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Literatura

Marisa Lajolo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.08.2019
09.05.1944 Brasil / São Paulo / São Paulo
Marisa Philbert Lajolo (São Paulo, São Paulo, 1944). Ensaísta, pesquisadora, crítica literária, escritora de literatura juvenil e professora universitária. Nasce na cidade de São Paulo, mas é criada em Santos, no litoral paulista. Na infância, adquire o gosto pela leitura de contos de fadas e lendas, e pelas aventuras da turma do Sítio do Picapa...

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Biografia

Marisa Philbert Lajolo (São Paulo, São Paulo, 1944). Ensaísta, pesquisadora, crítica literária, escritora de literatura juvenil e professora universitária. Nasce na cidade de São Paulo, mas é criada em Santos, no litoral paulista. Na infância, adquire o gosto pela leitura de contos de fadas e lendas, e pelas aventuras da turma do Sítio do Picapau Amarelo, do escritor Monteiro Lobato (1882-1948), de cuja obra se torna especialista. 

Em 1967, forma-se em letras na Universidade de São Paulo (USP), onde defende mestrado e doutorado com orientação do ensaísta e professor Antonio Candido (1918-2017). Em 1975, leciona no curso de letras da Universidade Mackenzie. A partir de 1979, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), consolida uma carreira acadêmica voltada para a teoria literária e a literatura brasileira, atuando principalmente nas áreas de história da leitura e literatura infantojuvenil. Obtém o título de pós-doutorado na Brown University, nos Estados Unidos, em 1990. 

Participa de inúmeros seminários, palestras, conferências e mesas-redondas, em eventos nacionais e internacionais, em cidades como Hannover, Washington e Paris. Em 2006, por suas ações de incentivo ao livro e à leitura como forma de inclusão e cidadania, recebe a Medalha da Ordem do Mérito do Livro, da Fundação Biblioteca Nacional. Professora aposentada da Unicamp, mantém vínculo com a instituição como coordenadora do Projeto Memória da Leitura, que divulga uma página virtual dedicada a pesquisas sobre história da leitura e do livro no Brasil, além de lecionar na Universidade Mackenzie. Estreia na ficção para adolescentes com Destino em Aberto, em 2002. 

Análise

Marisa Lajolo é responsável pelo principal estudo sistemático da literatura infantil brasileira. Em seu livro Literatura Infantil Brasileira: História e Histórias, escrito junto com a professora e pesquisadora Regina Zilberman (1948), realiza uma pesquisa em perspectiva histórica que procura circunscrever, dentro do contexto nacional, o surgimento de um sistema literário em torno da produção de livros para crianças e jovens. Partindo do contexto mundial do surgimento da literatura infantil, a autora investiga o aparecimento desse gênero no país a partir das primeiras traduções no século XIX até o começo de publicações com feições próprias, em que é possível falar de uma literatura infantil especificamente nacional. 

Alguns momentos decisivos da formação desse sistema literário no país já possuíam estudos específicos em outras publicações, como é o caso de Usos e Abusos da Literatura na Escola, livro em que a autora acompanha a relação entre Olavo Bilac (1865-1918) e o ensino na República Velha. Do estudo minucioso dos livros escolares de Bilac, Marisa Lajolo consegue extrair elementos que esclarecem o gosto e a recepção dos textos literários, infantis e adultos no começo do século XX no país. Realiza, também, importantes estudos sobre Monteiro Lobato e a atualização particular feita por ele na escrita de livros para crianças e jovens. Os estudos de Marisa Lajolo e Regina Zilberman avançam pelos principais dilemas e pelos momentos decisivos ao longo do século XX até autores como Clarice Lispector (1920-1977), Ana Maria Machado (1941), Lygia Bojunga (1932) e as diferentes vertentes da literatura infantil contemporânea.

