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Artes visuais

Casemiro Xavier de Mendonça

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.02.2017
1947 Brasil / São Paulo / São Paulo
11.01.1992 Brasil / São Paulo / São Paulo
Casimiro Xavier de Mendonça Neto (São Paulo, São Paulo, 1947 – São Paulo, São Paulo, 1992). Jornalista, crítico de dança e de artes visuais e curador. No início dos anos 1970, abandona o curso de direito e inicia atividades em jornalismo na editoria de variedades do jornal Folha da Tarde. Exerce cobertura e crítica de artes visuais e dança. Em 1...

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Biografia

Casimiro Xavier de Mendonça Neto (São Paulo, São Paulo, 1947 – São Paulo, São Paulo, 1992). Jornalista, crítico de dança e de artes visuais e curador. No início dos anos 1970, abandona o curso de direito e inicia atividades em jornalismo na editoria de variedades do jornal Folha da Tarde. Exerce cobertura e crítica de artes visuais e dança. Em 1977, transfere-se para o Jornal da Tarde e amplia a cobertura jornalística em dança. Durante três anos, de 1976 a 1978, atua como membro da comissão de premiação em Dança da Associação Paulista de Críticos de Arte (Apca).

Assume, na gestão de 1977 a 1978, a presidência da Comissão Estadual de Dança da Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo, composta por Emilie Chamie (1927-2000) e Iracity Cardoso (1945). A comissão é responsável pela abertura do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) como Teatro de Dança, pelo fomento das atividades da área na cidade de São Paulo e pela inclusão da dança na 1a Bienal Latino-Americana de São Paulo (1978), em mostra paralela no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). À época, Takao Kusuno (1945-2001) é convidado para apresentar Corpo I, sua primeira realização.

Em 1980, retorna à Comissão, presidida por Ruth Rachou (1927) e estimula a vinda da companhia de Pina Bausch (1940-2009) ao país pela primeira vez. Nesse período, realiza Cartas Portuguesas (1978-1979), a única investida na encenação de um espetáculo de dança, com Emilie Chamie. Nos anos 1980 e 1990, intensifica o vínculo com as artes visuais e distancia-se da dança. Entre 1980 e 1986, atua na revista Veja, na qual, além de escrever críticas de artes visuais, é chefe da editoria de artes e espetáculos. Nos anos 1980 e 1990, assume curadoria de exposições e publica análises sobre a produção de artistas plásticas brasileiras como as de Tomie Ohtake (1913-2015) e Jeanete Musatti (1944).

Análise

O trabalho de Casimiro Xavier de Mendonça divulga e moderniza a dança paulista. A cobertura e crítica jornalísticas, a única realização cênica e o desenvolvimento de novos criadores nos anos 1970 sintetizam suas iniciativas, empreendidas em um período de formação de novos quadros na dança brasileira.

De 1977 a 1978, assume a presidência da Comissão Estadual de Dança da Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo ao lado de Emilie Chamie e Iracity Cardoso. A crítica Helena Katz (1950) testemunha a importância das iniciativas implementadas por Casimiro a quem nomeia como demiurgo:

A Comissão Estadual de Dança, na figura de seu presidente, Casimiro Xavier de Mendonça, deixa um longo e expressivo saldo de atividades cujo principal mérito é ter transformado tudo, até mesmo as dificuldades, em estímulos para que não se parasse de dançar. Assim, a Comissão conseguiria evitar que a perda do Galpão, que há três anos e meio ela vinha transformando em teatro de dança, não paralisasse suas atividades. Além disso, numa tentativa pioneira, integrou a dança à vida da cidade ao promover um ciclo de jazz paralelo ao do Festival do Anhembi e ao levá-la também para a Bienal, onde, aliás, criou um novo espaço de dança1.

De acordo com Helena Katz, a iniciativa de convidar J.C.Violla (1947) e seu grupo para a 1a Bienal Latino-Americana Mitos e Magias tem como consequência o nascimento de outro modelo de cidadania2 e de redescoberta da dança. O grupo de Violla é formado por 20  alunos diferenciados: profissionais liberais, empresários e estudantes.

Cartas Portuguesas (1978-1979) é a única criação em dança. Com Emilie Chamie compartilha a concepção, roteiro e direção de um espetáculo baseado nas cinco cartas de Soror Mariana do Alcoforado (1640-1723) ao Conde de Chamilly, Noel Bouton (1636-1715). A primeira versão, estreia no Masp, em dezembro de 1978, e tem no elenco Juliana Carneiro da Cunha (1949), Sônia Mota (1948), Ismael Ivo (1955), Zilah Vergueiro (1926-2012), Dorothy Lenner, Lenah Ferreira e o Grupo Andança. Este, composto por Cristina Brandini, Jussara Goldstein, Lia Rodrigues (1956), Malu Gonçalves, Martha Salles, Silvia Bittencourt (1954). A segunda versão (1979), com novo roteiro e mesmos elementos da dança de sentimentos multifacetados, inaugura o TBC como espaço de dança e encerra o ciclo de atividades de sua gestão como presidente da Comissão Estadual de Dança.

Notas

1  KATZ, Helena. SP provou: é grande centro de dança. Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 dez. 1978.

2 KATZ, Helena. O Brasil descobre a dança descobre o Brasil. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 1994.

Exposições 19

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Fontes de pesquisa 14

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  • DIAS, Linneu. A Experiência do Teatro de Dança no Galpão. In: NAVAS, Cássia; DIAS, Linneu. Dança Moderna. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1992.
  • KATZ, Helena. A volta das Cartas de Mariana do Alcoforado. Folha de S. Paulo, São Paulo,19 mai. 1979.
  • KATZ, Helena. Falta alguma coisa nas Cartas Portuguesas. Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 mai. 1979.
  • KATZ, Helena. Galpão volta a ser o teatro da dança. Folha de S. Paulo, São Paulo, 20 abr. 1980.
  • KATZ, Helena. O Brasil descobre a dança descobre o Brasil. São Paulo: Doréa Books and Art, 1994.
  • KATZ, Helena. Os movimentados passos de dança, dentro e fora dos palcos. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 mar. 1978.
  • KATZ, Helena. SP provou: é grande centro de dança. Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 dez. 1978.
  • LEIRNER, Sheila. Rigor e Paixão: além da bidimensionalidade gráfica. In: CHAMIE, Emilie. Rigor e Paixão: poética Visual de uma arte gráfica. São Paulo: Senac, 2001.
  • MENDONÇA, Casimiro Xavier de. Bons bailarinos. Falta melhor direção. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 9 ago. 1979. p. 32
  • MENDONÇA, Casimiro Xavier de. José Resende, A Interferência no Espaço. Folha da Tarde, São Paulo, 8 out. 1974.
  • MENDONÇA, Casimiro Xavier de. Vlavianos: fidelidade ao metal. Folha da Tarde, São Paulo, 18 out. 1976.
  • O ESTADO de São Paulo. Casimiro e seu gosto artístico. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 5 dez. 1979. p. 20
  • O ESTADO de São Paulo. Foi atribuído o Moliére-68. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 23 abr. 1969. p. 8
  • VEJA São Paulo. São Paulo, 22 jan. 1992. Edição 1218. p.79

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