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Dança

Antonio Nóbrega

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.11.2016
02.05.1952 Brasil / Pernambuco / Recife
Antonio Carlos Nóbrega de Almeida (Recife, Pernambuco, 1952). Dançarino, músico, cantor e instrumentista. Filho de pais médicos, aos 12 anos dá início aos estudos de música erudita na Escola de Belas Artes do Recife. Com o professor catalão Luís Soler (1920-2011) aprende a tocar violino, seu primeiro instrumento, e com a brasileira Arlinda Rocha...

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Biografia
Antonio Carlos Nóbrega de Almeida (Recife, Pernambuco, 1952). Dançarino, músico, cantor e instrumentista. Filho de pais médicos, aos 12 anos dá início aos estudos de música erudita na Escola de Belas Artes do Recife. Com o professor catalão Luís Soler (1920-2011) aprende a tocar violino, seu primeiro instrumento, e com a brasileira Arlinda Rocha estuda canto lírico. Ele e as três irmãs mantêm um conjunto amador de música popular que toca nas rádios e na televisão, além de se apresentar em casamentos e festas. Nos anos 1960, inicia a carreira profissional na Orquestra de Câmera da Paraíba, em João Pessoa, e participa como convidado da Orquestra Sinfônica do Recife, realizando concertos como solista.

Em 1970, em Recife, integra o Quinteto Armorial como instrumentista e compositor, a convite do escritor Ariano Suassuna (1927). É nesse grupo, cuja base está enraizada na música erudita em comunhão com as tradições populares, que Nóbrega afirma seu interesse e intensifica os estudos sobre a cultura popular brasileira. O convívio de dez anos com o grupo o permite ter contato com danças, instrumentos, músicas e maneiras de interpretar dos brincantes¹ brasileiros. Inicia carreira-solo em 1976, criando o espetáculo A Bandeira do Divino. Na sequência, estreia Arte e Cantoria (1981), apresentado, em 1982, no 1º Festival Internacional de Teatro, em São Paulo. Com Maracatu Maravilhoso (1982), sua terceira obra, Nóbrega fixa residência em São Paulo com o propósito de divulgar seu trabalho e fortalecer o aprendizado de outras técnicas, como a interpretação. No repertório de Nóbrega a dança, o canto, a mímica e a representação teatral revelam um universo identificado com os espetáculos populares, em que vários tipos, mitos e figuras do fabulário brasileiro estão presentes. Em 1992, Nóbrega e sua companheira, a curitibana Rosane Almeida (1964), criam o Teatro e Escola Brincante, atual Instituto Brincante, um espaço para promover a cultura brasileira.

A música ganha relevância nas obras do artista em 1996. Fazem parte de sua discografia Na Pancada do Ganzá (1995), Madeira que Cupim Não Rói (1997), Pernambuco Falando para o Mundo (1998), O Marco do Meio Dia (2000), Lunário Perpétuo (2002) e Nove de Frevereiro (2006). O espetáculo Lunário Perpétuo ganha, em 2003, versão em registro cinematográfico sob a direção do fotógrafo e cineasta Walter Carvalho (1947), que também dirige o filme do espetáculo Nove de Frevereiro, em 2008. Em 2009, é filmado Naturalmente, um misto de aula e espetáculo. Nesse mesmo ano, Nóbrega recebe a Comenda do Mérito Cultural. Em 1985, contribui com a implementação do Departamento de Artes Corporais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ministra aula de danças populares até 1991. Apresenta-se em diversos países e, em parceria com sua esposa Rosane, desenvolve a série de programas Danças Brasileiras, para o Canal Futura, apresentados entre 2004 e 2005. Ao longo da carreira recebe importantes prêmios na área da música e da dança, entre eles o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 1989, 1996 e 2009; Shell (1994); e Sharp (1996).

Análise da trajetória
Antonio Nóbrega é um artista multidisciplinar cuja pesquisa, alicerçada em matrizes populares brasileiras, articula a fusão entre o erudito e o popular resultando na codificação de um gestual próprio que, além de sistematizar sua técnica, projeta a dança brasileira em âmbito internacional.

As danças clássica e moderna, assim como as danças orientais e populares são objeto de estudo de Nóbrega que, ao criar uma aliança entre seus movimentos, propõe uma escrita peculiar. As transposições dos passos, à medida que vão sendo reelaborados e recriados, produzem uma discussão sobre danças populares afastando a ideia de dança como um patrimônio estável. É priorizada a mobilidade da cultura popular, distanciando-se da “dança típica brasileira”, em busca de uma “dança com língua brasileira”.

Essa pesquisa sobre reinterpretação de passos, gestuais, posturas, procedimentos coreográficos, materiais míticos e simbólicos – presente em inúmeras dessas danças populares – amadurece com o encontro entre Nóbrega e Klauss Vianna (1928-1992). Para Nóbrega, Vianna é um pensador do corpo brasileiro. Com ele, estuda consciência corporal e elementos contemporâneos por dois anos, aprimorando a valorização da singularidade de cada corpo.

Seu repertório inclui espetáculos que mesclam música, teatro, mímica e dança. Também produz CDs e DVDs. Alguns deles apresentam uma linguagem voltada à criação coreográfica utilizando-se de um vocabulário de dança brasileira. São eles: O Reino do Meio Dia  (estreado no Carlton Dance Festival), Figural (Fundação Vitae), Nove de Frevereiro, Passo (prêmio Funarte Klauss Vianna) e Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira (prêmio APCA de melhor pesquisa em dança). Mas é com Naturalmente que Nóbrega parece chegar mais próximo do seu desejo de expor publicamente o que entende por dança “no pensamento e na prática”. Nóbrega considera esse espetáculo como sendo sua tese de doutorado, pois nele consegue unir arte e conceito, explicitando um modo de compreender corpo, arte e cultura. Sobre o título, diz que surgiu de uma conversa com o músico Dominguinhos (1941) e a sequência do nome dado ao espetáculo vem do discurso Teoria e Jogo do Duende (1933), escrito por Garcia Lorca (1898-1936).

Com a competência de tratar a cultura popular como um patrimônio da humanidade, Nóbrega, ao longo de sua carreira, aprofunda sua pesquisa e consolida um discurso em que o erudito e o popular brincam no seu corpo. Esse “brincante”, que é o termo que escolhe para caracterizar os seus dançarinos, tem sua assinatura em importantes desdobramentos sobre o entendimento da cultura popular no Brasil e no exterior. Ele não só divulga a arte popular ao criar o Teatro e Escola Brincante, atual Instituto Brincante, como abre um centro de referência da cultura brasileira, um espaço de conhecimento, assimilação, aprofundamento, recriação e difusão das inúmeras manifestações artísticas do país.

Nota
¹ Denominação comum dada aos artistas populares que trabalham nas ruas, pois quando vão apresentar algum tipo de espetáculo, “brincam”.

Exposições 2

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Eventos relacionados 147

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Fontes de pesquisa 25

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