Além da literatura para jovens e crianças, a autora realiza importantes estudos em que busca refletir sobre o papel da leitura em diferentes contextos e situações históricas. Em A Leitura Rarefeita (1991), livro também escrito em parceria com Regina Zilberman, busca traçar em perspectiva histórica a formação da leitura no país. Esse estudo, que gerou diversos desdobramentos posteriores na obra da autora, procura especificar a formação da leitura ligada às questões histórico-sociais dentro da constituição de um mercado específico voltado à publicação de livros no país. Essa perspectiva leva a uma investigação que tem origem na colonização portuguesa e se estende até o século XIX. 

Em seu livro Como e por que Ler o Romance Brasileiro (2004) a autora pesquisa o surgimento do romance nacional na metade do século XIX, com os folhetins, e acompanha, atenta às questões históricas, sociais e culturais, o desenvolvimento do gênero, passando por José de Alencar (1829-1877), Machado de Assis (1839-1908) e Mário de Andrade (1893-1945), entre outros, até chegar à produção literária contemporânea de autores como Ferréz (1975) e Luiz Ruffato (1961). Questões cruciais como a perenidade e a qualidade das obras são aspectos centrais desse estudo que reorganiza a história literária do país.

Os livros da autora sobre a história da leitura, as práticas de leitura no país, a constituição dos sistemas literários e dos gêneros específicos funcionam como um rico material para professores, pesquisadores e, consequentemente, alunos que têm no centro de suas atividades o trabalho com literatura e leitura no Brasil.

A autora escreve, em 2002, seu primeiro livro de ficção infantojuvenil, Destino em Aberto. Nele, constrói por meio de dois adolescentes que pertencem a classes sociais distintas - um é herdeiro e o outro menino de rua - um painel das questões socioculturais do Brasil. O ponto de aproximação dos personagens que vivem em espaços sociais separados da realidade nacional é a música. Os dois partem de São Paulo em direção ao Norte do país em busca de outra vida. Esse deslocamento, que os leva a atravessar grande parte do território nacional, faz com que Bilac, o menino de rua, e Homero, o herdeiro, descubram ao mesmo tempo o país e a si mesmos. Nesse percurso diversas regiões brasileiras são caracterizadas, situações históricas problematizadas e momentos da literatura nacional e estrangeira apresentados. É realizado um trabalho de linguagem em que diferentes vozes, principalmente as de Bilac e Homero, aparecem com timbres bastante característicos, resultado, ao que tudo indica, de importante pesquisa linguística e de cuidadosa audição desses diferentes timbres que compõem a realidade sociocultural do país. É possível perceber a abertura dessa pesquisa na gama das referências que aparecem no livro, que abarcam a música popular, como a de Dorival Caymmi (1914-2008), ao grupo de rap Racionais M.C., passando pela música de protesto da década de 1960 o rock nacional e a música pop da década de 1980.

Fontes de pesquisa 8

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  • BRAGANÇA, Aníbal. A contabilidade da escrita. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno Ideias, 26 jan. 2002.
  • FAVA, Roberto Antonio. Marisa Lajolo estreia na ficção. Jornal da Unicamp. Campinas, 1 a 7 jul. 2002. Disponível em: < http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/julho2002/unihoje_ju179pag02.html >. Acesso em: 26 nov. 2014.
  • KASSAB, Álvaro. Marisa Lajolo põe o Brasil no mapa do romance. Jornal da Unicamp. Campinas, 17 a 23 abr. 2006. Disponível em: < http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2006/ju319pag2a.html >. Acesso em: 26 out. 2014.
  • LAJOLO, Marisa (org.). Descobrindo a literatura: a maldição da palavra secreta. São Paulo: Ática, 2003.
  • LAJOLO, Marisa. Como e por que ler o romance brasileiro. São Paulo: Objetiva, 2004.
  • LAJOLO, Marisa. Usos e abusos da literatura na escola. Rio de Janeiro: Globo, 1982.
  • LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil brasileira. São Paulo: Ática, 1984.
  • LIVRO revela Lobato jovem e apaixonado. Jornal da Unicamp. Campinas, 17 a 23 abr. 2006. Disponível em: < http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2006/ju319pag2a.html >. Acesso em: 26 out. 2014.

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