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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Militão Augusto de Azevedo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.02.2021
18.06.1837 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
24.05.1905 Brasil / São Paulo / São Paulo

Vista Geral, 1862
Militão Augusto de Azevedo
Albúmen
Coleção Gilberto Ferrez, Acervo do Instituto Moreira Salles

Militão Augusto de Azevedo (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1837 – São Paulo, São Paulo, 1905). Fotógrafo e ator. Militão de Azevedo tem um extenso e variado trabalho de documentação fotográfica da cidade de São Paulo de sua época.

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Militão Augusto de Azevedo (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1837 – São Paulo, São Paulo, 1905). Fotógrafo e ator. Militão de Azevedo tem um extenso e variado trabalho de documentação fotográfica da cidade de São Paulo de sua época.

Até a década de 1860, segue carreira como ator de teatro. Atua em grupos como a Companhia Joaquim Heliodoro e a Companhia Dramática Nacional, com a qual viaja a São Paulo em 1862, cidade onde reside e trabalha durante a maior parte de sua vida. 

Inicia-se na fotografia trabalhando no estúdio Photographia Academica de Carneiro & Gaspar e realiza, até 1865, a primeira grande documentação visual de São Paulo, anterior ao surto modernizador, na etapa final do Império. Cobre praticamente toda a extensão urbana da cidade – do centro aos limites do município –, que na época ainda guarda traços do passado colonial, com cerca de 45 ruas e 25 mil habitantes. 

Com engenho, as limitações técnicas se tornam parte da composição das imagens no trabalho do fotógrafo, cujo início de atuação coincide com a introdução no Brasil da produção com negativo em vidro de colódio úmido e impressão do positivo em papel albuminado. Pelo aspecto manual do revestimento da lâmina de vidro com o fluído, ocorrem falhas de encobrimento nas extremidades das fotografias. Esse entrave é transformado em solução estética por Militão, que corta os cantos das imagens mesmo quando o procedimento deixa de ser necessário. 

Diante do sucesso limitado de vendas, o fotógrafo dedica-se ao ofício de retratista, produzindo em torno de 12.500 retratos ao longo da carreira, o que corresponde a cerca de um terço da população paulistana na época. A intensa produção se beneficia do contexto dos anos 1870, com a “febre fotográfica”, atribuição do caricaturista Angelo Agostini (1843-1910) à atração popular pela possibilidade de registro visual da própria imagem. Militão compõe vasto painel dos tipos sociais – desde escravizados, estudantes e funcionários públicos, até políticos, intelectuais e figuras públicas, como o abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910) e o imperador Pedro II (1825-1891) – com anotações rigorosas de informações sobre os retratados nos livros de controle do estúdio. 

Nesse período, realiza as séries Álbum de Santos (1864-1865) e Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (1868). Segundo o pesquisador Rubens Fernandes Junior (1949), a fotografia de Militão isenta-se de “arroubos estéticos”, mantendo a simplicidade da composição. Na produção paisagística, preponderam os planos horizontais de ruas, ladeiras e largos, junto a tomadas de entroncamentos de vias emolduradas por edifícios e, com menos frequência, de chácaras. Nesses dois álbuns e nos registros de São Paulo, são frequentes vistas gerais e conjuntos de tomadas subsequentes que compõem panoramas com algumas movimentações de 360 graus.  

Em 1875, torna-se proprietário exclusivo do estúdio Carneiro & Gaspar, rebatizando-o como Photographia Americana. Depois de temporada na Europa para estudos de técnica fotográfica, vende o estúdio em 1886. No ano seguinte, lança sua obra principal, o Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo: 1862-1887, conjunto de 60 fotografias, formando 18 pares comparativos. As cidades de São Paulo “antiga” e “moderna”, então, justapõem-se, materializando a ideia de progresso, colocada de modo autoral, como ressalta a antropóloga Íris Morais de Araújo (1980). 

Nos pares, o arco histórico percorrido toma forma visual, com o contraste entre a pacata e provinciana cidade e a “metrópole do café”, que já apresenta traços de progresso em sua fisionomia e costumes, de acordo com o fotógrafo Boris Kossoy (1941). Para Fernandes Junior, a repetição de tomadas manifesta o esforço de documentação detalhada, expresso na captação em plano e contraplano. Também há cuidado na apreensão da circulação humana, aspecto particular de Militão. 

Anuncia o fim da atividade como fotógrafo em 1888. Além das fotografias documentais, Militão registra questões técnicas e atividades da Photographia Americana no manuscrito intitulado Livro Copiador de Cartas, composto também de missivas enviadas pelo fotógrafo entre 1883 e 1902. 

Em 1946, sua obra começa a ser reconhecida quando o fotógrafo Gilberto Ferrez (1908-2000) destaca Militão Augusto de Azevedo em ensaio pioneiro de balanço dos fotógrafos mais atuantes do país no século XIX. 

