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Antonio del Claro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.01.2017
1950 Brasil / São Paulo / São Paulo
Antonio Lauro Del Claro (São Paulo, São Paulo, 1950). Violoncelista, concertista e professor. Nascido em uma família de músicos, começa a aprender violoncelo com o pai aos 7 anos de idade. Aos 13, inicia a carreira na Orquestra da Televisão Tupi. Pouco depois, torna-se o mais jovem integrante da Orquestra de Câmara Pró-Música de São Paulo e, na ...

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Biografia
Antonio Lauro Del Claro (São Paulo, São Paulo, 1950). Violoncelista, concertista e professor. Nascido em uma família de músicos, começa a aprender violoncelo com o pai aos 7 anos de idade. Aos 13, inicia a carreira na Orquestra da Televisão Tupi. Pouco depois, torna-se o mais jovem integrante da Orquestra de Câmara Pró-Música de São Paulo e, na mesma época, da Filarmônica de São Paulo. Entre 1967 e 1973, ocupa o cargo de primeiro instrumentista (spalla) dos violoncelos da Orquestra Sinfônica Municipal. Ali, conhece o maestro italiano Nino Bonavolontà (1920-2007), que o incentiva a estudar na Itália. Em 1972, segue o conselho do maestro: frequenta o Curso Verão Musical de Taormina, no qual estuda violoncelo com o ítalo-romeno Radu Aldulescu (1922-2006) e música de câmara com o italiano Enrico Mainardi (1897-1976). Ganha o primeiro prêmio do festival promovido pelo curso. No ano seguinte, com bolsa do governo de São Paulo, muda-se para Paris para estudar com Robert Salles (1901-1992) e, entre 1974 e 1976, aperfeiçoa-se com o violoncelista fancês Pierre Fournier (1906-1986) na Suíça.

Durante esses anos, integra o Trio de Genebra e participa do duo de violoncelos com o francês François Guye (1953), apresentando-se, em ambas as formações, na Suíça, Itália e França. Entre 1976 e 1983, assume o posto de primeiro violoncelo da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo  (USP), sob a regência de Camargo Guarnieri (1907-1993).

Em 1983, torna-se professor da Universidade de Campinas (Unicamp), na qual permanece até a aposentadoria, em 1998. Entre 1988 e 1995, torna-se membro do grupo Artistrio. Durante a primeira década dos anos 2000, leciona na Fundação Carlos Gomes de Belém, no Pará, onde assume a direção artística do Encontro de Cordas e a regência da Orquestra de Cordas. Ocupa a mesma função no Encontro de Cordas de São Luís, no Maranhão, e participa como fundador da Camerata do Festival Internacional de Música do Pará. Entre 1995 e 2001, torna-se professor da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, onde integra o Trio das Américas e realiza concertos pelo país.

Como solista, atua à frente da Orquestra de Câmara de Moscou e das maiores orquestras sinfônicas brasileiras. Ao longo da carreira, obtém os prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte (Apca) de Melhor Solista Jovem (1967 e 1972) e de Melhor Solista (1992), e o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Solista (1999). Os compositores Camargo Guarnieri, Osvaldo Lacerda (1927-2011), Claudio Santoro (1919-1989) e Almeida Prado (1943-2010) dedicaram algumas de suas obras a ele.

Análise
A precocidade de Del Claro faz com que sua formação musical se dê no exercício profissional, como o prodígio violoncelista de orquestra, ao lado de músicos experientes. O contato com maestros como o argentino Simón Blech (1924-1997), o americano Howard Mitchell (1910-1988), o austríaco Felix Prohaska (1912-1987), os brasileiros Camargo Guarnieri e Eleazar de Carvalho (1912-1996), o italiano Nino Bonavolontà e o francês Ernest Bour (1913-2001), sobretudo durante a juventude, são cruciais para o desenvolvimento da compreensão musical. Seu grande mestre, no entanto, está na Suíça.

Pierre Fournier, considerado o “poeta do violoncelo”, deixa traços indeléveis em Del Claro. Segundo ele, a maior lição recebida pelo mestre é: “amar a música é fazê-la amar-se pelos outros para estabelecer-se entre todas as pessoas sensíveis à sua beleza, criando laços indissolúveis, num rio sem fronteiras” [1]. Além disso, o professor transmite ao aluno uma destreza técnica impecável. Para mantê-la, o instrumentista dedica-se ao treino diário, para que seu condicionamento físico, indispensável ao desenvolvimento técnico, não se perca. “Na fase escolar somos estudantes, na fase profissional somos eternamente estudiosos” [2], diz.

