas melhores obras  e  o admira principalmente como um pintor de figuras que demonstra conhecimento anatômico. Ao tratar sobre Pedro Alexandrino4 elogia em suas naturezas-mortas uma busca pela verdade do assunto no colorido e no desenho, mas critica suas paisagens pela ausência da mesma verdade e de uma “alma” que anime seus elementos. Sobre a questão do empenho que Alexandrino dispensa sobre uma pintura de gênero inferior, responde que a importância deve ser atribuída ao gênero conforme seu diálogo com a psicologia humana, e lembra que outros gêneros foram considerados inferiores anteriormente.

Em muitos de seus escritos encontram-se apontamentos de uma reflexão sobre a atividade crítica. Queiroz afirma que os textos sobre artistas na imprensa diária são mais voltados ao campo do jornalismo, enquanto que a imprensa de periodicidade maior permitiria um trabalho que pode ser considerado crítica de arte, com mais espaço para o aprofundamento das análises. Ele desaprova a apatia da crítica de seu tempo, cuja forma indiferente de recepção tanto dos livros ruins quanto dos bons seria nociva ao desenvolvimento do meio artístico. Contra essa apatia defende uma participação ativa dos críticos no processo de formação dos artistas.5

Notas
1 Mário de Andrade recorda as aulas e as discussões sobre estética com Wenceslau de Queiroz na resenha sobre a publicação póstuma de Rezas do Diabo, em 1939. Ver em: ANDRADE, Mário. Rezas do diabo. O Estado de S. Paulo, 5 fev. 1939, p. 4.
2 Coluna Páginas Volantes, do Correio Paulistano, publicada entre 9 e 14 de outubro de 1888.
3 Revista Panoplia, junho de 1917
4 Revista Panoplia, julho de 1917.
5 Artigo “Crítica Literária”, Correio Paulistano, 9 de outubro de 1904.

Fontes de pesquisa 11

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  • ANDRADE, Mário. Rezas do diabo. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 5 fev. 1939, p. 4.
  • BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1974. 571 p.
  • DR. WENCESLAU de Queiroz. Correio Paulistano. São Paulo, 30 jan. 1921, p. 3.
  • FREIRE, Ezequiel. Wenceslau de Queiroz, o Baudelaire paulistano. Livro póstumo. São Paulo: Weiszflog Irmãos, 1910. p. 165-169.
  • LEANDRO, Karen Cristina. Letras dos poetas esquecidos: a boemia literária na belle époque paulistana. (Dissertação de mestrado). Programa de Pós-Graduação em História, do Centro de Ciência e Letras Humanas da Universidade Estadual de Londrina. Londrina, Paraná, 2012.
  • QUEIROZ, Wenceslau de. Almeida Júnior II. Correio Paulistano. São Paulo, 10 out. 1888, p. 1.
  • QUEIROZ, Wenceslau de. Almeida Júnior. Correio Paulistano. São Paulo, 9 out. 1888, p. 1.
  • QUEIROZ, Wenceslau de. Crítica literária. Correio Paulistano, São Paulo, 9 out. 1904, p. 1.
  • QUEIROZ, Wenceslau de. Oscar Pereira da Silva. Panoplia. São Paulo, jun. 1917, ano 1, n. 1, p. 23-25.
  • QUEIROZ, Wenceslau de. Pedro Alexandrino. Panoplia, São Paulo, jul. 1917, ano 1, n. 2, p. 59-62.
  • QUEIROZ, Wenceslau de. Poesias escolhidas. Introdução de Fernando Carvalho. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura: Comissão de Literatura 1962.

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