Na década de 1970, passa a ocupar posição privilegiada na história da fotografia brasileira, e recebe atenção crítica decisiva da professora e escritora Ilka Brunhilde Laurito (1925-2012), que publica o artigo O Século XIX na Fotografia de Militão (1972). Em 1973, imagens do Álbum Comparativo integram uma das primeiras exposições dedicadas à história da fotografia brasileira, realizada no Museu de Arte de São Paulo (Masp)

Militão Augusto de Azevedo registra as mudanças exercidas pela modernização na cidade de São Paulo e documenta criteriosamente os habitantes e as paisagens do Brasil do século XIX.

Obras 61

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Exposições 50

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 34

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  • A FOTOGRAFIA no Brasil do século XIX: 150 anos do fotógrafo Marc Ferrez 1843/1993. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1993. CAT-G SPpe 1993
  • ARAÚJO, Íris Morais. Militão Augusto de Azevedo: fotografia, história e antropologia. São Paulo: Alameda, 2010.
  • AZEVEDO, Militão Augusto de. Livro copiador de cartas. São Paulo, Museu Paulista USP, 1883-1902.
  • AZEVEDO, Militão Augusto de. Álbum comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1981.
  • BALDIN, Adriana Acosta. São Paulo em 1860 pelas lentes de Militão Augusto de Azevedo: a história urbana contada através das imagens. Dissertação (Mestrado em Urbanismo). Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2006.
  • CAMPOS, Eudes. Desenvolvimento urbano e arquitetura sob o império. In: PORTA, Paula (Org.). História da cidade de São Paulo. v. 2. São Paulo: Paz e Terra, 2002.
  • CARVALHO, Vânia Maria de. Representações urbanas: Militão Augusto de Azevedo e a memória visual da cidade de São Paulo. Rio de Janeiro: IBAC/Funarte, 1998.
  • CORRÊA DO LAGO, Pedro. Militão Augusto de Azevedo. São Paulo nos anos 1860. Visões do Brasil 2. Rio de Janeiro: Capivara, 2001. Apresentação de Rubens Fernandes Junior, texto de Pedro Corrêa do Lago.
  • FABRIS, Annateresa (org.). Fotografia: usos e funções no século XIX. São Paulo: Edusp, 1991. (Coleção texto & arte, 3).
  • FERREZ, Gilberto. A fotografia no Brasil: 1840- 1900. Prefácio Pedro Karp Vasquez. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. 248 p. (História da fotografia no Brasil, 1). 770.981 F387f 2.ed.
  • FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J. Pioneer photographers of Brazil: 1840 - 1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976. 770.981 F387pi
  • FREHSE, Fraya; BARBUY, Heloisa; JUNIOR, Rubens Fernandes. Militão Augusto De Azevedo. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
  • GERODETTI, João Emilio; CORNEJO, Carlos. Lembranças de São Paulo: a capital paulista nos cartões- postais e álbuns de Lembranças. São Paulo: Studio Flash, 1999.
  • GRANGEIRO, Candido Domingues. As artes de um negócio: a febre photográfica - São Paulo 1862-1886. 1993. 266 f. Dissertação (Mestrado - História) - Unicamp, 1993.
  • KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.
  • KOSSOY, Boris. Militão Augusto de Azevedo e a documentação fotográfica de São Paulo (1862-1887): recuperação da cena paulistana através da fotografia. 1978. 121 f. - Mestrado, São Paulo, 1978. T770.981 K86m
  • KOSSOY, Boris. Militão Augusto de Azevedo e a documentação fotográfica de São Paulo (1862-1887): recuperação da cena paulistana através da fotografia. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais). Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), São Paulo, 2002.
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  • LAGO, Pedro Corrêa do. Militão Augusto de Azevedo: São Paulo nos anos 1860. Apresentação Rubens Fernandes Junior, Demosthenes Madureira de Pinho Filho; coordenação de coleção Pedro Corrêa do Lago; tradução Beatriz Caldas, Renata Carneiro da Cunha. Rio de Janeiro: Capivara, 2001. 264 p., il. p&b.
  • LAURITO, Ilka Brunhilde. O século XIX na fotografia de Militão. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 31 dez. 1972. Suplemento Literário. p. 4.
  • LAURITO, Ilka Brunhilde. Retrato de um photographo. In: SÃO PAULO em três tempos: álbum comparativo da cidade de São Paulo (1862-1887-1914). São Paulo: Imesp, 1982. PRANCHA 770.981 A773a
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  • MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de; LEMOS, Carlos A. C. ; AMARAL, Aracy A; BERNARDET, Jean-Claude (orgs.). Retratos quase inocentes. São Paulo: Nobel, 1983. 770.981 M929r
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  • SÃO Paulo: 450 anos. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2004. (Cadernos de fotografia brasileira, 2).
  • TOLEDO, Benedito de Lima. A imperial cidade de São Paulo vista por Militão. In: AZEVEDO, Militão Augusto de. Álbum comparativo da cidade de São Paulo (1862-1887). São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo, 1981.
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  • VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985. 770.981 V335d
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Tradução Bill Gallagher. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995. 770.981 F387v

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