Genebra é o local-chave para o amadurecimento da consciência musical do artista. Como ele afirma, isso é evidente em seu trabalho de câmara, com o Trio de Genebra, graças ao contato com o pianista suíço Louis Hiltbrand, para quem a extremidade dos dedos é um centro de consciência no qual reside o sentimento. Isso talvez explique o processo de interpretação de Del Claro desenvolvido nesse ambiente musical.

São esses dois valores, técnico e estético, que Del Claro esforça-se para transmitir artística e pedagogicamente. A atuação como educador inclui o cuidado com a formação de novos instrumentistas brasileiros e com a difusão da música brasileira de câmara e de concerto.

Além das aulas em Campinas, o violoncelista, em contato com a Fundação Carlos Gomes de Belém, organiza vários eventos no Norte e Nordeste do Brasil. Entre as iniciativas socioeducacionais, funda e atua como regente da Camerata do Festival Internacional de Música do Pará – executando obras, em sua maioria, de autores brasileiros –, e ministra cursos em diversos festivais no Brasil e no Festival Internacional de Violoncelos do Uruguai.

A música nacional é igualmente defendida em suas apresentaçãos. Realiza as primeiras audições mundiais de obras que lhe são dedicadas por Osvaldo Lacerda, Claudio Santoro e Almeida Prado. Além disso, seu catálogo conta com o registro de compositores como Camargo Guarnieri, Henrique Oswald (1852-1931), Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Radamés Gnattali (1906-1988) e Guerra-Peixe (1914-1993).

O percurso do violoncelista relaciona arte e ensino. A formação na Suíça é acompanhada pela atuação no Trio de Genebra e com o duo de violoncelos. Durante o período no qual leciona na Unicamp, compromete-se com o Artistrio; e o período em que leciona nos Estados Unidos é marcado pela participação no Trio Américas, que difunde compositores sul-americanos em concertos pelo país.

Notas
[1]  MORAIS, Protásio de. Antonio Del Claro fala sobre sua amizade com José Bragato, música brasileira e diferenças. Orquestra do Estado de Mato Grosso: Entrevistas. Entrevista do intérprete à Protásio de Morais. Mato Grosso: Orquestra do Estado de Mato Grosso, 31 jul. 2009. Disponível em: < http://www.orquestra.mt.gov.br/entrevistas.php?ent_id=160 >. Acesso em: 27 jul. 2014.
[2] Ibid.
[3] Formado com o pianista Daniel Spielgeberg (1937) e a violinista Saskia Fillipini, o trio realiza gravações para a Radio Suisse Romande.

Fontes de pesquisa 7

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  • CATANZARO, Tatiana. Entrevista com Antonio Lauro Del Claro. Entrevista telefônica. Paris; São Paulo, 23 jul. 2014.
  • COELHO, João Marcos. Cello carreira de 50 anos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 ago. 2012. Caderno de Cultura.
  • DEL CLARO, Antonio Lauro. Master Class de Antonio Lauro Del Claro: la música brasileña en el repertorio del violoncello. I Festival Internacional de Violoncellos de Uruguay. Montevidéu: Festival Internacional de Violoncellos de Uruguay, 3 abr. 2014. Disponível em: < http://www.asuntospublicos.tv/conferencias/1275/?playlist=576 >. Acesso em: 27 jul. 2014.
  • DEL CLARO, Antonio Lauro. O Violoncelo: sua arte, seus intérpretes. Série radiofônica de 10 programas. São Paulo, 1994.
  • DEL CLARO, Antonio Lauro. Pierre Fournier: o poeta do violoncelo. Concerto, São Paulo, v. II, 1996. p. 12-13.
  • MORAIS, Protásio de. Antonio Del Claro fala sobre sua amizade com José Bragato, música brasileira e diferenças. Orquestra do Estado de Mato Grosso: Entrevistas. Entrevista do intérprete à Protásio de Morais. Mato Grosso: Orquestra do Estado de Mato Grosso, 31 jul. 2009. Disponível em: < http://www.orquestra.mt.gov.br/entrevistas.php?ent_id=160 >. Acesso em: 27 jul. 2014.
  • REVISTA CONCERTO. Antonio Del Claro comemora 50 anos de carreira em concerto no Theatro São Pedro. Revista Concerto, São Paulo, 18 out. 2012.

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